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CCXP influencia cenário dos quadrinhos em Campinas

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Por Giovana Perianez e João Pedro Pocciotti 

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Paulo Kiewagen em uma das exposições dos seus trabalhos (Foto: Arquivo Pessoal)

Mangás e gibis da Turma da Mônica são constantes em rankings de quadrinhos mais vendidos dentro do mercado editorial nacional. Levantamento feito, no ano passado, pela BookInfo, empresa que analisa dados do mercado de livros, revelou que 71% das 100 histórias em quadrinhos (HQs) mais vendidas no país são mangás. A pesquisa mostrou também que a Turma da Mônica, por meio de seus personagens principais, figura em segundo lugar.

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Paulo Kiewagen, quadrinista e professor universitário na área de design, explica o porquê desse domínio recorrente dos personagens de Mauricio de Sousa no país. “Turma da Mônica está em um patamar diferente dentro das histórias em quadrinhos. Muitos alunos dizem que a última coisa que leram na infância foram gibis da Mônica. É esse letramento infantil das HQs do Mauricio de Sousa que parece algo permanente, de geração em geração”, afirma o ilustrador. 

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Ricardo Antônio Almeida também participa desse movimento e é apaixonado pela arte dos quadrinhos. Atualmente, cursa Artes Visuais e faz aulas de desenho desde os 10 anos de idade. Assim como mostram os dados da pesquisa, ele se encantou pelo universo de quadrinhos começando com ‘Turma da Mônica’. 

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“Desde pequeno, sem saber ler eu já ficava vendo os gibis da turma da Mônica. Foi aí que eu tomei gosto e virei fã, gosto de como as histórias são contadas com uma mistura de imagem e texto ou só imagem em alguns casos”, conta Almeida. 

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Ainda em consonância com as pesquisas, o gênero que o universitário mais consome de HQs é o Mangá. Ele explica que acaba sendo o que mais chama sua atenção, pois é mais fácil de achar para ler em sites confiáveis e tem histórias mais interessantes e desenvolvidas. 

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COMIC CON EXPERIENCE – CCXP 

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A Comic Con Experience é um dos principais eventos brasileiros dedicados ao universo do entretenimento e dos quadrinhos, em suas diversas vertentes. A convenção reúne conteúdos e atrações que vão de HQs à séries de TV, cinema, games, literatura e produções da internet. A edição deste ano acontece do dia 4 a 7 de dezembro no SP EXPO, na cidade de São Paulo. 

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Ricardo Almeida com o personagem ‘Yoda’ na loja do Omelete [empresa de entretenimento que cobre a cultura pop e geek] na edição da Comic Con Experience 2019 (Foto: Arquivo Pessoal)

Ricardo Almeida irá pela terceira na CCXP. “Nas outras vezes em que fui tinha de tudo, até quadrinista de editora grande como a Marvel e a DC. Também me interessei muito pelos quadrinhos independentes como “Tinta Fresca” e “Ângulo de Vista”. Eles têm ideias que normalmente ficam de fora dos mainstream [mídia tradicional] e se permitem experimentar mais. Além de que é sempre bom influenciar o mercado nacional”, comenta.

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Kielwagen também estará presente no evento, mas como artista. Ele está no line-up do evento, onde terá uma mesa para expôr suas HQs autorais. Em 2009, o quadrinista criou as tirinhas “Blue e os Gatos”, sendo o personagem principal inspirado em seu gato, Blue. Já são diversas histórias e produtos criados, dentre eles botons, almofadas, anéis, canecas e muito mais. Paulo obtém financiamento pela plataforma Catarse desde 2014 e já foram sete histórias financiadas por lá. O ilustrador comenta a importância da CCXP para os artistas independentes.

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“As mesas dos artistas são o coração da CCXP. Ocupamos um espaço que poderia ser usado por um estande de uma grande produtora, o que daria muito mais lucro ao evento, mas diminuiria a diversidade e a visibilidade dos artistas nacionais. Eu participo de diversos eventos, mas é necessário arcar com os custos de mesa, transporte, estadia e alimentação. Chegar ao leitor não é fácil e estar nos eventos simplifica esse processo”, ressalta o quadrinista.

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PARA ALÉM DOS CLÁSSICOS

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Acervo de quadrinhos do Lorenzo que tem uma coleção desde 2013 (Foto: Arquivo Pessoal)

Lorenzo Enrico Fattobene, editor de vídeo, tem uma grande coleção de quadrinhos e acompanha esse universo constantemente. Ele considera como o mais marcante da sua coleção o quadrinho “Mauss”, de Art Spiegelman, que retrata o próprio Spiegelman entrevistando seu pai acerca das experiências deste enquanto um judeu polonês e sobrevivente do Holocausto.

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“É uma história muito legal, tanto que é o primeiro quadrinho que ganhou o prêmio Pulitzer. Para mim eles [quadrinhos] são importantes porque  trazem essa questão mais política. Os quadrinhos muitas vezes levam a gente para viajar a lugares onde nunca imaginamos estar”, diz Fattobene.

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Lorenzo também já esteve na CCXP quatro vezes e vai na edição deste ano. “Para quem é fã de quadrinhos, a CCXP é uma ótima oportunidade para conhecer mais o trabalho dos artistas, falo até mesmo de artistas de fora, além, é claro, de conhecer os brasileiros”, explica o editor.

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CENÁRIO EM CAMPINAS

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Lorenzo comenta que está vendo o crescimento do público de HQs em Campinas. Ele acredita que isso se deve a uma questão principal, as lojas de quadrinhos na cidade. Ele destaca que os amantes de quadrinhos sempre trocam informações por um grupo de WhatsApp de uma das lojas, que é formado por mais de 300 pessoas.

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“A loja é um grande ponto de encontro dos fãs de quadrinhos. As pessoas vêm aqui, se conectam, encontram interesses semelhantes e até recomendam obras uns para os outros. Muitos amigos escrevem HQs, eu mesmo tenho uma chamada ‘Máscaras do Poder’. O mercado nacional está bem forte, porque, hoje, com a internet, o artista não precisa mais necessariamente das editoras, ele consegue se autopublicar”, comemora Márcio do Carmo Jr., proprietário de uma das lojas que é referência na cidade.

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Quando um grande vendedor local anunciou que pararia, Márcio assumiu o posto no bairro, inaugurando sua loja” (foto: João Pedro Pocciotti)

O comerciante também afirma que o momento atual das grandes editoras é uma ótima oportunidade para atrair novos leitores e potenciais fãs de quadrinhos, mantendo viva essa arte. 

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“As produções audiovisuais ajudam muito, é notável o aumento de vendas de HQs específicas quando filmes, séries ou animes estão em alta. Além disso, a Panini está reiniciando as histórias dela, com a Marvel e DC. Estão sendo publicadas primeiras edições de histórias totalmente inéditas de personagens como Homem-Aranha, Batman e vários outros. Por serem inéditas, não é preciso ter conhecimento prévio de histórias passadas, abrindo o caminho para novos leitores”, conclui o empresário.

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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana



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