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Pressão do vestibular desafia rotina e saúde mental

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Por Bárbara Lino e Bárbara Marçal  

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Estudantes caminham pelo Campus I da PUC Campinas antes da realização do vestibular (Foto: DECOM)

Em escolas públicas e particulares de Campinas, estudantes do Ensino Médio, junto com pais, professores e psicólogos, relatam como têm lidado com a pressão do vestibular. Uma cobrança que, segundo eles, afeta diretamente a rotina, o bem-estar emocional e a qualidade de vida das famílias. O que leva muitos jovens a buscar novas formas de organização, apoio psicológico e diálogo para enfrentar essa etapa decisiva.

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Segundo a professora de ensino médio e  fundamental II, Luciane Gaspar Duarte, que observa de perto o emocional das turmas, aqueles que manifestam uma rotina de estudos ao longo dos anos chegam mais tensos, porém seguros. Já os estudantes que deixaram a preparação para o último momento enfrentam maior instabilidade emocional. Ela destaca que um dos maiores desafios atuais é a falta de concentração, agravada no período pós-pandemia, dificuldade para ler textos completos e vocabulário reduzido. “Falta foco. A desconcentração é coletiva e tem vício no celular. Eles acabam errando questões de prova porque não têm paciência de ler o enunciado. Pulam palavras para ir mais rápido e a concentração se limita em poucos segundos de vídeo”, reforça a professora.

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A psicóloga Adelita Cabrera Costa explica que a grande pressão dos vestibulares pode impactar negativamente a vida dos adolescentes (Foto: Bárbara Marçal)

De acordo com a Psicóloga Adelita Cabrera Costa, a entrada na universidade e a pressão do vestibular envolvem um conjunto de expectativas e medos que podem desencadear impactos sérios na saúde mental dos jovens.“O medo de não conseguir passar, a ansiedade pré e  pós prova, todas essas questões têm ligação com as elevadas expectativas que os jovens têm sobre o próprio futuro. Sem contar as incertezas das escolhas que precisam fazer ainda muito jovens e o medo de decepcionar os pais. Todos esses fatores podem acarretar em um quadro depressivo que, se negligenciado, pode impactar de alguma forma na vida acadêmica do jovem universitário”, explica.

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Entre os sintomas emocionais mais recorrentes estão insônia, irritabilidade, taquicardia, dificuldade de concentração, isolamento social e baixa autoestima. Em casos mais intensos, alguns jovens podem apresentar um esgotamento emocional, também conhecido como burnout estudantil. Por isso, é preciso que os estudantes mantenham uma rotina equilibrada, com descanso, lazer, práticas de relaxamento e apoio psicológico. 

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A estudante Noemi Rodrigues de Sá, de 18 anos, conta que vive um misto de medo e esforço constante. “Tenho medo de não passar, mas tenho tentado ao máximo não ficar pensando negativo, pensar que se não der certo eu tento de novo. E quero conseguir, eu tenho dado o meu máximo, estou tentando não me cobrar tanto e ficar o mais tranquila possível”, desabafa Noemi.

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Aluna Giovana Rocha dos Santos, estudando para o vestibular (Foto: Bárbara Marçal)

A família também tem papel importante nesse processo. Evitar cobranças e transmitir segurança, ajuda o jovem a conseguir lidar melhor com as emoções e com possíveis frustrações. Para a estudante Giovana Rocha dos Santos, que está prestando vestibular, esse apoio faz diferença. Ela comenta que se sente acolhida pela família, “eles não me cobram por resultados, mas me apoiam em cada tentativa, me lembrando de que o mais importante é tentar, crescer e seguir em frente. Saber que tenho esse suporte me dá força para continuar acreditando que tudo tem o seu tempo, e que o esforço no fim sempre vale a pena”.

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Os pais também reconhecem o peso emocional desse período. Érica Pimenta de Pádua, mãe de uma vestibulanda, aponta que a pressão não vem apenas da escola, mas também da sociedade e até de expectativas internas. Ela percebe que os estudantes ficam inseguros e ansiosos com o término do ensino médio e com as  possibilidades que o futuro apresenta,”não é só da sociedade, mas acho que é uma pressão individual, do próprio aluno”.

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Embora o vestibular seja um marco na vida escolar dos estudantes, a psicóloga reforça que a forma como o processo é vivido depende muito do apoio social, familiar e institucional que o jovem recebe. “O vestibular é apenas uma etapa da vida do adolescente e não uma medida definitiva do potencial do jovem. Se a pressão de que o valor dele depende do resultado do vestibular diminuir, ele torna-se capaz de lidar melhor com a frustração de um possível resultado negativo”, avalia Adelita.

Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana


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