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Caminhada teve palavras de ordem, cantos e manifestações culturais em defesa da memória e da luta do povo negro
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Marcha Zumbi dos Palmares 2025, foi da Estação Cultura até o Largo do Rosário em Campinas
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Por Isabela Silva e Noemi Freitas
Imagens: Isabela Silva
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A manhã do feriado do dia 20 de novembro, levou pessoas às ruas de Campinas para a 25ª edição da Marcha Zumbi dos Palmares, que percorreu o Centro da cidade ao som de tambores, cantos e palavras de ordem contra o racismo. A concentração começou na Estação Cultura e a caminhada seguiu até o Largo do Rosário, com uma duração de quatro horas.
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Uma das lideranças do ato era Bianca Lúcia, gestora cultural da Casa de Cultura Fazenda Roseira e bisneta de Dito Ribeiro, referência histórica da comunidade João Vitor Ribeiro. Ela puxava músicas e orientava o andamento da caminhada. “Eu venho há 27 anos ajudando a conduzir a marcha, cantando as músicas de força contra o genocídio, o preconceito e o racismo. Meu papel é garantir que a marcha siga andando, sem correr e sem parar, com harmonia”, explicou.
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Bianca lembrou que a marcha é resultado de uma organização contínua ao longo do ano. O processo envolve coletivos culturais, grupos de manifestações populares, partidos políticos e movimentos sociais. “A gente passa o ano inteiro se comunicando, articulando. Desde outubro marcamos reuniões, ensaiamos e alinhamos com as lideranças de cada coletivo, para que tudo flua da melhor forma possível”.
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O público reuniu famílias, crianças, estudantes e uma ampla rede de coletivos que atuam na cidade e tocavam instrumentos, entoavam cantos de resistência e dançavam ao longo do trajeto, usando a expressão cultural como forma de afirmação da identidade negra.
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Bianca Lúcia, bisneta de Dito Ribeiro // O articulador histórico TC Silva // Cida, do NCN Unicamp
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Presente no ato, TC Silva, 73 anos, articulador histórico do movimento negro em Campinas, acompanhou a marcha orientando os participantes nos toques dos tambores. “Os tambores são parte da nossa ancestralidade. Há cinquenta anos lutamos para reconstruir nossa identidade e não seguir uma visão colonizadora que ainda atravessa o Brasil”, afirmou. Para ele, o 20 de novembro é um ato de memória e afirmação. “Esse dia nasceu do encontros na rua. Tocar junto é um gesto de cura e de reafirmação de quem somos.”
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Na ala mais jovem, Cida, 23 anos, integrante da Casa de Cultura Tainã e do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, participou tocando, dançando e articulando. Moradora de Campinas há cinco anos, ela conta que a marcha representa acolhimento. “A marcha tem cinquenta anos, é mais velha que eu, mas me acolhe. É muito forte perceber como o povo preto se reconhece e se encontra, não importa a cidade”, disse.
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Para Cida, o 20 de novembro é um dia de celebrar a vida e reconhecer a contribuição da população negra para o Brasil. “É a celebração de que estamos vivos e de que construímos esse mundo. Nossa história não começa no racismo. A gente luta com nossas armas: a cultura, os tambores, a unidade.” Ela resume o sentimento ao caminhar ao lado de mestres e coletivos que moldaram a marcha: “É uma conexão ancestral. Estar aqui é continuar um legado.”
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Orientação e edição: Adauto Molck
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