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Motoristas evitam parar para quem está acompanhado por cão-guia, porque muitos soltam pelos nos bancos do carro
Por Gustavo Seneme
No dia 13 de dezembro de 1961 foi oficialmente decretado o Dia Nacional do Cego, posteriormente renomeado como Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. A data marca um avanço na luta por direitos iguais, reconhecimento e inclusão social. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem somente 200 cães guias aptos a guiar pessoas, para as seis milhões que possuem dificuldades para enxergar ou são cegas no Brasil.

Vinicius Nascimento, de 41 anos, trabalha com análise de diversidade e inclusão pela Coca-Cola FEMSA e tem 100% da visão prejudicada desde seus 20 anos de idade. Antes, ele tinha cerca de 30% da visão. “Eu já nasci com a deficiência. Na época, minha avó analfabeta descobriu e falou com minha mãe, que me levou ao médico e viu que eu tinha baixa visão”, recorda-se.
Para conseguir mobilidade, Nascimento procurou ajuda com a adoção de um cão-guia. “Aos 20 anos eu realmente perdi toda a visão e comecei a andar com a bengala. Depois de sete anos esperando, eu finalmente consegui ter o cão-guia, que é o Marley. Ele está comigo há um ano”.
Segundo ele, o principal problema hoje são as recusas dos motoristas de carros por aplicativos, que não permitem a entrada do cão em seus veículos. “Quando a gente avisa que estamos acompanhados de cão-guia eles cancelam a viagem. Se eles param, nos olham e não querem levam cachorro”, relata. “Nós, cegos, temos a jornada de mostrar para as pessoas que a pessoa com deficiência não é um coitado, mas também não é um super-herói que consegue fazer de tudo”.
De acordo com Vinicius Nascimento, o transporte de cão-guia é obrigatório. “99% dos motoristas falam pra mim que nunca receberam uma orientação da plataforma sobrea obrigação de levar cão-guia”, disse. A empresa Uber não retornou o contato sobre a questão da obrigação do cão-guia.

Matheus Barros, de 25 anos, trabalha com a Uber há dois anos, além de ser cozinheiro em um supermercado da cidade. O motorista já realizou corridas com deficientes visuais e pessoas mudas, mas afirma existir uma dificuldade para o motorista aceitar a corrida nestes casos. “Eu prefiro não pegar porque existe a chance de soltar muito pelo, fazer xixi e ainda tem um custo para limpar. Mas têm motoristas que autorizam cachorros pequenos dentro do carro, agora grande eu nunca vi”, afirmou. O motorista disse que existem quem passa reto, mesmo com o passageiro tendo avisado que estaria com cachorro. “Normalmente o passageiro avisa que está com cachorro e é mais tranquilo, mas tem um pessoal que passa reto mesmo assim, e acho que é isso que causa um desconforto ao cego ao pedir essas corridas”, afirma.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Théo Miranda
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