RMC intensifica campanhas e projetos para combater o crime, enquanto denúncias aumentam em todo o país
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Por Davi Viçosa
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A violência e o abuso sexual contra crianças e adolescentes são um grave problema da realidade brasileira. Segundo dados do Disque 100, o Brasil registrou 657,2 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior. Dentre essas denúncias, quase 290 mil envolveram crianças e adolescentes. A maioria das ocorrências (68,7%) aconteceu dentro de casa, e as vítimas, em sua maioria, eram meninas.
O número total de violações aumentou de 3,4 milhões em 2023 para 4,3 milhões em 2024. Além disso, o Brasil aparece como o 5o país com mais denúncias de abuso infantil na internet, segundo dados da rede internacional InHope, que atua em mais de 50 países. A organização brasileira SaferNet enviou mais de 48 mil denúncias de páginas com conteúdo de abuso infantil para provedores e autoridades no último ano.
Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), municípios se mobilizam com campanhas e políticas públicas. A campanha nacional “Faça Bonito” tem ganhado força na região, com atividades educativas em escolas, palestras para profissionais da rede de proteção e ações de rua.

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A assistente social Raquel Coelho, que atua no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Vinhedo, considera o mês de maio um dos mais importantes no calendário da proteção social. “O 18 de Maio nos ajuda a dar visibilidade a uma violência muitas vezes silenciosa. As crianças nem sempre conseguem se expressar e contar como estão vivendo. A campanha e as ações que desenvolvemos no mês de maio são oportunidades de orientar a população e fortalecer nossa rede de proteção”, explica.
Projetos que integram o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes também estão sendo implementados em parceria com a sociedade civil e universidades, com foco na formação de educadores e na escuta ativa de vítimas.

Para a professora e coordenadora do CREAS de Vinhedo, Shirley Morais, especialista em políticas públicas da infância, parcerias com universidades são fundamentais para garantir uma atuação qualificada e baseada em evidências. “Quando aproximamos a academia da realidade dos territórios, conseguimos desenvolver práticas mais efetivas e formar profissionais mais sensíveis às complexidades do abuso infantil”, avalia.
Entre as vítimas atendidas, está Ana (Nome fictício para preservar a identidade da vítima), de 17 anos, que buscou ajuda após sofrer abusos dentro de casa. “No começo, eu tinha muito medo. Achava que ninguém ia acreditar em mim. Mas quando recebi ajuda, comecei a me sentir mais segura. A psicóloga me escutava sem julgar, e isso fez toda a diferença”, conta.
A ampliação das denúncias pode ser um sinal de maior conscientização e acesso à rede de proteção, mas os números seguem alarmantes e reforçam a necessidade de ações contínuas de prevenção, acolhimento e responsabilização dos agressores.
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
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