Projeto Cuide Delas nasceu em MG para atender distribuir absorventes, em reação ao veto de Bolsonaro
Por Marina Picon, Raissa Fernandes e Stella Miranda
Com o olhar atento às ações do presidente da República Jair Bolsonaro, as concunhadas Camila Ríspoli e Mayra Carvalho, moradoras de Juiz de Fora (MG) instituíram em agosto deste ano o projeto Cuide Delas. “Tivemos aquele timing, que foi o veto do Bolsonaro e que impulsionou e, qualquer coisa que as pessoas vissem sobre pobreza menstrual, elas paravam para ler”, disse Mayra, ao explicar que o kit contém produtos de higiene menstrual com 10 absorventes descartáveis.

A reação das concunhadas resultou após a decisão presidencial em vetar a proposta de lei, aprovada no Congresso Nacional, prevendo a distribuição de absorventes para estudantes carentes de ensino público fundamental e médio, mulheres carentes e presidiárias. A proposta da lei foi da deputada Marília Arraes (PT-PE) com o objetivo de combater a pobreza menstrual, problema de saúde pública que afeta cerca de uma em cada quatro mulheres no Brasil. O direito das mulheres ao acesso à higiene menstrual foi reconhecido pela ONU em 2014.
As doações de absorventes descartáveis acontecem em pontos de coleta na cidade mineira, como em farmácias, lojas e escolas da rede particular. As colaborações podem ser realizadas também em dinheiro, enviadas pelo pix do programa, sendo convertido todo valor em produtos. A distribuição dos kits com 10 unidades de absorventes acontece mensalmente e atende cerca de 170 mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica e conta com o apoio da instituição Sopa dos pobres, de Juiz de Fora. Camila relata o contentamento com o projeto ao explicar que tem uma boa sensação de estar fazendo a diferença. “Não é uma grande diferença, mas uma diferença muito grande para essas mulheres”.

Segundo Camila, o assunto é tratado com muita indiferença e há ausência de educação menstrual nas escolas já que o assunto é comentado muito brevemente, não ensinando como as meninas devem conviver e normalizar a menstruação. “O que mais assusta é que ao falar sobre menstruação, falam sussurrando sobre aqueles dias. A menstruação não é tratada com naturalidade em momento algum”, salienta.
O documentário Absorvendo o tabu, direção de Rayka Zehtabchi, disponível na Netflix, ganhador do Oscar em 2019, mostra como transpor barreiras, quebrar o tabu expondo o cenário da cultura indiana, e informações errôneas proliferadas causando desconhecimento e medo perante a temática, como Mayra também exemplifica. “É importante os meninos saberem disso, porque é impressionante como os homens não entendem de onde vem o sangue, por onde se menstrua. A gente sabe que mulheres têm dificuldade com isso, então, é importante que os homens também saibam,” afirma.
Orientação: Profª Rosemary Bars
Edição: Letícia Almeida

