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OPINIÃO – China Milenar: Lendas, Mitos e Festivais celebra ancestralidade por meio de multiplicidade de tradições
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Na sala do Ano Novo Chinês, o monstro Nian com uma tocha em meio as vilas tradicionais
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Texto e imagens: Diogo Mosna
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A exposição imersiva China Milenar: Lendas, Mitos e Festivais, inaugurada no último mês no Instituto CPFL em Campinas, traz a riqueza de tradições e mitologias que moldam a cultura chinesa. Ancorada na multiplicidade de sons, cores e mitos cultivados ao longo dos séculos. O primeiro mérito da mostra se encontra na fusão articulada entre herança tradicional e tecnologia. Dispostas em espaço lúdico, as lendas fundadoras da China pendem sobre o presente sem nunca desviar o olhar do passado. Projeções, ilustrações, pinturas, painéis interativos, vídeos e inteligência artificial (IA) dão uma roupagem contemporânea às histórias enquanto aproximam os visitantes do assunto.
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Um aspecto que impressiona é o caráter multissensorial da exposição. Ao criar um espaço tecido por ambientações sonoras, cenários robustos e texturas diferenciadas, a exposição rejeita a ideia de o espectador ser mero observador e oferece a ele um passeio interativo pelas heranças da ancestralidade chinesa. Mais do que evocar os festivais, dá pulsão aos sentidos tanto de crianças quanto de adultos.
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Ao todo, os cinco mil anos de história de uma das civilizações mais antigas são distribuídos em seis salas temáticas, acompanhadas por guias que narram aos viajantes as memórias que se perpetuam pelos costumes de uma nação. Cada sala convida o público a participar ativamente da narrativa, seja mergulhando em realidade aumentada ou convivendo com animais das celebrações típicas. Para tanto, a exposição acha o tom preciso entre a apreciação da cultura chinesa e sua espetacularização.
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Para introduzir o público à temática, o início do percurso se une à Cosmogonia Chinesa para personificar a origem do cosmo. Por meio de vídeos e projeções, o público pode entrar em contato com a lenda do gigante Pangu, ser central na mitologia chinesa que criou os cinco elementos essenciais (madeira, fogo, terra, metal e água).
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A conexão visual estabelecida até então nos conduz ao segmento dedicado a esses elementos. Neste ambiente, a tradição milenar mescla-se à filosofia chinesa para resgatar o laço entre estações, horóscopo, céu, mitos e tudo aquilo que guia a vida humana. A exposição te coloca diante de esferas maciças dos elementos para provar que o balanço entre eles confere equilíbrio ao que conhecemos como Terra. A experiência não se limita à visão. A segunda sala espera os visitantes com murais imponentes gravados com pinturas dos quatro guardiões celestiais. Através de realidade aumentada, o Dragão Azul, o Tigre Branco, o Pássaro Vermelho e a Tartaruga Negra ganham vida em uma experiência interativa.
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China Milenar também passa pelo Ano Novo Chinês, em que os viajantes ganham uma tocha e espantam o monstro mítico Nian em um telão virtual. O segmento ainda oferece a oportunidade de provar a roupa tradicional “hanfu” por IA e resgatar o registro por QR Code.
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A cada décimo quinto dia do primeiro mês lunar os chineses celebram o Festival das Lanternas
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O ponto alto da exposição chega com a sala do Festival das Lanternas. Personalizada com espelhos e lâmpadas coloridas suspensas, o espaço recria a magnitude e luminescência do espetáculo real. Com folhas e canetas para desenhar, os visitantes podem deixar sua marca e lançar lanternas no céu incandescente de dois painéis interativos.
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A mostra segue ainda pela sala do Festival da Lua. Nela, uma lua notável repousa no centro do espaço para que o público veja a deusa Chang’e e seu coelho direto do palácio lunar por meio de telescópios projetados com telas digitais. E do coelho seguimos para a sala do urso panda, onde o encerramento da mostra se volta à pintura digital de animais, que ganham vida nas telonas fixadas na parede do espaço.
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China Milenar: Lendas, Mitos e Festivais é uma ótima recomendação para aqueles que buscam uma opção de lazer que entretém ao mesmo tempo que constrói ponte entre épocas distantes de um país distante.
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Mais detalhes sobre a mostra na reportagem de Laura Penariol
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Orientação e edição: Adauto Molck
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