O Programa Vitalità da PUC-Campinas promove inclusão, bem-estar e troca de experiências entre idosos e comunidade universitária
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Por Bárbara Marçal
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O Vitalità surgiu na PUC-Campinas com a missão de promover saúde, bem-estar e qualidade de vida para pessoas idosas, por meio de oficinas, convívio social e trocas intergeracionais. Desde seu início, em 29 de setembro de 2020, o programa reúne dezenas de participantes com mais de 60 anos em atividades como Clube da Leitura, Movimente-se, Horta, Empreendedorismo, Diálogos sobre a Vida e muitos outros. Ao longo dos anos, o projeto se consolidou como um espaço de acolhimento e aprendizado, unindo ciência, pesquisa e extensão para incentivar o envelhecimento ativo e saudável. Transformando a vida de centenas de idosos, o programa foi pioneiro na América do Sul ao integrar a rede internacional de Universidades “Amigas da Pessoa Idosa” e tornou-se referência por combinar tecnologia, cultura, saúde e protagonismo social.
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O programa começou suas atividades durante a pandemia, no formato online, enfrentando o desafio de introduzir o ambiente digital para muitos idosos que ainda não estavam familiarizados com essas ferramentas. Com a redução das restrições sanitárias, as oficinas passaram a ocorrer presencialmente em 2022, seguindo protocolos de segurança, e se expandiram para o Campus I e II da PUC Campinas, ampliando o alcance do projeto.
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A professora Mariana Reis Santimaria responsável pelo Vitalità destaca que, por estar inserido em uma universidade com tradição na atuação junto à terceira idade, ele consegue promover envelhecimento ativo e convívio intergeracional, alcançando tanto a comunidade interna quanto externa. “Muitos buscam novas experiências, onde podem trocar vivências e se sentir respeitados. Essa construção coletiva impacta diretamente na autoestima e na autonomia dos idosos”, afirma.
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Quem também acompanhou essa trajetória desde o início foi a psicóloga do Vitalità, Cristina Correa Dias Lopes. Ela ressalta que as oficinas se tornaram fundamentais para o envelhecimento saudável, ao contribuírem não apenas para a saúde física e emocional, mas também para o enfrentamento da solidão. “Aqui eles encontram um espaço de apoio, de amizade e de troca, sem medo de serem julgados”. Ela também observa a transformação nos participantes ao longo dos anos. Muitos, segundo ela, chegam carregando dificuldades pessoais e uma visão negativa sobre si mesmos. Com a convivência e a interação em grupo, esse olhar vai mudando, abrindo espaço para mais confiança e motivação. “Aquele pensamento de que não vai dar certo começa a se transformar em, estou conseguindo”, destaca.
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Essa rede de acolhimento foi justamente o que atraiu a advogada Márcia Regina de Carvalho, de 71 anos, que chegou ao Vitalità logo após a pandemia através de uma reportagem na TV, a qual ela se encantou com o convívio e as oportunidades de aprendizado. “Você nunca sai daqui igual entrou. O Clube da Leitura, por exemplo, me fez refletir muito sobre diferentes visões de um mesmo texto. As amizades que fiz aqui extrapolaram para fora da PUC, hoje saímos para shows, teatro, até boteco. É uma roda de amizades maravilhosa, minha vida mudou”, relata.
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O mesmo aconteceu com Marco Antônio Vieira, ex-analista contábil de 72 anos. Convidado por um amigo, ele passou a frequentar diversas oficinas e viu sua rotina mudar. “Eu moro sozinho e quando venho para cá, consigo esquecer meus problemas por algumas horas. Aumentei meu leque de amizades, dou risada, aprendo coisas que nunca tinha feito, como pintura em tela. Minha intenção é continuar no Vitalità enquanto eu puder”, afirma.
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Ele também destacou uma de suas oficinas preferidas,”Emoções em Foco”, que combina atividades práticas com reflexões sobre sentimentos. “A gente faz uma atividade e depois tem um tema em cima disso. Qual é a emoção que você sentiu fazendo isso? Às vezes eu tenho dificuldade em responder, mas às vezes eu me abro e falo até mais do que eu gosto de falar”.
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Já Zenilda de Jesus de Nadal, mais conhecida como Tuca, encontrou no projeto uma forma de se manter ativa e ampliar conhecimentos. “Cada dia aqui é um aprendizado. Participo de oficinas que falam sobre saúde, tecnologia e bem-estar, e sempre saio com novas informações coisas que eu nem sabia. Além disso, sinto falta quando não venho, porque aqui a gente cria vínculos de verdade”.
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Mais do que oficinas, o Vitalità se consolidou ao longo dos cinco anos como um espaço de pertencimento, onde cada história conta e cada encontro fortalece laços. Para os participantes, estar ali significa alegria, amizade e convivência prazerosa. “A bagagem que você adquire aqui é fantástica. É um espaço de apoio e segurança, onde eles se sentem respeitados e acolhidos”, afirma Cristina. Segundo ela, o entusiasmo dos idosos em participar das atividades evidencia o impacto direto das oficinas na rotina.
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
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