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Clínica-Escola de Odontologia e projeto Sorriso do Amor atendem população carente e orientam sobre saúde bucal
Por: Anna Vieira, Gabriella Alves e Nicole Gonçalves

A saúde bucal dos brasileiros está longe do ideal. Uma pessoa a cada quatro, entre 45 e 59 anos, perderam pelo menos 13 dentes durante a vida, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada entre 2013 a 2019.
A dentista Solimar Splendore, diretora do curso de Odontologia da PUC-Campinas, diz que a situação atinge principalmente os moradores das classes mais baixas. “Eles são os mais afetados, acabam tendo mais doença bucal, mais dor, sofrendo mais”, afirma.
O curso da PUC-Campinas tem Clínica-Escola de Odontologia que atende gratuitamente cerca de 18 mil pessoas por ano, em procedimentos que variam desde os mais simples até aos mais invasivos e há uma fila de espera com mais de 500 pessoas. “É essencial trabalhar com essa geração que está chegando para que não precisem de prótese dentária em 20, 30 anos”, avalia Solimar.
O governo federal retomou, em maio, o projeto Brasil Sorridente que visa a prevenção, promoção e recuperação da saúde bucal da população brasileira. Com investimento de R$136 milhões, o programa visa atender 805 municípios com mais de 5,6 mil serviços. A viabilidade da proposta é questionada por profissionais da saúde que acompanham de perto o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
“Se funcionar na prática, será excelente. Tinha amigos que trabalhavam em postos de saúde e ficava um especialista numa região e um paciente era chamado a cada dois, três meses. Às vezes, o profissional vai trabalhar e falta anestésico, falta luva”, descreve a professora.

O projeto social Sorriso de Amor, da Hamburgada do Bem, envolve dentistas que atendem crianças e pessoas em situação de rua em todo o país a fim de promover a conscientização sobre os cuidados básicos. Os pacientes recebem kits com escova e creme dental. Apesar dessa iniciativa, a falta de acesso aos itens de higiene básica ainda é um grande problema para as famílias brasileiras. “Tem criança que passa com a gente, leva a escova e pergunta: posso levar mais para o meu irmão? Porque lá em casa a gente só tem uma para cinco pessoas”, conta Júlio Sasaki, que atua voluntariamente no projeto.
Júlio Sasaki é dentista especialista em próteses dentárias e implantes e participa do Sorriso do Amor. Ao referir-se à legislação governamental, afirma que nem sempre a lei é efetiva. “A questão não é só você sancionar, a lei. Precisa ter um dentista no SUS todos os dias.”, disse. Sasaki conta que já chegou a realizar 11 próteses em apenas três horas e meia de projeto. “Se o paciente está com um dente na frente faltando, colocamos uma prótese daquele dente para ele ir embora sorrindo de novo”.

Solimar Splendore explica que não ter acesso ao atendimento odontológico significa passar por dores físicas e emocionais. “As pessoas não conseguem comer, falar e sorrir. Isso impede de ter uma vida social comum, fica constrangido e isolado da sociedade”, descreve.
Segundo ela, a existência de clínicas como o da PUC-Campinas e de projetos como o Sorriso de Amor têm sido fundamentais para o resgate de milhares de sorrisos. Depois da prótese, a qualidade de vida dos pacientes só aumenta.
“Temos pacientes que assim que fazem a prótese, em cerca de uma semana, conseguem arrumar um emprego. Eles assumem uma postura mais confiante”, relata a professora.
Pelo alto índice de perda dentária no Brasil, a colocação de próteses e implantes é um dos serviços mais procurados. Uma prótese pode custar entre R$ 800,00 a R$ 2.000,00. Um implante pode chegar a R$ 3.000,00, segundo Aline Mayer, dentista especializada em estética e ortodontia.
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Marina Fávaro
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