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Incubadora quer unir tecnologia e administração pública

Startups serão avaliadas no novo polo por potencial de aplicar soluções digitais em serviços urbanos e políticas locais

Integrantes da equipe da IMATech durante evento de apresentação da incubadora em Campinas (Foto: Prefeitura de Campinas / Divulgação)

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Por Gabriela Alves e Suelen Biason

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Foi inaugurada em Campinas a IMATech, uma incubadora vinculada à empresa pública IMA (Informática de Municípios Associados) que pretende abrigar startups interessadas em desenvolver tecnologias aplicáveis à administração pública. A proposta se insere em um movimento mais amplo de experimentação com ferramentas digitais voltadas a áreas como mobilidade urbana, gestão de dados e informatização de serviços.

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Ligada ao Polo I de Alta Tecnologia, a IMATech recebeu R$ 9,5 milhões da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), recurso destinado à estruturação do espaço e ao apoio técnico de projetos selecionados. O modelo adota como referência o histórico da antiga CIATEC, centro de inovação que atuou em Campinas entre os anos 1990 e 2000.

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Seleção de propostas

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As startups interessadas deverão apresentar projetos que demonstrem inovação, viabilidade técnica e potencial de aplicação em contextos públicos. A seleção também considerará aspectos financeiros e a possibilidade de adaptação em larga escala. “A ideia precisa vir das startups. A IMATech pode ajudar no alinhamento com demandas, mas a proposta é deixar a inovação vir de fora para dentro”, afirma Camila Jurigan, da IMA.

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A incubadora utilizará espaços de teste em parceria com a prefeitura e universidades. Nesses ambientes — chamados de Living Labs —, as soluções poderão ser aplicadas em situações reais antes de serem ampliadas.

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Impactos esperados e desafios

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O projeto busca estimular o desenvolvimento de ferramentas que possam ser úteis à administração municipal, mas os resultados ainda dependem de fatores como continuidade de financiamento, adesão por parte do poder público e capacidade de execução das startups envolvidas.

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Segundo Daniela Pinheiro, pesquisadora da área de política científica e tecnológica, o formato pode gerar impacto econômico local se os projetos forem bem alinhados com as necessidades da gestão. “As startups só avançam quando conseguem identificar claramente uma dor. É preciso escutar quem está no dia a dia da gestão para propor algo que realmente funcione”, comenta. Ainda não foram divulgadas projeções de impacto direto sobre emprego, arrecadação ou economia local.

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Entraves operacionais

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Um dos principais obstáculos é a diferença de ritmo entre o ambiente de inovação, que costuma exigir decisões rápidas, e os processos formais do setor público. Também há preocupações com inclusão e diversidade, o que levou os organizadores a buscar parcerias com universidades e organizações sociais.

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As inscrições para o primeiro ciclo vão até 30 de junho. As startups selecionadas terão acesso a mentorias, consultorias, coworking, estúdio de podcast e eventos como o PODCamp, já disponível ao público.

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Sala de reuniões da IMATech, voltada ao apoio e mentoria de startups incubadas em Campinas (Foto: IMA / Divulgação)

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Continuidade de um processo

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A IMATech é apresentada como uma tentativa de retomar parte da proposta da CIATEC, agora com foco em soluções voltadas à gestão urbana. Campinas está entre os municípios brasileiros que mais investiram em iniciativas de inovação nos últimos anos, embora ainda enfrente desafios em infraestrutura, conectividade e integração de políticas públicas.

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A incubadora será testada nos próximos meses como um espaço de aproximação entre pequenas empresas inovadoras e o setor público. O desempenho das primeiras propostas incubadas deve indicar a viabilidade desse modelo de colaboração no médio prazo.

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Edição: Nicole Heinrich

Orientação: Artur Araujo

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