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Mais de 35% dos brasileiros hoje trabalham em empregos informais

Segundo dados do IBGE, atualmente existem mais de 38 milhões de brasileiros que trabalham sem qualquer tipo de registro formal no país

Por Bárbara Dário e Gabriel Rosa

Neste primeiro trimestre de 2026, em torno de 38,5 milhões de pessoas estão trabalhando informalmente no Brasil, o que representa 37,5% da população, de acordo com dados publicados pelo IBGE. Esta é a menor posição desde 2020, o que indica uma trajetória de queda dos trabalhos informais, apesar de o número ainda ser alto.

Segundo o designer gráfico e o estudante de publicidade João Vitor Caria, trabalhar informalmente acabou sendo uma opção ao perceber que entrar no mercado de trabalho como estagiário não lhe daria o dinheiro que ele precisava. “Além da questão financeira, é bom trabalhar assim porque consigo fazer o meu horário, existem dias que não estou disposto à tarde e consigo trabalhar durante a noite ou de madrugada, mas é ruim pois eu não tenho os benefícios da carteira assinada, como seguro-desemprego”, disse o designer.

Gráfico mostra a porcentagem de trabalhadores informais no Brasil (Fonte: IBGE)

O trabalho informal também pode ser associado à pejotização, que é a ação de contratar serviços por meio de uma pessoa jurídica (PJ) para substituir ou ocultar uma relação de trabalho que tem as características típicas de um emprego praticado por um CLT. De acordo com a advogada Ana Lígia Botelho, existem casos em que o trabalho informal não está legalmente correto, “É considerado fraude quando há prova de subordinação jurídica direta, que é controle ostensivo de jornada, punições disciplinares como advertências e suspensões, e existe uma relação de submissão do trabalhador ao poder de comando do empregador, como baixa remuneração”, explica. A fraude, completa, também ocorre na substituição direta, onde a empresa demite um celetista e o recontrata como PJ para as mesmas funções.

O economista Eli Borochovicius explica que as diferenças entre o trabalho formal e informal estão justamente nos benefícios e nas proteções previstas por lei para quem é registrado. Ele fala que “o trabalho formal garante ao trabalhador os benefícios trabalhistas e sociais, a exemplo das férias remuneradas, do 13º salário, do FGTS e do INSS, então o trabalho formal, além de oferecer benefícios, permite maior previsibilidade de caixa já que pelo menos uma parte da remuneração é fixa”.

A atual bancária Rejane Simão, disse que já trabalhou informalmente, mas que não se arrepende de ter mudado o seu formato de trabalho para CLT. “Antes eu não tinha horário para sair, a única coisa que era certeza era meu horário para começar. Eu trabalhava aos sábados e clientes me ligavam em qualquer horário. Com o meu trabalho atual, como CLT, tenho horário para entrar e sair e, se fico a mais, tenho banco de horas, além de receber 13° e ter férias de 30 dias”, disse Rejane.

Riscos para a economia e para o trabalhador

Segundo o observatório de economia da PUC-Campinas, que estuda e analisa estes dados diariamente, o maior impacto que pode ocorrer é no planejamento de políticas públicas, já que não são coletados impostos por causa da falta de apontamento das atividades desses trabalhadores. A respeito disso, a instituição explica que “O trabalho informal pode afetar a economia porque muitas atividades não são registradas oficialmente, o que reduz a arrecadação de impostos e dificulta o planejamento de políticas públicas”, publicou em nota a instituição.

João Vitor Caria trabalha informalmente como designer gráfico (Foto: Bárbara Dário)

Além dessa prática causar riscos para a economia pública do país, ela é perigosa para a economia do próprio trabalhador informal, de acordo com o economista Eli Borochovicius. “Se considerarmos que o trabalhador informal tem menor proteção social e mais instabilidade no consumo, é possível inferir que há mais risco de buscarem créditos mais caros, de endividamento e de inadimplência”, relatou o analista de dados.

A advogada Ana Lígia Botelho também destaca os riscos para esse tipo de trabalhador, enfatizando que não há vínculo entre ele e a empresa, o que pode gerar um problema. “O principal risco é a precarização em casos de fraude flagrante, onde o profissional perde direitos essenciais sem ter a autonomia real de um prestador de serviços”, destacou a advogada.

Orientação: Profa. Rose Bars

Edição: Gabriel Rosa

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