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Redes sociais também afetam dinâmicas do cotidiano

É o que aponta Fernanda Guimarães, que vê ficção e realidade na série Black Mirror

Por: Vinícius Dias

Maria Fernanda Guimarães: “Sou fã da série, e achei que ela tinha uma relação muito intrínseca com o nosso cotidiano” (Imagem: YouTube)

Os conceitos de gamificação e vigilância, vistos e exibidos na série Black Mirror (2011-2019), são dois dos principais motivos que transformam as dinâmicas sociais em modelos de recompensa. É o que afirma a mestra em Linguagem, Mídia e Arte pela PUC-Campinas, Maria Fernanda Guimarães, em análise textual discursiva. Seu trabalho, “Ficção e Realidade na série Black Mirror: um estudo sobre a gamificação e a vigilância em alguns episódios da série”, orientado pela professora Eliane Righi de Andrade explora o contexto de cada episódio aplicado à tecnologia, abordando as consequências que trazem à tona o capitalismo de vigilância.

“Essa dissertação começou por conta de eu assistir a série (Black Mirror). Sou fã da série, e achei que ela tinha uma relação muito intrínseca com o nosso cotidiano. Eu assisti à série e, no dia seguinte, eu peguei um carro por aplicativo, e o motorista pediu para avaliá-lo. Isso foi visto no primeiro episódio que eu assisti. Então o projeto começou assim. A questão da vida cotidiana atingida pela tecnologia”, explica Maria Fernanda.

A dissertação da pesquisadora revela que existe uma relação de homem-ciborgue, quando os desejos e comportamentos do ser humano são permeados pela máquina, já que existe o controle de dados e também mercado para compra deles, além da relação entre engajamento e recompensa.

Os conceitos de vigilância e gamificação estão interligados, segundo a pesquisadora. Mas, para fazer sentido, é necessário que os modos de vigilância sejam vistos como modos de acessar os desejos do ser humano, já que a dinâmica que interpreta essa relação possibilitada pelas redes seria o consumo.

“A gamificação é utilizada como ferramenta de competição em outros espaços, chamados de espaços gamificados. Nenhum desses espaços é privado, eles são vigiados e acabam por abrir as intimidades”, afirma.

Maria Fernanda ainda explica que tudo antes é colocado na ficção para que o receptor se acostume com a ideia e não se assuste quando vivenciar no presencial. Ela cita o exemplo da compra e venda de dados, e usa o Google para falar que, mesmo sendo gratuito, as grandes companhias cobram seu preço. “Eu tenho uma pasta com os aplicativos que eu coloquei o nome de “espião”. Ele te dá tudo, mas ele te vigia, vai vender seus dados e ele sobrevive dessa forma. Tudo que ele pode te proporcionar gratuitamente tem seus dados como forma de pagamento”, finaliza Maria Fernanda.

Abaixo, a íntegra da entrevista em vídeo:

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: João Vitor Bueno


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