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Livros digitais trazem discussão sobre futuro da produção e do consumo literário

Professor Carlos Henrique Carneiro: “A Internet poderia ser um redutor de diferenças sociais” (Foto: Arquivo pessoal)
Por Larissa Biondi e Mariana de Castro
“Em 2019 foram mais de R$100 milhões consumidos em compras de livros digitais e não digitais”. É com esta frase que Carlos Henrique Carneiro, professor de literatura formado em letras pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), inicia sua fala sobre as mudanças dentro do cenário de consumo literário no Brasil. Mesmo com o fechamento das livrarias físicas, dados mostram que, devido à pandemia da COVID-19, em 2020, o mercado literário digital apresentou um crescimento de 44% em comparação ao ano anterior, de acordo com pesquisa realizada pela Neotrust/Compre&Confie.
Os dados das pesquisas indicam tendências opostas dentro do consumo entre cópias físicas e digitais, com prevalência do consumo digital. Dentre os motivos para estas mudanças de hábitos, estão principalmente a praticidade, a adaptabilidade, a acessibilidade e o custo-benefício que os meios eletrônicos oferecem. É o que diz Luana Togashi, 19, estudante e designer. “Eu sempre gostei muito da mídia física. Sempre foi uma preferência minha, mas a mídia digital é compacta, eu posso levar pra qualquer lugar. Também acho que a leitura flui mais rápido. Como consumidora eu sempre opto pela mídia digital. Nela eu faço como eu quiser”.

Gabriela Rocamora de Luana Togashi, com o Kindle, “eu posso levar para qualquer lugar” (Foto: Larissa Biondi)
Gabriela Rocamora, 23, é designer e também uma consumidora de livros digitais e concorda com Luana. “Com os e-books eu posso carregar vários livros na mesma mochila, sem sentir o peso deles. Está tudo no seu celular ou no Kindle. Existem várias funções que economizam meu tempo, coisa que no livro físico eu não teria, como tradução instantânea ou dicionário”. Gabriela aponta ainda a questão ambiental como mais um diferencial. “Economiza papel, é bom para o meio ambiente”.
Mesmo oferecendo muitos benefícios no que se refere ao consumo em si, os leitores digitais são alvos de algumas controvérsias, como o receio de uma eventual extinção de livros físicos. Porém, para especialistas, o caminho aponta mais para uma integração de mídias do que para a exclusão, visto que existe mercado para ambas as opções, como afirma Cristiano Penha, economista. “Os livros em papel não vão deixar de existir. Por mais que haja um crescimento do mercado tecnológico, o físico não vai desaparecer. Existe, também, um mercado para ele”, acredita.

Cristiano Penha, economista, não acredita na extinção dos livros físicos: “existe mercado para eles” (Foto: Arquivo Pessoal)
Na área da educação, a tecnologia também se faz presente, criando formas mais interativas de ensino e aprendizado. “A migração para o meio digital causou impacto bem positivo na minha vida como professor à medida que posso expor com rapidez os esquemas didáticos. Meu público é da escola particular. Pude conviver com os materiais digitais à disposição”, é o que diz o professor Carlos Carneiro.
Para Carneiro, essa formação de uma nova classe de jovens leitores precisa ser considerada também no aspecto social, visto que a acessibilidade pode se tornar um desafio, considerando a realidade do Brasil: “O país carece de uma melhor regulamentação sobre a questão do acesso no mundo digital, e isso é muito triste, segrega. Temos um público consumidor de Internet e também de literatura, que é consequentemente digital, e apesar de ser um número grande, poderia ser bem maior se houvesse preço mais acessível ou então uma melhor velocidade de acesso. A Internet poderia ser um diferencial social, mas ainda há o que fazer”, conclui.
Também há os que encontram nos meios digitais uma maneira mais rentável e ampla de disponibilizar seus trabalhos, como é o caso do engenheiro e escritor Anderson Valadares. “A divulgação de trabalhos por editoras tanto digitais quanto físicas não apresenta mudanças muito consideráveis. O que muda são os royalties que o escritor recebe no produto final. No e-book, você tem muito mais retorno financeiro, podendo chegar de 50% a 70%, mas as editoras trabalham com ambas as formas.” No final, a escolha entre os livros físicos ou digitais fica à critério dos leitores. “O importante é que a pessoa acompanhou sua história e, de alguma forma, leu”, conclui Anderson.
Orientação: Prof. Gilberto Roldão
Edição: Luiz Oliveira
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