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Os docentes Fernando Schüler, Martha Gabriel e Ronaldo Lemos advertem sobre a perda de autonomia
Por: João Vitor Bueno
“Crescer no mundo em que vivemos hoje não é fácil”. Foi com este desabafo que um dos autores do Marco Civil da Internet no Brasil, Ronaldo Lemos, abriu a palestra sobre tecnologia e inovação organizada pela série de palestras Fronteiras do Conhecimento, na última quarta, 18. Conferencista ao lado de Fernando Schüler e de Martha Gabriel, ele explicou que as interações falsas agem como uma bomba de ansiedade para o ser humano, o que motiva o ciclo vicioso de consultar as redes sociais o tempo todo, contribuindo para uma sociedade mais doente.
O cientista político convidado a dividir o palco do evento, Fernando Schüler, definiu a tecnologia como algo “sensacional e perturbador ao mesmo tempo”. Para este professor do Insper, a internet não cumpriu sua promessa inicial, de motivar o ser humano a criar uma aldeia global. “Ela criou mais tribos, com pouca empatia”, disse.

Já a professora da área de inteligência artificial da PUC-SP, Martha Gabriel, disse acreditar que é necessário dar mais poder ao indivíduo, pois ele vem ficando mais fraco. Durante o encontro, os palestrantes chegaram em um consenso: estimular o pensamento crítico é essencial para se livrar das amarras do mundo cibernético. Segundo Martha, é preciso fazer isso, pois “quem deve controlar a tecnologia somos nós, e não o contrário”.
Martha Gabriel afirmou também que a principal habilidade que o ser humano precisa otimizar para o futuro é o desenvolvimento de “pensamento crítico”. Nos próximos 30 anos, segundo previu, a tecnologia vai evoluir o que não tinha evoluído nos últimos dois mil anos. Áreas como nanotecnologia, inteligência artificial e biotecnologia não param de inovar e descobrir novas tendências.
“O ritmo de mudança é muito forte”, comentou. “O ser humano deve se sobrepor à tecnologia, pois os robôs que operam algoritmos analisam os dados de forma fria, e tomam decisões logicamente corretas e humanamente erradas”. De acordo com ela, a diversidade, que só os humanos conhecem, faz parte do desenvolvimento do pensamento crítico.

Fernando Schüler também compartilha com a visão de Martha. Ele ainda afirmou que os humanos vivem uma fase de dilemas éticos na tecnologia e que, constantemente, continuam a aprender a lidar com ela. De acordo com o docente, o surgimento dos algoritmos de redes sociais tirou a autonomia do usuário.
“Antes, eu escolhia o que eu queria ver, selecionava os assuntos que me interessavam e minha timeline não era infestada com assuntos indesejados”. Hoje, os algoritmos acabam por reduzir a autonomia dos seres humanos e por isso a sociedade deveria criar “anticorpos” para enfrentar a dependência tecnológica. Assim como Martha, Fernando disse acreditar que o pensamento crítico é a porta de saída para esse vício.

Ronaldo Lemos se considera otimista em relação ao mundo digital. Professor de Direito da Informática na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Lemos disse compartilhar com os desafios mencionados pelos outros palestrantes, mas salientou que os desafios abrem caminhos para as oportunidades, fazendo uma crítica ao que qualifica de pseudo revolução cibernética.
“A inovação estagnou em 2010, o ecossistema é confortável, chegamos num ponto onde tudo gera lucro e está confortável assim”. Para ele, o Brasil tem potencial para mudar esse cenário inerte e virar uma grande potência no mundo tecnológico. “A missão do Brasil é participar da economia do conhecimento, bater de frente com Estados Unidos e China”, apontou.
Os palestrantes concordaram que a sociedade ainda está aprendendo a lidar com a tecnologia e que é essencial tomar cuidado para não se deixar alienar pela inovação.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: João Vitor Bueno
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