Ciência

Pesquisa torna a casca do maracujá uma fonte de riqueza

Método criado por cientistas da Unicamp e da Espanha usa técnica ambientalmente sustentável para aproveitamento da fruta

Por: Anielly Ferreira Araujo e Sabrina de Paiva

Cientistas da Unicamp, em parceria com o Instituto de Pesquisas em Ciência dos Alimentos da Universidade Autônoma de Madrid, desenvolveram um método para extrair, da casca do maracujá, uma substância chamada pectina de modo ambientalmente sustentável. A pectina é usada como um espessante natural em geleias; é também um tipo de fibra que pode auxiliar na remoção de resíduos e toxinas do corpo humano. A tecnologia promete impactar os segmentos farmacêutico, cosmético e alimentício.

Débora Tamires Vitor Pereira, doutoranda em Engenharia de Alimentos pela Unicamp

“O Brasil, maior produtor e consumidor de maracujá do mundo, gerou cerca de 390.000 toneladas de cascas em 2021, considerando a porcentagem de 60% do peso da fruta e 95% da destinada para a produção de sucos e polpas. Portanto, a reutilização desse abundante subproduto agroindustrial oferece potencial comercial”, afirmou a cientista Débora Tamires Vitor Pereira, doutoranda em Engenharia de Alimentos pela Unicamp e participante do projeto. Trata-se de um método rápido e sustentável, que utiliza solventes sob alta pressão para alcançar altos rendimentos de pectina em pouco tempo.

A pectina, abundante nas cascas de frutas, é utilizada na indústria alimentícia, farmacêutica, cosmética. Além do aproveitamento das cascas de maracujá, a pesquisa contribui para soluções sustentáveis na indústria alimentícia. O processo inovador de extração de pectina inicia com a secagem das cascas a 60°C, seguida de moagem e peneiramento. Contrariando o método convencional, que utiliza ácidos tóxicos e gera resíduos tóxicos, a nova técnica emprega solventes seguros para extração, realizada em minutos, produzindo uma substância segura para aplicações alimentícias, farmacêuticas e cosméticas.

A pandemia e a necessidade de financiamento foram desafios enfrentados durante o desenvolvimento do projeto, mas superados com o apoio da Fapesp e esforços conjuntos de pesquisadores no Brasil e na Espanha.

Os próximos passos do estudo incluem investigar as propriedades tecno-funcionais da pectina extraída, implementar o processo em escala piloto, realizar estudo de viabilidade econômica e construir uma planta de extração à alta pressão em escala industrial. “O produto precisa ser vinculado a algumas etapas para ser comercializado”, destacou Débora Pereira. Essas etapas, acrescentou a cientista, serão fundamentais para avaliar a aplicabilidade comercial da pectina extraída da casca do maracujá e fornecer informações para a implementação dessa técnica na indústria alimentícia.

Orientação: Prof. Artur Araújo 

Edição: Suelen Biason


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