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 ‘Azul’ remete à descoberta, aceitação, medo e conflitos

DIGITAIS RECOMENDA – EP de Júlia Devito com quatro canções é um trabalho pequeno em duração, mas grande em sentimento

Por Laura Penariol
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Cantora e compositora campineira, Júlia Bazon Devito, construiu uma obra curta, delicada e profundamente emocional no álbum Azul, lançado em setembro de 2025 no Spotify. O EP (Extended Play – é um mini-álbum com duração curta) composto por quatro faixas: Azul, Missametade, Bilhete e Fevereiro – soa como um mergulho em sentimentos que muitas vezes tentamos evitar.

 

A obra, caracterizada como música popular brasileira, mescla influências que vão do samba ao pop/rock e dialoga com referências como Gilberto Gil, Anavitória e Harry Styles. Como mulher LGBTQIA +, ela aborda a descoberta, aceitação, medo e conflitos com valor simbólico e representativo. O single Azul foi lançado previamente em maio e já alcançou mais de 8,5 mil reproduções.

Cada som do novo álbum traduz uma espécie de confissão silenciosa. E a escolha do título mostra isso. O azul, corresponde a cor de melancolia, profundidade e calmaria. A voz limpa e próxima de Júlia, é quase como se estivesse cantando dentro de um quarto.

Júlia Devito e sua banda na estreia do álbum Azul, em Barão Geraldo, Campinas (Foto: Laura Penariol)

A primeira música, Azul, transparece alguém que tenta entender um sentimento difuso e compreender o próprio estado emocional. Versos como “Quero só ver tu falar que não quer de novo. Depois beber até ter coragem de ligar”, demonstram isso.
Missametade já sugere o desafio de um amor arriscado e incompleto. O refrão ‘‘Ei, tu não sabe da missa a metade. Ela dorme contigo mas é comigo que fala bobagem”, utiliza a expressão popular como quem está escondendo algo. E que se sente bem com isso.
Bilhete é uma melodia que mistura o francês com o ritmo de sucesso ‘Ainda Gosto Dela’, de Skank, Negra Li e Dubdogz. Essa canção fala do acaso de encontrar um amor, e que só de imaginar perder, dói.  
A última e mais longa do álbum, Fevereiro, é melódica como “um final clichê de uma novela”, como cita a própria música. O uso de metáforas como “quando a solidão bater à porta” ajuda a visualizar sentimentos e deixa aberta a interpretação individual, o que aproxima os ouvintes.

 

O conjunto musical em si, explora de forma sensível e honesta, diferentes variações de relacionamentos amorosos e desafios emocionais da vida. O projeto foi realizado com apoio da PNAB – Política Nacional Aldir Blanc – de Mogi Guaçu e a produção musical foi feita por Arthur Capello e Cauê Gifalli em Bauru.

Orientação e edição: Adauto Molck

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