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Dona de casa teve a autoestima abalada com sintoma prolongado que perdura há meses
Por Natália Velosa
Acordar, levantar e prender o cabelo sem olhar no espelho para começar o dia. Quem via a nova rotina da dona de casa Sueli Nascimento, de 53 anos, não a reconhecia. Sempre vaidosa, Sueli enfrenta há quatro meses a queda de cabelo como um dos sintomas prolongados da Covid-19.

Sueli chegou a acreditar que estava vivendo uma depressão (Foto: Natália Velosa)
Apesar de hoje estar mais tranquila em relação ao cabelo, os primeiros dois meses não foram fáceis de enfrentar o sintoma. “Era desesperador, tinha a impressão que iria ficar careca. Minha autoestima caiu de repente”, diz.
Um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia publicou um artigo, em janeiro de 2021, em que 80% das pessoas que adquiriram coronavírus sofrem com sintomas prolongados da doença em pelo menos duas semanas após a cura. A queda de cabelo é um dos 55 sintomas mais conhecidos.
A dona de casa é mais uma vítima da “Covid Longa”. Sueli recebeu o resultado positivo para coronavírus em dezembro, horas depois de receber a notícia que o pai havia falecido. Além do estresse já provocado pela doença que deixou vestígios, ainda lidava com o luto.
Sueli conta que começou a perceber os sintomas quinze dias depois de se recuperar da doença. Durante o dia, sentia uma “queimação” no couro cabeludo e, quando passava a mão, saia tufos de cabelo. A dona de casa, que até então desconhecia do sintoma prolongado, chegou a acreditar que estava vivendo uma depressão.
“Parei de cuidar do meu cabelo, não fiz mais luzes, só lavava e secava. Eu levantava e já prendia ele. Nem penteava, porque eu sabia que iria cair bastante. Peguei trauma de lavar o cabelo. Minha filha vinha em casa para me ajudar, porque eu não queria ver o tanto que caia”, desabafa.

Psicóloga Tayne Amabile defende que cabelo é uma forma de identificação feminina (Foto: Reprodução)
Os sintomas de baixa autoestima de Sueli não são incomuns de acontecer. De acordo com a psicóloga do Instituto de Neurociência Comportamental de Americana, Tayne Amabile Cichelli, o cabelo é uma forma de identificação feminina e de como as mulheres se demonstram no mundo. É normal que com a perda dos fios, as mulheres percam uma parte da própria identidade.
“O estresse pós-traumático da Covid-19 já é uma situação que gera tristeza e cansaço. Os próprios reflexos da doença também contribuem. A queda de autoestima diminui a imunidade e dificulta lidar com outras situações emocionais”, explica Tayne.
Entretanto, a psicóloga explica que é necessário que as mulheres que passarem por isso tenham apoio para se sentirem acolhidas. Esse também é o fator que Sueli relatou do porquê se sente melhor hoje, já que conta com o apoio da família.
Hoje a dona de casa consegue ter uma rotina de cuidados. Ela conta que decidiu mudar o visual para um corte que desse mais volume e começou a utilizar shampoos vitamínicos. “Graças a Deus eu consegui sair viva da Covid-19 e sei que meu cabelo vai voltar a crescer”, conclui.
PASSAGEIRA

Dermatologista Ana Paula Giovannetti recomenda complexos vitamínicos nesse período (Foto: Matheus Campos)
A dermatologista Ana Paula Giovannetti, do Hospital Vera Cruz, explica que a queda de cabelo que atinge alguns pacientes da Covid-19 é passageira. A duração, entretanto, varia de paciente para paciente, mas estima uma média de três a quatro meses.
Esse tipo de queda, conhecida como eflúvio telógico, acompanha outras doenças infecciosas, como também episódios estressantes. Entretanto, o eflúvio do pós-Covid é intenso. A dermatologista diz ainda pode ocorrer um outro tipo de queda, a alopecia areata. Essa é quando o cabelo cai em pequenas áreas deixando falhas.
“O cabelo vai voltar até se não fizer nada, só que as pessoas ficam muito incomodadas e preocupadas. Então, nesses casos entramos com complexos vitamínicos específicos de cabelo, como loções capilares ou shampoo. É recomendado evitar químicas fortes, como escova progressiva, porque o cabelo já está num momento de fragilidade”, explica.
Orientação: Prof. Gilberto Roldão
Edição: Fernanda Almeida
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