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Pesquisador propõe generalizar educação midiática

Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, diz que comunicação é tema de interesse coletivo

 

Manuel Pinto: “É necessário saber como se comunicar em busca da qualidade da vida pública” (Imagem: Youtube)

Por: Bianca Velloso

Estudar a mídia e a comunicação é atividade que não deveria ficar restrita apenas aos profissionais da área ou estudantes de cursos superiores. O tema deveria fazer parte dos currículos para a formação dos profissionais de todas as áreas do conhecimento, bem como de estudantes das séries iniciais da educação básica. A afirmação foi feita ontem, 10, pelo pesquisador português Manuel Pinto, da Universidade do Minho, em aula inaugural por videoconferência aos alunos do programa de pós-graduação em Linguagens, Mídia e Arte, da PUC-Campinas.

“No mundo contemporâneo, a mídia acaba por ser uma escola paralela à escola formal”, afirmou o docente, para quem, em muitos momentos, chega mesmo a existir uma relação conflituosa entre mídia e educação formal. Manuel Pinto afirmou que, na sociedade moderna, a relação com a mídia é permeada por sentimentos que vão da sedução ao medo – o primeiro, pelo encantamento, enquanto o segundo remete à perda de privacidade, à invasão de dados e circulação de notícias falsas.

Doutor em Ciências da Comunicação e professor Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Manuel Pinto tem formação original na área de História, tendo trilhado caminhos pelo jornalismo cultural e desenvolvido carreira junto a projetos patrocinados pela Unesco visando a educação para os meios de comunicação.

Quando questionado sobre de que maneira as universidades poderiam contribuir no processo de alfabetização midiática, o docente salientou a importância de se devolver e compartilhar o conhecimento produzido pelos formandos com a comunidade em projetos de extensão. “As pesquisas que desenvolvemos na universidade podem recorrer a metodologias que envolvam a comunidade e se articulem com a investigação, por meio da observação participante, por exemplo. São métodos intensos por conta da comunhão e troca de conhecimento que se pode estabelecer com a comunidade”, afirmou.

“Às vezes as pessoas podem pensar que a educação midiática ou digital é desenvolvida apenas para formar profissionais da educação, o que é um erro. Estamos falando sobre uma formação básica indispensável para os cidadãos”, afirmou.

Dentre as razões para estudar o letramento midiático, Manuel Pinto destacou a necessidade de entender o peso que tem a comunicação na realidade contemporânea. “Estudar a comunicação é aprender a ler o mundo e a vida, e aprender a se comunicar”.

Manuel Pinto acentuou que “informar não é comunicar”, pois comunicar implica em estabelecer um diálogo com o interlocutor, compreendê-lo em sua totalidade. As técnicas e estratégias de comunicação praticadas pelos profissionais de mídia – segundo disse – não são suficientes para criar a interação que o processo comunicativo exige. “É necessário saber além da técnica, saber como se comunicar em prol da busca de sentido e da qualidade da vida pública”, disse.

Um dos campos de estudo que poderiam compor o currículo da educação midiática seria o de validação da informação –segundo ele – o que implica em reconhecer competências e autoridades das fontes que aparecem na mídia ou que criam seus próprios canais de comunicação com o público. Para Manuel Pinto, uma outra área de estudos que precisaria ser desenvolvida é em relação aos conglomerados que controlam a circulação e fluxo de dados na internet, onde os algoritmos produzem bolhas que impedem o ideal universal da comunicação, que é o compartilhamento em benefício do desenvolvimento humano.

 

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Letícia Franco


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