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Estudo da Embrapa identifica valor do sistema agroflorestal

Combinar cultivos agrícolas com árvores na mesma área melhora a retenção de carbono no sol

Por Ana Clara Freitas e Ana Luiza Frozino

Os sistemas agroflorestais combinam cultivos agrícolas com árvores em uma mesma área (Foto: Acervo Pessoal)

Os sistemas agroflorestais (SAF), que combinam cultivos agrícolas com árvores em uma mesma área, têm se destacado como uma solução sustentável e eficaz na promoção do estoque de carbono no solo. Um estudo recente da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, indica que esses sistemas são capazes de armazenar até 30% mais carbono no solo do que as áreas de vegetação natural, oferecendo uma vantagem significativa tanto para a mitigação das mudanças climáticas quanto para a sustentabilidade agrícola.

A capacidade dos sistemas agroflorestais de sequestrar carbono pode ser atribuída a diversos fatores. Em primeiro lugar, à presença de árvores aumenta a quantidade de matéria orgânica no solo por meio da queda de folhas, galhos e raízes mortas. Esse material orgânico é decomposto por microorganismos, que o transformam em húmus, um componente rico em carbono. Além disso, as raízes das árvores ajudam a estabilizar o solo, prevenindo a erosão e melhorando a retenção de água e nutrientes, o que contribui para um ambiente mais propício à captura de carbono.

De acordo com Carlos Cesar Ronquim, pesquisador da Embrapa, os SAFs contribuem para o aumento do estoque de carbono no solo. “A constante queda de folhas e galhos no solo proporciona o acúmulo de matéria orgânica que contribui para o aumento e o acúmulo de carbono. Esse carbono acumulado, ao longo dos anos, originário da matéria orgânica formada nesse ambiente, é mais resistente à degradação, pouco perdido para atmosfera, pois se transforma, ao longo do tempo, em substância húmicas (ácidos fúlvicos, ácidos húmicos e humina) e outras macromoléculas orgânicas”, afirmou.

“O agricultor, ao implantar um SAF, deve estar ciente que a produção e a produtividade da maioria das espécies em um SAF são menores ou muito menores do que o cultivo dessa mesma espécie a pleno sol. Há menor número de plantas por hectare e menor disponibilidade de energia, luz solar para a fotossíntese, e consequentemente menor produtividade”, destacou Ronquim.

Além do sequestro de carbono, esses sistemas promovem a diversificação de cultivos, contribuindo para a segurança alimentar e a resiliência dos agricultores diante de condições climáticas variáveis. A preservação da biodiversidade é outro benefício importante, já que a combinação de árvores e cultivos cria habitats diversos para espécies vegetais e animais, promovendo a saúde do ecossistema como um todo.

A interação entre árvores, cultivos e outras plantas em sistemas agroflorestais melhora a qualidade do solo (Foto: Acervo Pessoal)

A interação entre árvores, cultivos e outras plantas em sistemas agroflorestais também melhora a qualidade do solo, enriquecendo-o com matéria orgânica e aumentando sua capacidade de retenção de água e nutrientes. Isso resulta em solos mais saudáveis e produtivos a longo prazo, reduzindo a necessidade de adubos químicos e aumentando a resistência das plantas a doenças e pragas. Essa redução na necessidade de insumos químicos também está relacionada à capacidade de os sistemas agroflorestais controlarem naturalmente pragas e doenças, reduzindo a dependência de pesticidas e herbicidas.

Esses benefícios combinados tornam os sistemas agroflorestais uma abordagem sustentável e eficaz para a agricultura, promovendo a resiliência das propriedades rurais, a conservação dos recursos naturais e a produção de alimentos de forma mais equilibrada e saudável

Orientação: Prof. Artur Araújo

Edição: Mariana Neves

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