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Nova geração é adepta aos serviços digitais para controle de seu dinheiro
Por Caio Martins Bueno e Leonardo Vicente Fernandes
A educação financeira da camada jovem da sociedade tem se tornado cada vez mais presente no cotidiano daqueles que pretendem enriquecer e investir. As novas prioridades em relação ao dinheiro representam uma quebra nos paradigmas delimitados pelas gerações anteriores, sobre como se deve ou não gastar. Nisso, economistas veem na atual geração outras intenções na hora de organizar e manejar os gastos.

A atual acessibilidade à informação na hora de ter uma conta no banco, ou analisar as próprias finanças, é inerente aos grupos mais jovens que mexem com o próprio dinheiro. Cristiano Penha,mestre em economia pela PUC-SP, explica que a tecnologia dentro dos aplicativos facilitou o conhecimento desta faixa etária: “Há muito mais informações sobre o mercado financeiro e como ele funciona, e sobre como fazer para aplicar o recurso. Antigamente, as pessoas dependiam de uma agência ou corretora. Hoje em dia, é possível abrir uma conta bancária pelo celular e aplicar seu dinheiro pelo aparelho”, afirma.
O objetivo dos jovens também tem papel crucial no estabelecimento das metas financeiras. Desejos como a independência, ingressão no mercado de trabalho e a vontade de se mudar, estão entre as prioridades. Apesar disso, para Cristiano, a pandemia afetou este cenário do dinheiro e esta situação somou-se à crise financeira e ao desemprego: “nessa incerteza, surge o medo do futuro no momento de lidar com o dinheiro, e afeta as expectativas econômicas das pessoas no geral”, reforça.
A respeito dos avanços digitais, a tecnologia do internet banking ajudou o público em ascensão na vida financeira a organizar melhor seus gastos, mesmo longe das grandes agências físicas. Este é o caso da estudante de jornalismo Carolina Barela, 22, que encontrou nos bancos digitais a facilidade de que precisava. “Eu nunca gostei de ir até as agências ou fazer ligações para os bancos, então passei a resolver tudo pelo chat dos bancos online. Inclusive, a questão das tarifas anuais, que no meio digital são menores, também foi um atrativo para mim”, disse.

A estudante diz que boa parte de seu ciclo de familiares e amigos também é adepto do internet banking, mas isso se diferencia com o avô. “Os mais velhos da minha família são bem suspeitos com tecnologia, e eles também utilizam bem pouco o celular. Meu avô tem o trabalho de ir até uma agência, e precisar sair de casa sempre, mas é por uma questão de costume”, conta.
Não é só guardar
A mudança do comportamento financeiro dos jovens não se limita apenas ao uso de ferramentas digitais para controle de suas economias. Além disso, novas possibilidades de gerar renda surgiram através dos diferentes serviços e da acessibilidade dos aplicativos, que agora são capazes de administrar investimentos e negócios.
As redes sociais são grandes facilitadoras desse processo. Com um ambiente aberto ao público, já possuem estrutura para a criação de lojas e empresas, muitas vezes direcionadas a estratégia de e-commerce. A variedade de temas e conteúdos são amplamente exploradas, em busca de atingir públicos-alvo específicos, esses que eventualmente compartilham com suas redes de contatos e seguidores.

Augusto da Costa, 20, estudante de Biologia, decidiu abrir uma loja online de artigos esportivos durante a pandemia, usando a plataforma Instagram. Sem nenhum conhecimento prévio, a ideia surgiu apenas com o objetivo de auxiliar na renda de sua família: “Quando começou a pandemia, minha mãe ficou com bastante dificuldade, porque ela é agente de viagens, então pensei em tentar ganhar um dinheiro para ajudar com alguma conta de casa e também comprar minhas coisas. Além disso, é um assunto que eu gosto e já tinha visto outros perfis de sucesso com esse tipo de negócio”, explica.
Após pesquisar em fóruns da internet, o estudante descobriu que era possível administrar a loja sem nenhum tipo de espaço físico, investimento alto ou risco. Os produtos são vendidos sobre demanda, ou seja, não existe estoque e tudo é feito pela gestão de dados e controle dos pedidos. Com o lucro das vendas, o próximo passo é investir na divulgação, comenta Augusto: “Logo depois que tivemos algum lucro, já investimos uma parte de volta, com anúncios e parcerias, com o objetivo de alcançar novos clientes e metas”, afirma.
Outra maneira de ampliação de renda também ganhou espaço nos últimos anos. Os investimentos, referentes a aplicação de dinheiro para a compra de ações e participações em empresas já é uma realidade para os jovens. Apesar da complexidade do tema, na internet estão disponíveis materiais de estudo, como apostilas, sites e documentos, além de vídeos no YouTube e páginas nas redes sociais que se dedicam ao ensino desse tipo de rotina.

Para Gustavo Gobbi, 20, estudante de Direito e professor de inglês, o assunto já se tornou uma de suas prioridades. Após dois anos de estudo autodidata, Gustavo já se sente confortável em investir seu dinheiro e ensinar outras pessoas sobre o assunto, compartilhando seu processo de aprendizado e as suas principais dicas na página “Ideia de Rico 10”, no Instagram. O estudante também traz convidados e organiza lives, com o objetivo de mostrar as diversas vertentes desse tipo de ação.
O que antes exigia um olhar atento para a bolsa de valores, hoje já pode ser adaptado à rotina individual. Nesse sentido, a ação se torna uma alternativa adicional ao cotidiano, realizada simultaneamente aos demais compromissos e interesses. Assista a entrevista com Gustavo, sobre o processo de aprendizagem, clicando aqui.
Orientador: Prof. Gilberto Roldão
Edição: Alanis Mancini
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