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Protesto impede evento israelense na Unicamp

Federação Árabe Palestina (Fepal), DCE e outras organizações estudantis condenam “apartheid” promovido pelo governo local

Por: Vitória Régia Barros Silva

Uma feira que reuniria universidades israelenses foi suspensa nesta segunda-feira (3), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e o Diretório Central dos Estudantes da Unicamp foram algumas das entidades que exigiram o cancelamento do evento através de uma manifestação que saiu do Ciclo Básico II na universidade por volta das 11h30 da manhã. Ao chegar no local onde seria realizada a feira, na sede da Comvest, os manifestantes impediram a realização do evento com faixas e gritos de protesto.

Manifestantes levantam cartazes na concentração do ato na Unicamp (Foto: Vitória Régia Barros Silva)

Além da Fepal e DCE, outros coletivos estudantis estiveram presentes na manifestação, como o Anura (grupo político de pessoas asiáticas da Unicamp) e o movimento Correnteza, um grupo estudantil. Segundo Lívia Moreschi Murozaki, 20, representante dessas comunidades e estudante de História, o apoio aos protestos contra a feira se dá pelo desejo de que a Unicamp se declare “espaço livre de apartheid”.

“Nós não somos contra a colaboração entre países afim da promoção do conhecimento, mas o que acontece é que as universidades israelenses estão a serviço do regime de opressão contra os palestinos e desenvolvem tecnologias militares”, disse Lívia.

A Fepal já tinha se manifestado contra a exposição israelense no dia 23 de março, ao divulgar uma carta aberta pedindo o cancelamento do evento. Segundo argumentaram, as universidades em questão contribuíram, através da produção de conhecimento científico e tecnológico, para instaurar um regime de apartheid e opressão do povo palestino. Apesar dos pedidos, a Unicamp decidiu manter o evento.

Segundo Ashjan Sadique Adi, secretária de mulheres da Fepal e doutoranda em Psicologia pela USP, a feira israelense não cabe dentro da Unicamp. Apesar de ser possível uma Instituição abrigar diversas formas de perspectivas político-ideológicas – argumenta –, a questão do conflito histórico Palestina X Israel é tratada de forma arredia por essas mesmas instituições organizadoras do evento.

“Ao pedir o cancelamento da feira, a Fepal, os palestinos e apoiadores não estariam restringindo a circulação de perspectivas críticas contra o apartheid dentro dessas mesmas universidades, uma vez que a discussão do colonialismo que oprime a Palestina há 75 anos não faz parte das pautas acadêmicas. Quando se tenta apresentá-la, ela e seus precursores são abolidos”, afirma Ashjan, para reiterar que “Você não acha difícil criticar o nazismo fazendo parte dele? A mesma lógica serve para o sionismo”.  

Para manifestantes, universidades israelenses cooperam com regime de opressão governamental (Foto: Vitória Régia Barros Silva)

Em nota, a Reitoria da Unicamp informou que “a atuação da Universidade Estadual de Campinas sempre se pautou pelo pluralismo de ideias e pela defesa intransigente da democracia. A partir destas premissas, abrigou, ao longo de sua existência, eventos promovidos por representantes de diferentes orientações políticas, ideológicas e/ou religiosas. No que se refere às relações internacionais, a Universidade detém tanto convênios e parcerias com Estados, Organismos e Universidades, quanto mantém programas de acolhimento de refugiados e grupos vulneráveis, além de políticas de estímulo à promoção de Direitos Humanos. Por fim, colocamo-nos abertos a novas colaborações e intercâmbios”.

O portal Digitais teve acesso a um ofício enviado pela Reitoria da Unicamp para a Fepal, onde reitera “a abertura da Unicamp para o desenvolvimento de diferentes formas de colaboração com universidades e centros de pesquisas palestino, do mesmo modo que já estabelecemos convênios e intercâmbios com outras instituições acadêmicas de origem árabe”.

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Melyssa Kell


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