Iniciativa busca ampliar renda, oferecer capacitação e dar visibilidade a mulheres em situação de vulnerabilidade social
Por Jessica Midori, Leticia Meneghel e Vitória Régia

Daniela dos Santos, de 44 anos, criou o ateliê “Danielafaz Criativa” em 2020, quando começou a costurar máscaras para amigos e familiares. A atividade artesanal evoluiu para a produção de bolsas, que hoje são o carro-chefe da marca. Participando de feiras de artesanato, Daniela ampliou sua clientela e passou a gerar uma renda extra que ajuda a manter o sustento da família. Mesmo conciliando com outro emprego, ela afirma que o empreendimento trouxe mais conforto ao filho e realização pessoal. “O ateliê mudou a minha vida. Hoje me sinto mais realizada no que faço. Ter pessoas reconhecendo o meu trabalho, feito com amor e dedicação, é muito gratificante”, relata.
Ela destaca o papel das feiras promovidas pela prefeitura como fator essencial para alcançar novos públicos. Participante do programa Feira da Mulher Empreendedora desde o início do ano, relata o impacto nas vendas e na visibilidade. “Meu negócio passou a ser mais visto. Consegui chegar a lugares que antes não era possível. Agora estou na loja colaborativa Empodera Elas, no shopping Dom Pedro, sem custo algum. É uma oportunidade maravilhosa”, comemora.

Feira fortalece o empreendedorismo e a autonomia
Criado em 2022, o programa Feira da Mulher Empreendedora já beneficiou mais de 7 mil mulheres e conta hoje com cerca de 4 mil participantes ativas. A iniciativa da Prefeitura de Campinas surgiu a partir da escuta de uma mulher atendida pelo CEAMO (Centro de Referência de Apoio às Mulheres), que buscava autonomia financeira após sofrer violência doméstica.
Grazi Coutinho, coordenadora de políticas públicas para mulheres, explica que o empreendedorismo foi identificado como caminho possível de superação. “A partir disso, surgiu a ideia de criar um programa focado no empreendedorismo feminino, especialmente voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirma.
A feira promove eventos itinerantes em bairros diversos, feiras noturnas em praças centrais e mantém lojas colaborativas em shoppings como Dom Pedro, Campinas Shopping, Unimart e Prado. Há também parcerias com empresas como Samsung e Azul Linhas Aéreas, por meio do selo “Empresa Amiga da Mulher”, que organiza eventos internos com as empreendedoras.
Além das oportunidades de venda, o programa oferece cursos de capacitação em gestão, vendas e planejamento financeiro. “Cada mulher que chega até nós traz uma história única. Muitas carregam questões emocionais delicadas. A feira é também um espaço de acolhimento, escuta e reconstrução”, diz Grazi.
Mulheres movimentam a economia local
Segundo dados do Sebrae-SP, em maio de 2025, 45,8% dos empreendedores de Campinas eram mulheres, totalizando 57.730 empreendedoras. Joice Oliveira, analista de negócios do Sebrae-SP e gestora da área de empreendedorismo feminino, afirma que houve um crescimento significativo nos últimos cinco anos, impulsionado pela formalização via MEI, por políticas públicas e por iniciativas como a Feira da Mulher Empreendedora.
Ela destaca também programas como o “Sebrae Delas” e as ações da Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher, que atuam em áreas como saúde, combate à violência e geração de renda. “Fortalecer o empreendedorismo feminino não é apenas movimentar a economia. É promover autonomia, inclusão e transformação social”, conclui Joice.
Edição: Nicole Heinrich
Orientação: Artur Araujo

