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Fraudes mais comuns estão no acesso à sites falsos. Vítimas relatam perca de dinheiro de até R$5 mil
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Por Daniel Rosa e Laura Penariol
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Com a chegada das compras de fim de ano, consumidores precisam redobrar a atenção contra golpes digitais e roubo de dados pessoais na internet. Foram ouvidos pesquisadores de Campinas e de São Paulo para dizer quais fraudes são mais comuns, como evitá-las e como denunciar. Euclides Chuma, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Márcio Andrey Teixeira, professor titular do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), desenvolvem uma pesquisa conjunta sobre segurança digital. Eles explicaram que a maioria dos ataques bem-sucedidos ocorre após a exploração de falhas em sistemas, principalmente quando o usuário acessa páginas falsas ou fraudulentas.
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Segundo os pesquisadores, grande parte dos golpes está ligada à criação de senhas fracas em contas pessoais e redes sociais. A orientação é usar combinações mais complexas para aumentar a proteção. “Por exemplo, uma sequência de seis caracteres, só com números, pode ser quebrada em questão de segundos. Já uma senha de 12 caracteres alternando número, letras e símbolos pode ficar intacta por alguns anos, mesmo sendo alvo de investidas de força bruta para burlá-la”, disse Márcio Andrey Teixeira.
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Eles alertam que sites falsos costumam exigir senhas mais simples, o que facilita o acesso a dados pessoais. É comum que essas páginas ofereçam login por outras contas, como conta google e redes sociais. Esse recurso pode permitir que o criminoso invada outros serviços do usuário.
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Professor Euclides Chuma, pesquisador da área da segurança digital da Unicamp (Foto: Daniel Rosa)
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ENGANADOS
Mãe de três filhos, Joice Azevedo conta que já foi vítima de golpes virtuais. Ela relatou que, ao pagar por remédios de alto custo para Miguel, seu filho mais novo diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o valor enviado por pix não foi recebido pela farmácia. Joice possuía conta nessa drogaria e pagava mensalmente.
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Na data do golpe, ela transferiu R$ 1,8 mil para a chave pix cadastrada do estabelecimento, mas o valor não foi registrado pelo comércio. “Eu enviei para o número da farmácia, só que o número deles foi clonado ou coisa parecida. Hoje é CNPJ, mas aquele dinheiro não caiu”, falou. Ela explicou que conseguiu entrar em contato com o golpista, que tinha o mesmo nome do dono da farmácia, mas ele recusou devolver o valor. A ocorrência segue na Justiça há mais de dois anos.
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Alex Curtarelli foi vítima de um golpe envolvendo automóvel. Ele contou que recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como funcionária da Honda, em Ribeirão Preto, afirmando que ele havia sido contemplado em uma promoção. A proposta era que, após enviar R$ 5 mil, ele poderia sacar todo o valor do consórcio. A golpista confirmou seus dados pessoais — como data de nascimento, número do Registro Geral (RG) e informações bancárias — e ele realizou a transferência.
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Pouco depois, a criminosa voltou a entrar em contato e pediu mais R$ 8 mil. Nesse momento, Alex percebeu que havia caído em um golpe e procurou a polícia. “Quando fui registrar o boletim de ocorrência, não tive apoio nenhum da polícia. Eles poderiam ter pegado o número da mulher, rastreado e descoberto quem era, ou pelo menos de onde veio a ligação. A gente sabe que existe essa possibilidade dentro da polícia”, denuncia.
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CUIDADOS
Na área de defesa do consumidor, Roobia Massafera, coordenadora regional do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) em Campinas, orienta sobre como identificar sites falsos, evitar golpes e registrar denúncias. Sites falsos podem comprometer a segurança de dados e facilitar o vazamento de informações, como números de cartão de crédito e senhas. Ouça…
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Diante desse cenário, os especialistas em segurança digital Euclides Chuma e Márcio Andrey Teixeira fizeram cinco orientações consideradas essenciais para a proteção de dados na internet:
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1) Desuso da mesma senha em vários dispositivos – A recomendação é criar uma senha diferente para cada sistema. “Poucas pessoas conseguiriam lembrar com facilidade de cada uma dessas variações, ainda mais quando alternam letras, números e caracteres especiais. Por essa razão, optam por usar a mesma combinação em muitos dispositivos, o que aumenta o risco de serem hackeadas com maior facilidade e velocidade”, disse Márcio.
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2) Não usar a mesma senha para e-mail e redes sociais – Por mais complexa que a senha possa ser, se for descoberta, ela pode dar acesso a todos os serviços do usuário ao mesmo tempo.
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3) Autenticação em dois fatores
Esta é considerada a opção mais segura. “A preocupação é manter o vínculo dessa autenticação restrito a apenas um telefone celular, por exemplo. Perdê-lo por acidente ou ser furtado pode significar o impedimento de acesso a essas contas definitivamente”, completou Euclides.
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4) Perigos ao anotar senhas no celular, computador ou papel – O risco depende de onde os dados são guardados. Em caso arquivos digitais, uma invasão sofisticada pode colocar o usuário em risco. Já cadernos e agendas podem ser perdidos ou vistos por outras pessoas.
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5) Não manter todas as contas logadas no mesmo aparelho – É o caso de contas e redes sociais abertas no celular ou computador pessoal. Se o dispositivo for furtado, hackeado ou encaminhado para manutenção, todos os acessos estarão liberados ao invasor. Até que a vítima perceba, o prejuízo pode ser grande.
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Orientação e edição: Adauto Molck
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