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Setembro Amarelo completa 10 anos enfrentando desafios

Por Gabriel Rosa

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Setembro Amarelo, campanha idealizada pelo Centro de Valorização à Vida, completa 10 anos (Foto: Gabriel Rosa)

A campanha Setembro Amarelo completou 10 anos de criação no último dia 10 de setembro. A iniciativa do CVV (Centro de Valorização a Vida) tem como premissa o incentivo à procura de ajuda especializada para a saúde mental e principalmente a diminuição no número de suicídios da população.

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O movimento ficou em evidência principalmente após a pandemia da Covid-19, entre 2020 e 2022, quando as notícias sobre a situação mundial e o isolamento fizeram com que muitas pessoas enfrentassem quadros de depressão e, até mesmo, cometessem suicídio. Mesmo após esse período, a tendência de suicídios é de leve alta em Campinas, o que configura grande desafio para a campanha.  Segundo dados da Secretária de Saúde, em 2024 foram registradas 77 mortes desse tipo, três a mais que no ano anterior.

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Para Wellinton Ribeiro, psicólogo de 36 anos, conversar e divulgar mais sobre o assunto é o que vai combater esses números e mudar o cenário de hoje. Ele fala que “é um papel fundamental na sociedade, principalmente por abordar um tema que por muito tempo foi tratado como tabu. Sendo assim, o objetivo do “Setembro Amarelo” é trazer o tema do suicídio à tona, combatendo o estigma associado à saúde mental.”

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Pertencente à uma das faixas etárias mais afetadas nos últimos anos, a estudante Isabella Rodrigues Porrino, de 17 anos, acredita que procurar por ajuda é extremamente importante por toda a pressão que se tem na juventude. “É uma fase em que nós estamos desapegando da mentalidade infantil e que existe uma cobrança gigantesca nessa sobre fazer uma faculdade e precisar ter a vida toda resolvida tão cedo. Isso sem ninguém considerar que nós estamos aprendendo a lidar com novas responsabilidades e novos sentimentos”, desabafa a estudante.

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Vitória Seraphim Gava, engenheira química de 26 anos, conta que a procura por ajuda foi essencial para que superasse dias difíceis. “Busquei diferentes formas de cuidado, mas foi na terapia que encontrei um espaço seguro para me reconstruir, foi nesse processo que consegui me fortalecer, amadurecer e enxergar que, mesmo diante das adversidades, é possível evoluir e seguir em frente com mais equilíbrio”, relatou.

O psicólogo Wellington Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

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.Quando procurar ajuda?

Wellington explica que para ele todo ser humano deveria fazer terapia em algum momento e que a procura não deve ser apenas nos momentos de crise. Ele considera que “o acompanhamento regular pode ajudar a pessoa a gerenciar seus sentimentos e a entender seus antecedentes, desenvolvendo resiliência para evitar que pequenos problemas se tornem grandes crises. É um ato de cuidado preventivo, assim como ir ao médico para um check-up.”

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Para ele não existe idade ideal para a procura de ajuda, mas o foco dos profissionais deve estar nos adolescentes, na faixa etária de 11 a 17 anos. “Os familiares e escolas, por exemplo, devem ficar atentos aos sinais, tendo em vista que nesta fase, os adolescentes estão em pleno desenvolvimento físico, cognitivo, entre outros, e não alcançam a interpretação completa sobre um contexto, como um adulto pode alcançar”, explica o psicólogo.

.Se você sente que precisa de ajuda, procure o CVV (Centro de Valorização a Vida) ligando no número 188. Ou procure um Centro de Ajuda Psicossocial (CAPS) de sua cidade ou região, eles oferecem atendimento psicológico especializado e gratuito através do SUS.

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.Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana

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