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Editora Pontes resiste e enfrenta o ecossistema digital

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ENTREVISTA – José Reinaldo Pontes defende as ferramentas tecnológicas na sobrevivência comercial e cultural do setor

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Por Luiza Pessopane e Letícia Borges

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Do antigo audiobook em fita cassete à atualização para os e-books, foi a partir do contato com diferentes formatos de leitura que o sócio fundador da Livraria e Editora Pontes passou a enxergar as ferramentas tecnológicas como aliadas do setor. Livreiro e editor, José Reinaldo Pontes, 78, considera o avanço dos e-books positivo por colaborar com a livraria, e diz acreditar que a sobrevivência do setor está condicionada a isso apesar dos palpites de que esses seriam os motivos para grandes livrarias terem fechado.

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Para o livreiro e editor, que viu a livraria se tornar referência nacional com a melhor seção de dicionários e o primeiro e maior setor de futebol no Brasil, em 1989 — começando com 10, 20 livros e chegando a atingir 3.500 títulos na época — resistir às mudanças não funciona. Mas se houver adaptação, o negócio flui.
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“No Brasil abre mais editora do que livraria. No Brasil tem mais de 3.000 editoras nesse momento, segundo dados da câmara Brasileira. As livrarias não chegam a mil. Olha que absurdo. Em resumo: editora é um bom negócio, livraria nem tanto. A livraria só é movida pela paixão, para quem gosta de livros. Acredito que muitas outras que funcionam hoje em São Paulo, Rio de Janeiro etc., do Brasil afora, são pessoas que gostam do livro, gostam de ler, tem essa essa paixão pelo livro”, comenta.

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Convicto de que a curadoria meticulosa de títulos sustenta a prosperidade da livraria, que dispõe de um acervo de 45.000 livros em paralelo à editora, que desde 1987 já publicou 2.000, ele reconhece, contudo, que a retomada do movimento presencial só se concretizou graças à cafeteria.

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Ele entende que a inovação do espaço acabou se mostrando decisiva para consolidar a preferência do público, pois no Brasil, diferente de outros países como a Finlândia — onde há um incentivo à leitura — não há muitos leitores. A posição também é defendida por Eva Pontes, irmã e administradora da livraria. “Se a gente for ficar preso no problema que é uma mudança de comportamento do consumidor; as vendas onlines, as oportunidades de compra e as transformações, por exemplo, o livro digital. Se a gente for ficar preso no problema, a gente não vai sair disso”.

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Nesta entrevista, em outubro de 2025, na Livraria Pontes, José Reinaldo e a irmã, Eva Pontes, discorrem sobre os desafios que enfrentaram e enfrentam para manter uma produção editorial num mundo digital. Enquanto José Reinaldo responde pela editora e pela gestão dos negócios, Eva gerencia a Livraria e o Café, que viraram ponto de encontro para os adeptos da literatura.

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Cada porta-retrato, assim como Eva Pontes, consolidam os degraus que ajudaram a erguer os cinco andares da Livraria Pontes (Foto: Letícia Borges)

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No mês de setembro um juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo decretou a falência da Livraria Cultura pela terceira vez. A senhora acredita que o fechamento de grandes empresas livreiras como a Cultura, pode passar uma imagem de que as livrarias estão perdendo espaço para o e-commerce?
Eva Pontes Sem dúvida nenhuma a questão da gestão da empresa livreira é fundamental e foi fundamental na quebradeira da Cultura e da Saraiva. Foi um problema, acredito eu, mais de 50% administrativo em ambas, do que de outra ordem. Em um momento em que o livro começou a declinar, eles fizeram investimentos enormes em grandes espaços, em shoppings caríssimos, e isso deu no que deu. Naquele momento, eles teriam que ter reduzido tudo, se adaptado. Não fizeram isso e infelizmente ambas faliram.

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Qual é a alternativa para evitar que o mercado livreiro vá para esse mesmo caminho?
Eva PontesEu tenho acompanhado as livrarias que abrem em São Paulo hoje. Eu não sei se vocês acompanham, mas muitas livrarias novas estão surgindo em São Paulo e Rio também. Mas não é mais aquele modelo daquelas livrarias enormes da Saraiva e da Cultura. São livrarias temáticas. Uma livraria especializada em mangás, em livros em quadrinhos, livros sobre Marxismo. Tem uma livraria agora que é uma livraria Marxista. Imagina uma livraria só com livros Marxistas? É quase impensado, mas existe. Então esse é o caminho.

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Há quem argumente que as livrarias físicas estão ficando ultrapassadas diante do novo formato de leitura. A senhora acredita nisso?
Eva PontesAs coisas uma vez criadas, elas não somem. Elas não desaparecem. Elas persistem. Dizer que o livro está ultrapassado em relação ao kindle, por exemplo, é dizer que o teatro é uma coisa fora de moda, em relação a outra coisa. Não é uma verdade. Cada coisa uma vez criada, tem o seu espaço e é mantida de algum modo. Mas ela sofre transformações.

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Como o senhor vê o papel da Pontes na vida cultural e acadêmica de Campinas?
José Reinaldo Pontes A questão dos lançamentos de livros aqui na livraria é uma tradição que vem desde a fundação. Desde que nós iniciamos o negócio aqui, a gente sempre fazia lançamentos. Agora, ultimamente, com o café, acelerou totalmente esse setor. E nós fazemos lançamentos com muito mais frequência e muito mais frequentados do que no início. Então é importantíssimo para a livraria manter não só lançamentos isolados, como clube de leitura — que a Eva deve ter dito a você que nós reunimos as pessoas para estudar uma obra literária qualquer e chegamos até a ir ao cúmulo. Não sei se ela falou também, de fazer um grupo de leitura de livro em francês. Ou seja, só poderia se inscrever quem soubesse a língua porque era tudo em francês. Nós fizemos. Foi sobre um livro do Maupassant. Foi um conto de Maupassant, e nós conseguimos reunir 12 pessoas para esse grupo de leitura. Isso nos anima. Nós já estamos pensando em fazer, acho que já está aberta a inscrição, para um em inglês também.

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José Pontes, sócio-fundador da Livraria Pontes, em segundo andar da cafeteria (Foto: Luiza Pessopane)

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Há um diferencial na livraria física como poder trocar indicações, por exemplo. O que a Pontes oferece hoje que o digital não consegue substituir?
José Reinaldo Pontes Justamente para cobrir essa lacuna, vamos dizer, que nós criamos esses grupos de leitura, justamente para ter essa interação entre as pessoas. Até me lembro agora que no tempo que existiam jornais, revistas, em que os jornais eram lidos, a Revista Veja chegou a ter uma tiragem de 1 milhão de exemplares. Imagina? Hoje não sei quanto é, mas deve ser 50 mil, 20 mil, se tanto. Nessa época, as pessoas viam as referências nos jornais e nas revistas, e vinham com o recorte do jornal ‘ah, eu quero esse livro’. Mas direto muita gente fazia isso. Hoje ninguém mais vem com essa indicação. Então, repito, os clubes de leitura, os grupos de leitura visam preencher um pouco essa lacuna que ficou dos leitores que usavam jornais e revistas para comprarem e escolherem as suas leituras. Não tem uma periodicidade. É quando dá. Alguém tem um estalo e aí ‘ah, vamos ler O Pequeno Príncipe’. Cria-se seu grupo e, para quem tá interessado, as meninas veiculam essa informação nas redes sociais e começam a aparecer os interessados.

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O que a senhora observa que as pessoas buscam na livraria além do livro?
Eva PontesHoje o que a pessoa quer? A pessoa quer sentar, a pessoa quer tomar um café, a pessoa quer comer. Muito está ligado, a maioria dos prazeres está ligado a alimentação. Então é você colocar, dentro de tudo isso, essa oportunidade. Então você atualiza o espaço de acordo com aquilo que as pessoas hoje estão buscando. Se você for capaz de sair do seu quadrado, ver o que eles estão procurando e adaptar o seu espaço, há uma possibilidade de sobrevivência, de continuidade. Se você não for capaz — como vejo muitas livrarias e muitos comércios — venda, passe para quem está a fim ou pare. Isso é uma consequência, assim como em toda profissão.”

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Em 2020 o país e o mundo pararam devido às medidas de quarentena motivadas pela pandemia de Covid-19. Como a livraria foi afetada e em que momento o senhor percebeu que a Pontes precisaria se transformar para não desaparecer?
Eva PontesTrabalhamos com a estante desde o início, mas no início foi engatinhando. Agora que tá lá em cima. A Estante Virtual vocês sabem, são mais de 3 mil e tantos sebos no brasil que fazem a Estante Virtual funcionar. Ou seja, praticamente todos os sebos do Brasil estão trabalhando com a Estante Virtual. A Estante Virtual é uma coisa fantástica, porque onde você estiver no Brasil você acessa, você compra o livro que você quiser, é sensacional. E sempre por preços ótimos. A Estante Virtual ajudou um pouco [na pandemia] mas não foi só isso. Nós fizemos algumas outras ações de vendas para lembrar as pessoas que a gente existia ainda e que elas podiam receber o livro em casa. Então, nós temos um cadastro de clientes e começamos a nos comunicar com os clientes das mais variadas formas possíveis — dizendo que eles não precisavam ter medo, pois a gente faria o livro chegar. Aí estabelecemos nesse momento um sistema de entrega rápida. Também ajudou bem.

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Como o senhor vê o papel da Pontes na vida cultural e acadêmica de Campinas?
José Reinaldo Pontes A editora começou com uma proposta de publicar livros na área de linguística e ciências da linguagem. Por que foi essa a minha escolha para iniciar a editora? Porque eu fiz letras na PUC e fiz linguística na Unicamp. Então eu tinha um relacionamento com muita gente lá na Unicamp, tanto é que até hoje a maioria dos nossos autores são ligados à Unicamp. Isso no início. Com o tempo, a gente foi abrindo o leque. Hoje nós publicamos: literatura ficção e não ficção, publicamos livros infantis, publicamos livros sobre futebol, publicamos sociologia, filosofia, antropologia, história, enfim, abrimos totalmente o leque na editora, hoje. Linguística foi só o início. Hoje nós publicamos tudo. Atiramos em tudo.

Entre os 2 mil livros publicados pela Editora Pontes desde 1987, está o “Rútilo nada” de Hilda Hilst, premiado na categoria de Contos pelo Prêmio Jabuti 1994 (Foto: Luiza Pessopane)

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A curadoria de livros disponíveis na livraria atualmente é baseada em quais fatores?
José Reinaldo Pontes Acho que vocês, quando entraram na loja, perceberam que há muitos livros de autoajuda. Dessa coisa que também entra no pacote da autoajuda, mas não é bem de autoajuda: livros sobre negócios. Esses livros desses autores famosos que estão aí: Carnal, Pondé e companhia. Cortella; há uma busca muito grande por esses livros. É o que mais vende hoje; E livros infantis. Livros infantis continuam vendendo muito. Muitas livrarias que abrem em São Paulo são dedicadas ao público infantil ou infantojuvenil. Essa é outra área que se vende muito. Aí algumas áreas caíram totalmente. Por exemplo: dicionários. Eu tinha aqui o melhor setor de dicionários do Brasil. Eu tinha todos os dicionários que se publicavam no Brasil. Não só no Brasil, mas em Portugal e em outros países. Nós tivemos que desativar essa sessão. Não vende dicionário mais. Dicionário: zero vendas. Outro caso: livros sobre informática. No início da informática eu comecei a comprar tudo que saía sobre. Aí, foram-se acumulando os livros aqui. Imagina uma quantidade dessas [acervo da livraria] só sobre livros de informática. Era o que eu tinha. E não vendia. Ninguém compra livros sobre informática. Na própria informática está a solução para os problemas de informática. Então aí eu vendi para uma universidade particular. Vendi tudo por R$1,00 cada um para eles encherem a biblioteca.

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A livraria também adaptou o seu formato de venda para o modo digital?
José Reinaldo Pontes A livraria não tem um site. A editora tem. Todos os livros da editora estão à venda no nosso site. A gente vende para o mundo todo. A editora, só para você ter uma ideia, com 2 mil livros publicados, agora que nós estamos entrando no e-book. Desses 41 livros publicados em outubro, cinco tem versão eletrônica, 36 não. É a primeira experiência que nós estamos fazendo, vamos ver como vai se comportar. Nós vendemos através da estante virtual. Na editora é pelo site. Aqui na livraria, através do Yuri, que é filho da Eva, a gente faz parte do esquema da estante virtual e vendemos muito. Por incrível que pareça nós vendemos mais pela estante virtual do que aqui presencialmente. Acontece de a gente receber pedido da Estante Virtual e pessoas aqui em Campinas, aqui no Centro, duas três quadras daqui. A gente poderia ir até lá e entregar, mas nós não fizemos isso. Nós colocamos nos Correios, respeitamos a vontade da pessoa. E veja, é uma pessoa que poderia ter dado alguns passos. Esses dias mesmo eu vendi um livro aqui na Ferreira Penteado. Dá 200, 300 metros. Ela preferiu comprar [online].

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Você diria então que a implementação do modelo de vendas online, além do presencial, foi o que alavancou a livraria?
José Reinaldo Pontes Eu, salvo prova do contrário, eu acredito que o movimento presencial que hoje nós temos na livraria foi puxado pela cafeteria. É determinante a entrada da cafeteria no processo. Nós não sobreviveríamos sem a cafeteria, tanto é que você vê, começou lá [aponta para o balcão da cafeteria]. Nós estávamos com a ideia da cafeteria na cabeça há muito tempo e quando finalmente abrimos, a inauguração aconteceu um mês antes da pandemia. No início era só lá, o café. Só naquele fundinho. Nem essas mesas aqui não tinham. Aí já esticou um pouco aqui, veio para cá. Eu já tô imaginando, amanhã ou depois, ter que levar o sebo mais para cima, e aí não seria mais uma cafeteria, seria um restaurante. Mas eu vejo essa hipótese. Imagina que aqui era tudo livro antigamente. Tudo aqui era livro. O que pode acontecer? Não ter mais livro? Não. Isso vamos evitar!

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Qual foi o momento mais difícil nesses 51 anos e o que motivou vocês a continuarem?
José Reinaldo Pontes Um momento complicado foi a Covid. Desde a inauguração aqui, em 1974, sempre houve uma regularidade do público acessar. Mas, quando começou a tal epidemia, ou pandemia, foi terrível. Foram dois, três anos que nós penamos para sobreviver porque a gente tinha que pagar os fornecedores e não dava. Ninguém vinha mais. Então, esse foi um momento horripilante da livraria. Agora momentos de euforia, vamos dizer, eu poderia citar os anos 80. Os anos 80 foram o auge, porque, eu não sei exatamente o motivo, mas os livros didáticos eram indicados em todas as escolas particulares ou do estado. No início do ano os professores davam aquela lista de livros: um de geografia, história, matemática, português, grafia, gramática, dicionário, e as pessoas vinham com uma lista e compravam tudo. Repito, estou falando dos anos 80. Portanto, põe aí 80 redondos até 89 – 90. É isso mesmo. As pessoas compravam cegamente. Às vezes até tinham dicionário em casa, mas compravam mais um. Então foi uma euforia em torno do livro. Eu acho que era um bom momento econômico e redundou, mas é isso. Isso é inesquecível porque a livraria abria às 8h na época. Hoje abre às 9h, e já tinha fila esperando [naquele tempo] não só aqui, em todas as livrarias. Naquela época tinha livraria aqui na Barão de Jaguara, tinha na General Osório. Na Barão de Jaguara tinham várias. Tinha na Costa Aguiar, tinha na Rua Primeiro de Março lá no Guanabara. Vários bairros tinham livrarias e formavam filas em todo lugar para comprar livros. Isso ia o dia todo e à noite a gente ficava até tarde aqui organizando, sabe? Trabalhando. E às 5h da manhã estávamos aqui para colocar tudo no lugar para atender essa grande demanda. O flagelo foi de 2000 a 2003, e a euforia total nos anos 80. Marcante na livraria. Tanto é, que com o resultado financeiro dos anos 80, é que nós construímos esse prédio. Foi com esse movimento dos anos 80, que nós compramos o imóvel. Naquele momento era alugado. Demolimos porque era uma casinha modesta e deu nisso aqui.

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O setor de futebol da livraria acabou se tornando uma referência nacional pela sua diversidade. Quando o senhor relembra esse início, como descreve o momento em que percebeu que esse acervo poderia se transformar no que é hoje?
José Reinaldo Pontes O futebol começou na livraria em 1989. Portanto, há 36 anos o setor de futebol foi criado. E deu muito certo, porque nenhuma livraria no Brasil tinha um setor de futebol naquela época. Hoje tem muitas que tem, mas naquela época ninguém tinha um setor de futebol, então nós somos pioneiros nisso. Isso deu um vulto muito grande. A livraria começou a ficar famosa por ser uma livraria que tinha um andar só para futebol. Esse setor era aqui no início [andar acima da cafeteria]. O chão era verde, imitando um gramado de futebol, e tudo aqui era futebol. Nós chegamos a ter 3.500 títulos sobre futebol. Ultimamente diminuiu. Hoje nós temos uns 2 mil títulos apenas. Mas assim mesmo é referência nacional na área do futebol. Vem gente do Brasil todo, até de fora do Brasil, para conhecer o setor de futebol. É impressionante. Nunca esperava que isso ia acontecer quando eu comecei a reunir os primeiros livros sobre futebol que eu buscava, na época, no Brasil todo. Eu viajava para outros estados para comprar livros sobre futebol para abastecer o setor.

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Como se deu a origem do seu interesse na busca e criação desse setor?
José Reinaldo Pontes Em 1989 saiu um livro sobre a Ponte Preta. Aliás, não é um livro, é uma coleção. São oito volumes que começaram em 89 e depois foram sendo publicados até o ano de 2004. E eu comecei a receber telefonemas, na época era assim. Eu comecei a receber telefonemas de várias partes do Brasil pedindo o livro da Ponte Preta. Eu não tinha lá na livraria nesse momento. Então, eu fui até a Ponte Preta, comprei alguns exemplares — porque vendiam o livro na loja do clube — e atendi essas pessoas. Aí me acendeu aquela fagulha assim: caramba. Se essa gente tá comprando, eles não são torcedores da Ponte Preta de outros estados; São historiadores, jornalistas, comentaristas, colecionadores. Eles vão comprar de outros clubes também. Então, o mesmo procedimento que eu fiz na Ponte, eu fiz no Guarani. O Mogiana. Na época tinha um livro sobre o Mogiana — um clube extinto em Campinas — e passei a ir nas cidades vizinhas: Jundiaí, Americana, Mogi Guaçu, Ribeirão Preto, São Paulo; e fui comprando. E acabei estendendo isso a outros estados. Então começou com 10 livros, 20 livros, até chegar aos números que eu disse: 2.000 hoje. Dois mil títulos. Então foi determinante o livro da história da Ponte Preta que é em oito volumes.

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Como o senhor avalia hoje a diferença entre manter uma livraria e administrar uma editora no cenário atual do mercado livreiro nacional?
José Reinaldo Pontes A editora surge em 1987, ou seja, a livraria é de 74. Já tem uns bons anos de existência. Já estava consolidada quando surgiu a editora. A editora surgiu devagarinho, publicando um livro por mês. Ultimamente, ela deu um grande salto. Só vou dar um exemplo para você: em outubro, nós publicamos 41 livros. Isso é extraordinário. Agora em novembro, já estão vários em andamento, alguns já saíram, vamos chegar a 38 livros em novembro. Para quem começou publicando um livro por mês, chegar nesse número é realmente fantástico. E digo mais, apesar do café e do sebo, a livraria não vai extraordinariamente bem. A editora, pelo contrário, vai extraordinariamente bem. Então é uma coisa que a gente não compreende.

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Cafeteria Pontes, inaugurada um mês antes da pandemia, hoje é considerada um dos principais motivos da sobrevivência da Livraria Pontes (Foto: Letícia Borges)

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RAIO X JOSÉ REINALDO PONTES, 78 anos
Desde 1974, a Livraria Pontes funciona no número 1.223 da Rua Doutor Quirino, embora sua origem seja anterior: ela nasceu em 1968, em Itatiba, cidade natal de seu fundador. José Reinaldo Pontes formou-se em Letras – Português e Francês – pela PUC-Campinas e estudou Linguística na Unicamp. Autodidata dedicado à literatura, às línguas e às humanidades, é sócio fundador da Livraria e Editora Pontes, ambas sediadas em Campinas (SP). Reconhecido por seu extenso repertório cultural e por mais de cinco décadas voltadas ao universo do livro, Pontes tornou-se uma figura marcante no cenário cultural campineiro. Sua trajetória simboliza a persistência do livro físico e o papel afetivo e social da livraria em meio à digitalização crescente.

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Orientação e edição: Marcel Cheida

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