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Taxação de Trump ameaça exportações e preocupa RMC

67% das empresas associadas terão elevação nos custos operacionais, juros mais altos, inflação e redução da competitividade

 Por  Isadora de Paiva

No dia 6 de agosto de 2025 entrou em vigor a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, trazendo um sentimento de incerteza para a economia, inclusive na Região Metropolitana de Campinas.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a região exporta cerca de 25,2% de sua produção para o país norte americano, com destaque para os setores agropecuário, industrial e petroquímico. Durante reunião extraordinária do Conselho de Desenvolvimento da RMC, realizada no dia 20 de agosto, os setores devem sentir um abalo de cerca de um terço nas suas exportações e uma redução no PIB.

Containers empilhados no pátio da Multilog Clia Campinas (Foto: Isadora Nascimento)
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O diretor do Departamento de Comércio Exterior do CIESP Campinas, Anselmo Riso, explicou que “os principais produtos que as associadas da regional exportam para os Estados Unidos, são: combustíveis e óleos minerais, caldeiras, borrachas, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e suas partes.” Na pesquisa do CIESP Campinas, que compreende 19 municípios, aponta que 67% das empresas associadas terão elevação nos custos operacionais, juros mais altos, inflação e redução da competitividade no mercado internacional. Isso pode gerar, a curto prazo, um período de complicações, com possíveis desempregos e dificuldades maiores para os pequenos e médios empresários que não têm capital de giro.

No campo político local, a prefeitura de Campinas ainda não apresentou medidas de proteção às empresas. Mas, participa da comissão nacional de cidades exportadoras e levou o tema ao vice-presidente Geraldo Alckmin. Entre as principais demandas, estão o reforço ao programa Reintegra e a diversificação dos mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

Containers da Maersk e outros empilhados no pátio da Multilog Clia Campinas (Foto: Isadora Nascimento)

De acordo com a empresa SSCrop- Gestão de Fazendas, “os produtos mais afetados foram aqueles que têm forte presença no mercado norte-americano, como carne bovina, café e suco de laranja.  Além disso, o aumento da instabilidade cambial e a queda na competitividade internacional atingiram de forma secundária outros segmentos do agro, já que insumos importados, como fertilizantes e defensivos, também ficaram mais caros”.

Para o Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC Campinas, Roberto Brito de Carvalho, em toda grande crise há um ar de oportunidade a longo prazo, e pode abrir espaço para reconstrução da atividade econômica, por meio da diversificação de mercados e da sofisticação da indústria nacional, com mais produtos de valor agregado e menor dependência de commodities.

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