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Isolamento social e excesso do mundo digital altera comportamento dos mais novos
Por: Caroline Mendes e Stefani Pereira
No segundo ano consecutivo de restrições em decorrência do COVID-19, crianças comemoram o Dia das Crianças com aproximação virtual. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2021 (PGB), o consumo de jogos no país aumentou em 75% em decorrência do isolamento quando comparado com dados do ano passado.
Com a retenção obrigatória, os eletrônicos se tornaram uma saída para suprir a ausência das relações presenciais, ainda segundo a PGB, jovens, menores de 18 anos, também passaram a compor 10% da população gamer do Brasil em 2021, passando a consumir mais aparelhos como smartphones e computadores.
Em contrapartida, apesar do público infantil apresentar um aumento no mercado dos games durante a pandemia, ocorreu outra mudança perceptível: 85,1% dos pais afirmaram que os seus filhos jogam e 83,7% declararam participar durante os jogos. Apesar da subjetividade que os jogos eletrônicos despertam em seu público gamer que ainda assim anseia estabelecer relações, os jogos de tabuleiro, também, demonstram particularidade na interação das rotinas familiares, representando aumento de 3,16% na compra de brinquedos e jogos-tradicionais em relação a 2020, no período pré-pandemia, que representava apenas 1% das vendas segundo um dado da EuromonitorInternational.

Entretanto, o excesso de consumo de eletrônicos somado ao isolamento social, trouxe consequências psicossomáticas para o público infantil, conforme explica a psicóloga clínica Gabriela Marsaioli: “A falta de interação social pode gerar tristeza, ansiedade, pois eles não entendem por que não podem ver os colegas”, declara.
Gabriela diz que o convívio apenas com os familiares dificulta o desenvolvimento social e o autoconhecimento dessas crianças. “O fato de ficar muito tempo dentro de casa apenas convivendo com adultos, eles não entendem essa interação e prejudica de certa forma a parte social e de autoconhecimento. ”, informa. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), realizada em junho deste ano, mostrou que uma a cada 4 crianças e adolescentes que foram entrevistadas apresentou sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia, apresentando sintomas ambivalentes tais como ansiedade para retomar as relações e ao mesmo tempo medo de contaminação.

Lara Vilas Boas, de oito anos, relata seu descontentamento durante os dias de isolamento devido a pandemia. ‘’Eu me sinto triste ao ficar todos os dias em casa e sem amigos’’, declara. A menina também informa que passou a jogar mais agora e que, neste ano, para o Dia das Crianças, pediu um novo vídeo game, pois afirma gostar mais de jogos eletrônicos hoje em dia do que antes.
Luiz Alberto Vilas Boas, gerente de TI, e pai de Lara, diz que a filha sempre foi temperamental, mas que depois da pandemia, ela precisou começar a fazer terapia. Segundo Vilas Boas, apesar de pedir por bonecas durante datas comemorativas, a criança opta pelos jogos de video games. “A grande parte das brincadeiras dela, hoje, são jogos eletrônicos”, afirma.
Já Matheus Guilherme Resende, de 10 anos, diz que ao longo do dia, estando em casa, se sente desinteressado pelas atividades do cotidiano. “Eu fico muito entediado e a única coisa que eu faço é jogar video game”, declara o estudante. No Dia das Crianças do ano passado, em 2020, Resende havia pedido uma bola, um tênis e uma arma de brinquedo, já neste ano, ele pediu um console de videogame.

Daniela Resende, do lar, mãe de Matheus Guilherme, informa que antes o filho era mais animado e tinha mais disposição para brincar e que, hoje, ele prefere ficar dentro de casa. “Ele é mais irritado, não tem interesse em fazer lição – até mesmo a matéria que ele gosta -, não chama mais a atenção dele. Antes ele gostava de brincar muito de bola, mas agora pede o celular, gosta mais de eletrônico”, afirma.
A geração das crianças nascidas a partir de 2010, como Lara e Matheus Guilherme, apresentam uma predisposição ao mundo digital e tecnológico. Com a facilidade que artigos eletrônicos possibilitam, essas crianças não se interessam facilmente por outros jogos ou brincadeiras. Gabriela explica que em suas sessões de terapia tenta, sempre, estimular os seus pacientes infantis a realizar brincadeiras lúdicas. “Eu busco realizar jogos de tabuleiro, carta, desenho e nunca essa parte digital com as crianças. Entretanto, o que eles mais gostam é de joguinhos de celular e video game”, relata a psicóloga.
Orientação: Prof. Gilberto Roldão
Edição: Alanis Mancini
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