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Cientista vê próprio estudo como primeiro no Brasil

No último episódio, palestrante passa por reflexões nas relações interraciais

Por: Laura Penariol e Giovana Perianez

Nesta última quinta-feira (25), Andreone Teles Medrado encerrou a série de curadoria sobre o amor contemporâneo no Café Filosófico. Pessoa não binária e não monogâmica, elu é graduade em ciências biológicas e em psicologia, mestre em fisiologia neuroendócrina e doutorande que estuda a influência do nojo na atratividade sexual e na religiosidade humana. À vista disso, a reflexão de encerramento é a partir da “Construção do desejo e do amor nas relações interraciais”.

Andreone Medrado se preparando para iniciar palestra no Café Filosófico. (Foto: Giovana Perianez)

Medrado iniciou mencionando o período colonial, este que provocou uma invasão acarretada de mudanças no modo dos povos originários de se relacionar. A mesma linha colonizatória houve com povos escravizados africanos e o epistemicídio dos aprendizados destas pessoas, trouxe verdades absolutas como a monogamia e ideias supremacistas.

Segundo avaliou, relações proximais também são colonizadas. Um exemplo disso é a estratégia da privação de recursos, em que a dominação de quem oferece mais e o mito do provedor, realiza parte da construção de fazercom que o indivíduo parceiro não resista. 

Andreone recorreu a uma obra exposta no Congresso Universal das Raças, realizada por Modesto Brocos, que demonstrava a realidade do país através do olhar do artista. A pintura denominada de “A Redenção de Cam”,retrata o negro passando a branco, na terceira geração, por efeito do relacionamento inter-racial, o que constitui a prerrogativa de que ser branco é um privilégio e que onegro, aos olhos de boa parte da intelectualidade, representava o passado e o atraso. 

Andreone Medrado: “O amor tem cor, gênero, classe, sexualidade, corporeidade e expressões”. 
(Foto: Giovana Perianez)

A partir deste argumento, Teles utiliza o fetiche brancocomo termo para analisar o caminho do desejo que geralmente é construído socialmente. Para elu, abranquitude invisibiliza identidades, gostos, desejos e representações sociais a partir de um ideal de limpeza, que dilui subjetividades. “A pessoa se percebe negra na sociedade ao mesmo passo que olha ao redor e questiona o porquê de estar nesse lugar, que geralmente é colocado como não desejado”, refletiu.

Nesse panorama, o fetiche branco, retomado, liga- se ao que elu intitula de purificação da humanidade, no qual omodelo de desejo da sociedade é o branco cis gênero, hétero e homem. Assim, Medrado relacionou isso a propagandas de sabão, em que, conforme crianças negras são lavadas, vão sendo embranquecidas. A partir disso, afirma que a busca pelo embranquecimento é uma forma de atingir a limpeza para tornar-se menos nojento possível.

“O nojo de pessoas racionalizadas é um nojo moral e sexual”, aponta Andreone. A noção de aversão é o campo de estudos para refletir como que na construção subjetiva e prática do desejo, o nojo é marcado nas pessoas serem mais ou menos desejáveis.

Medrado respondendo ao questionamento de Renato Nogueira, curador da série em andamento. (Foto: Giovana Perianez)

Para exemplificar, artista recorreu a um estudo realizado em 2008, nos Estados Unidos, no qual mostrou que pessoas negras em comparação a brancas, apresentam mais comportamentos de limpeza. Além disso, teorias que seguem o raciocínio desta, concluem que a compulsão por limpeza não é de ordem biológica e material, e sim pautada na preocupação de pessoas racionalizadas em deixar manchas na própria imagem, a fim de neutralizar estereótipos atribuídos a elas, como em não sair desarrumado para não serem relacionados a qualidadesnegativas. 

“Amor se faz na ação, no ato e é produzido na sociedade, e coisas que a compõe, marcam os tipos de amores” pondera palestrante.

Orientação: Prof. Gilberto Roldão

Edição: Giovanna Sottero


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