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Uma profissão à procura de dignidade

Realidade das empregadas domésticas brasileiras é marcada por ameaças e constrangimentos no ambiente de trabalho

Por: Beatriz Cezar e Luiz Oliveira

Ameaça, violência e constrangimento são palavras que marcam a vida e o cotidiano de muitas trabalhadoras domésticas pelo Brasil. Não distante dessa realidade, a trajetória profissional de Maria (nome fictício), 46 anos, foi marcada por abusos psicológicos e físicos. Durante sua primeira gestação, a campineira perdeu o bebê após passar por dificuldades nas mãos de seus ex-patrões.

Maria conta que entre seus 14 e 18 anos, trabalhou em uma moradia estudantil. Com 16 anos, engravidou pela primeira vez e foi explorada pelos patrões até os 9 meses de gestação, não recebendo nenhum auxílio. “Aos 18, engravidei pela segunda vez e perdi o meu bebê devido a ameaças. É um trauma que carrego até hoje”, conta.

Maria, que iniciou os trabalhos aos 11 anos de idade, relata que durante a segunda gestação, foi orientada para procurar o “Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas”, para registrar a carteira de trabalho. “Foram os patrões que me disseram para procurar o sindicato mas, quando voltei, fui tratada muito mal, sofri xingamentos e fui ameaçada pelo esposo”, relata.

Submetidas a vários tipos de violência como racismo, assédio moral, violência sexual e desvalorização do trabalho, as trabalhadoras domésticas lutam por um espaço na sociedade e por condições dignas. Um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em parceria com a ONU Mulheres, mostra que 70% da categoria não possui carteira assinada. Esse alto nível de informalidade no trabalho das empregadas domésticas faz com que elas não tenham garantia de direitos, como 13º salário, seguro-desemprego, e auxílios previdenciários.

Maria destaca que durante os episódios de constrangimento, encontrava uma arma de fogo em locais de fácil acesso pela casa. “Eu tinha medo do patrão, ele era grosso e me xingava quando a roupa não estava do jeito que ele gostava”, relata Maria, recordando as ameaças psicológicas que sofria. “Por diversas vezes, encontrava uma arma em locais da moradia”, completa.

Sem a garantia de um emprego formal, a categoria das empregadas domésticas tem muito ainda que lutar por direitos e por melhores condições de trabalho. Sem isso, a responsabilidade e a garantia de qualquer nível de proteção legal acabam recaindo sobre a própria trabalhadora. Assim como Maria, que leva para a vida uma marca do abandono social contra empregadas domésticas, muitas outras mulheres buscam melhores condições de trabalho.

Com o intuito de unir forças pela luta de empregadas domésticas do mundo todo, foi instituído o dia 27 de abril, data mundial em homenagem às empregadas domésticas. O dia recorda a padroeira da profissão, Santa Zita, que nasceu na Itália e trabalhou desde os 12 anos de idade até a sua morte para uma família italiana. Mais do que uma simples data, o Dia do Trabalhador Doméstico é motivo não apenas de relembrarmos da profissão, mas de reivindicar políticas públicas eficazes para mulheres vítimas de preconceito e abusos em casas do mundo afora.

Orientação e edição: Prof. Artur Araujo


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