Destaque
O britânico David Buckinghan e ex-deputada Manuela d’Ávila propõem um olhar crítico sobre o tema
Por: Valdeiza Roseno
Autor do livro “Manifesto Pela Educação Midiática”, o professor e pesquisador David Buckinghan, e a jornalista Manuela d’Ávila, ex-deputada federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), participaram de debate online que discutiu a importância de educar crianças e jovens para o uso adequado da internet e das redes sociais digitais.

Com a presença da editora Cristiane Lameirinha e tradução simultânea das intervenções de Buckinghan a partir de Londres, o evento focou o combate ao discurso de ódio e à desinformação, fenômenos que encontram na internet um território fértil para se multiplicar.
Lançado na Inglaterra em 2019, traduzido e publicado no Brasil em 2022 pela editora do Sesc – a instituição promotora do debate –, o livro propõe a adoção de políticas públicas para a educação pedagógica midiática, fazendo associações entre o sistema capitalista e a democracia digital. Aborda também questões como desinformação e notícias falsas, resistência na regulação da mídia e impactos causados pelo controle das grandes empresas de telecomunicações.
Buckinghan contou que o motivo de ter escrito o livro foi sua irritação com o ensino no Reino Unido, que pouco se preocupa em criar discernimento no tratamento da mídia. “A não ser que você tenha uma certa educação midiática, ou seja, algo sistemático, abrangente como programas educativos envolvendo a mídias nas escolas, o letramento midiático não vai acontecer”, advertiu.
Para o autor, um dos problemas em relação à educação midiática está no fato de muitos acharem que o estudo da mídia resolveria todos os problemas sociais. “Fake news, terrorismo, todo o tipo de problema psicológico, narcisismo, tudo que está de errado no mundo parece que é culpa da mídia. E aí temos essa ideia de que a educação midiática vai resolver todos esses problemas”, afirmou.
“Estamos vivendo mudanças fundamentais na política, na economia, e muitos problemas que estão surgindo, a educação midiática simplesmente não vai resolver”, comentou.

Manuela d’Ávila argumentou que, no Brasil, existe monopólio das grandes empresas midiáticas, que influenciam como seu conteúdo é distribuído para a população. “O poder dessas empresas aqui é maior do que em qualquer país europeu, pelo simples fato de que as pessoas não têm sequer como checar uma informação”, disse.
A ex-deputada também defendeu a importância de movimentos sociais, como os de defesa dos Direitos Humanos, atuarem em conjunto com a educação midiática para o enfrentamento da intolerância e do racismo. “O ódio é lucrativo para as plataformas”, afirmou Manuela, para quem “nós precisamos falar sobre ódio e sobre Direitos Humanos e regulamentar as plataformas”.
Aqui, acesso à íntegra do debate sobre educação midiática
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Melyssa Kell
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