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Em debate, pesquisadoras e instrumentistas apontam silenciamento de gênero e elogiam coletivos

A professora de música Flávia Prando; a historiadora Carô Murgel; a violonista Badi Assad; e a vocalista Nanny Soul, no debate on-line (Imagem: Youtube)
Por: Roberta Salles Mourão
Em debate online na tarde de sábado, 13, quatro mulheres que se dedicam a pesquisar, estudar e produzir música criticaram o que chamam de “clube do bolinha” no setor musical brasileiro. “Custou muito esforço, muita terapia”, descreveu a vocalista e produtora Nanny Soul, ex-integrante da banda Altas Horas, uma das participantes do evento que reuniu também a violonista premiada internacionalmente Badi Assad, a pesquisadora de história cultural Carô Murgel e a instrumentista Flávia Prando, doutora em música pela Escola de Comunicação e Artes da USP, a mediadora do encontro.
“Ela toca que nem homem” foi um dos comentários que Badi disse ter ouvido quando começou a estudar violão, aos 14 anos, em apresentações para amigos. Conforme disse, a expressão que ouviu na época ainda descreve com exatidão as diferenças de gênero presentes no meio musical.
No debate, transmitido pelo canal do Sesc no Youtube, a historiadora Carô Murgel, pesquisadora-colaboradora da Unicamp, relatou o esforço que foi obrigada a fazer para produzir a cartografia da presença feminina no universo musical brasileiro no século XX. “Toda vez que eu encontrava uma canção que indicava um autor ‘anônimo’ ou que tinha apenas as iniciais do nome, eu logo já imaginava: deve ser mulher”, disse para ilustrar o processo de silenciamento da produção feminina no universo musical.
De acordo com Nanny, o empoderamento feminino – palavra que disse gostar de usar – possibilita a sensação de pertencimento em um espaço que antes era considerado somente disponível para homens. O encorajamento deve começar desde a infância – completou Badi – propondo que os pais presenteiem suas filhas com baterias e guitarras no lugar das bonecas tradicionalmente usadas na distinção de gêneros.
Nanny e Badi ressaltaram que as desigualdades de tratamento de gênero ocorrem também âmbito técnico e executivo do meio artístico. “No tempo de produção, só conheci duas iluminadoras e duas técnicas. Tudo é dominado pelo homem. Vira aquele ‘clube do bolinha’ e nunca somos chamadas a participar”, apontou Nanny. A oportunidade de evidenciar o silenciamento em live é uma das estratégias para romper essa barreira e possibilitar o encorajamento para as mulheres seguirem na profissão, observou Flávia, pesquisadora do Sesc, onde ministra cursos na área de música.
“Nestes oito anos de existência do festival Tapajazz, no Pará, serei a primeira artista feminina a participar do evento”, apontou Badi ao afirmar que tem certeza que abrirá ali uma porta para outras mulheres.
De acordo com as debatedoras, os coletivos femininos, que se tornaram frequentes nos últimos anos, são um dos caminhos para romper a predominância masculina no setor, pois facilitam a busca por profissionais que não se encontram nas panelinhas do meio musical. Segundo elas, é preciso também haver mais solidariedade no setor, bem como uma mudança cultural que afugente os estereótipos.
As debatedoras admitiram que os artistas masculinos desempenham um importante papel na criação de novos espaços para as instrumentistas em eventos, se deixarem de fazer indicações exclusivas das panelinhas. “Temos que sair da nossa bolha de tocar com as mesmas pessoas e chamar outras”, propôs Nanny.
Ao final do encontro, Nanny conclamou as mulheres a se unirem, a se olharem mais e a se amarem. “E aos nossos homens também”, completou sorrindo a violonista Badi.
Aqui, acesso ao debate “Mulheres na música: entre sons e silenciamentos”, no Youtube.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Letícia Franco
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