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Escritores elogiam “mestiçagem” da língua portuguesa

No dia do idioma, Pedrosa, Angualusa (foto) e Mia Couto falam em “construção conjunta”                                                                                                                               

O mediador Roberto Pinho e Mia Couto (no alto); Inês Pedrosa e José Eduardo Angualusa (abaixo): debate no Dia Mundial da Língua Portuguesa (Imagem: Youtube)

Por: Lívia Amaro

“Que o idioma português não se envergonhe de sua língua, nem se deixe colonizar pelo latim contemporâneo, que é o inglês”, propôs ontem (5), em debate no Dia Mundial da Língua Portuguesa, a jornalista e escritora Inês Pedrosa. Ela, que é portuguesa, participou, ao lado do escritor angolano José Eduardo Angualusa e do moçambicano Mia Couto, de debate promovido pelo Museu da Língua Portuguesa, quando reconheceu que as influências assimiladas pelo idioma contribuem para fortalecer a identidade entre os habitantes de países lusófonos.

Segundo projeções apresentadas pelo mediador do debate, o antropólogo Roberto Pinho, em 2050 os países africanos onde o Português é língua oficial deverão superar o Brasil na condição de maior comunidade onde impera a língua portuguesa. Pinho chamou a atenção para a importância estratégica do fenômeno, assinalando que “a língua é inseparável do processo de criação do pensamento”.

“Em todo lado onde se fixa a língua portuguesa, ela se reinventa e encontra novas formulações”, avaliou a escritora Inês Pedrosa ao apontar para as diferenças que vê entre o Português falado no Brasil e em Portugal, onde a língua sofreria de “um pudor excessivo”. De acordo com ela, o Português falado no Brasil goza de maior “liberdade, fluidez e transparência”, uma vez que se mostra mais “carnal, violenta e direta” que o praticado no velho continente.

“Não há culturas puras no mundo, todos somos impuros”, prosseguiu Inês ao avaliar positivamente a permeabilidade da língua portuguesa às influências das culturas onde se instalou no período colonial.

Angualusa: “Os angolanos exportam para o Português palavras, frases e pensamentos de línguas africanas” (Imagem: YouTube)

Em sua participação, Agualusa lembrou que, em Angola, a língua portuguesa, até à independência do país, era falada como língua materna por apenas 6% da população e agora, segundo o jornalista e escritor, o idioma é falado por mais da metade da população enquanto língua materna. O angolano reafirmou a característica de mestiçagem da língua, sendo ela uma construção conjunta de todos os seus falantes.

“Os angolanos exportam para o Português palavras, frases e pensamentos de línguas africanas”, observou Angualusa, apontando que a língua falada em Portugal coleciona inúmeras palavras originárias de seu continente, sendo o Português brasileiro muito mais próximos da língua falada em Angola do que propriamente da praticada no continente europeu.

Autor de diversas obras editadas no Brasil, o moçambicano Mia Couto ressaltou ser importante continuar promovendo a coexistência da mestiçagem linguística entre as diferentes nações falantes da língua portuguesa. Para o escritor, “uma língua não é simplesmente um meio de comunicação, mas também representa um modo de pensar, de sentir e de inventar um mundo”.

Ao apontar que a língua é uma entidade viva, Mia Couto reafirmou que a instituição linguística é fundamentalmente uma construção dos povos. Bem por isso, referindo-se ao Museu da Língua Portuguesa – com reabertura prevista para 17 de julho, após reforma depois de incêndio ocorrido em 2015 – o escritor moçambicano ponderou sobre o papel que estes espaços desempenham junto ao meio social. “Vamos ao museu para nos visitarmos a nós mesmos”, disse.

Aqui, acesso à integra do debate promovido pelo Museu da Língua Portuguesa.

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Oscar Nucci 


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