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Monte Mor investe na valorização da cultura indígena

Para a indígena Lu Ahamy, é preciso entender a cultura do outro para que haja respeito

Por Pamela Barbosa e Vinicius Braga

Indígena Lu Ahamy da etnia Guarani Mbya em sua residência durante entrevista (Foto: Emily França)

“Essa é uma oficina que vamos trabalhar com colares e pulseiras. Como nossos anciãos têm uma dificuldade maior no tato, na coordenação motora, eu quero fabricar algo que eles possam usar”. Foi dessa forma que a coordenadora do Coletivo Etno Cidades e Guerreira Indígena da etnia Guarani Mbya, Lu Ahamy, 46 anos, iniciou a oficina que aconteceu na Habitação Indígena OPY, localizada na Rua Benedito Geraldo Aferri, número 16, no centro de Monte Mor, conhecida também como Casa dos Saberes Ancestrais. O evento foi realizado na quarta-fera, dia 10 de novembro.

Ahamy teve forte participação na construção de uma Habitação Indígena OPY, nas áreas externas do Museu Municipal Elisabeth Aytay, em Monte Mor. A Casa dos Saberes Ancestrais já é sede de novos eventos e oficinas, no intuito de conscientizar e aproveitar espaço cultural para a realização.

Realização da oficina Jegua na Habitação Indígina OPY, com a participação dos idosos do CRAS (Foto: Lucas Alves)

A atividade foi uma realização do Departamento de Cultura e Turismo, através do Coordenador de Projetos Culturais, Marcelo Lírio, em Parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social. Participaram do evento 27 idosos do Serviço de Convivência do CRAS (Centros de Referência de Assistência Social). De acordo com Marcelo Lírio, essa segunda edição de evento gratuito busca resgatar fatos históricos e lendas que vivem no imaginário popular do povo campineiro.

Marcelo Lírio, durante entrevista, mostra a fachada da Habitação Indígena  (Foto: Pamela Barbosa)

“Foi muito interessante, porque a OPY é uma casa de saberes ancestrais, então estar com os anciãos e o próprio jeito que a Ahamy se relacionava e se dirigia aos idosos, chamando-os de anciãos, demonstra o quanto a nossa cultura dos Juruás, ou não indígenas, não valoriza o idoso ancestral. O pessoal ficou fascinado, de conhecer o museu antes e depois, ainda enquanto se fazia os adornos e os colares sempre rolando um bate-papo, foi muito legal”, diz.

Segundo a professora de Educação Infantil, Andrea Silva e Silva, 46, na parte interna no museu há uma sala voltada para a cultura indígena, porém com várias etnias, porque estão sem espaço e sem reservas técnicas para guardar. Ela reafirma a importância da valorização das culturas originárias, pois Monte Mor tem muita história ancestral, é um solo muito sagrado.

Professora Andrea Silva explicando os objetos indígenas que estão dentro do museu (Foto: Pamela Barbosa)

Devido à sua recente inauguração no dia 7 de agosto, a Habitação indígena não contou ainda com muitas oficinas e projetos, sendo as duas mais recentes a oficina de Peão de Cabaça que ocorreu no mesmo mês de inauguração, e agora a de adornos e adereços nesta semana passada. A Diretoria do Museu Elisabeth Aytai afirma que o objetivo é expandir e realizar mais oficinas culturais na Casa de Saberes Ancestrais, aproximando os moradores de Monte Mor da valorização cultural da cidade.

“Os projetos mais pontuais aqui são receber escolas e a participação de oficinas. As pessoas vêm aqui, aprendem a cultura e a fazer artefatos indígenas. É um leque de recursos e também fica aberta para visitação, para quem quiser apenas conhecer. Não é sempre que as oficinas acontecem, mas queremos que elas aconteçam em vários momentos”, conta.

Orientação: Prof. Gilberto Roldão

Edição: Gabriela Tiburcio


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