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A médica Alessandra Soares afirma ser possível se autoconhecer durante isolamento social
Por: Emely Tesserolli
Em um mundo barulhento, é difícil ficar. Quem se isola do convívio social costuma ser criticado pela família e amigos. Mas para a Alessandra Soares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a solidão pode ser uma oportunidade para o autoconhecimento. E uma aliada para a conquista da saúde mental e emocional.
Por que é importante ficar sozinho?
Ficar sozinho por opção é importante no sentido de autoconhecimento e de reflexão, porque você tem a oportunidade de se conhecer melhor, se observar e de sentir com mais clareza as suas emoções. Você passa a observar a si próprio e neste caso é uma solitude, um afastamento por opção para se autoconhecer.
O que a solidão pode trazer de benefício para a saúde mental e emocional?
A solidão é benéfica no sentido do amadurecimento, ou seja, ela ajuda porque propicia à pessoa um autoconhecimento. Com isso a pessoa passa a enxergar as situações de forma diferente por estar sozinha.

Para a psicanalista Alessandra Soares, ficar sozinho é importante para o autoconhecimento (Foto: acervo pessoal)
Qual é a diferença entre introspecção e solidão?
A introspecção é uma característica da personalidade da pessoa, assim como a timidez. A pessoa introspecta prioriza seu íntimo, não costumam se expor e é retraída, com pouca interação. Ela não abre a intimidade. Já a solidão é um estado em que a pessoa pode estar, ou seja, ela pode procurar a solidão por algum motivo, seja para o autoconhecimento ou para se reestabelecer de algum acontecimento. Mas a solidão pode ser causada por outros motivos, como a perda de um ente querido – mãe ou pai – ou por fatores externos.
Quando é possível saber se a solidão e a introspecção estão sendo saudáveis ou prejudiciais?
Quando a solidão é uma opção do individuo de se afastar para ter um momento consigo, para refletir, meditar e se encontrar, ela é perfeita. Mesmo assim, tem que ser por um tempo determinado. Mas quando a solidão é desencadeada por algum fator externo, ela pode provocar o estresse, a ansiedade e a insônia, que podem gerar um gatinho para a depressão. A solidão pode também causar dores no corpo, porque a pessoa vai somatizando e começa a ter dores nos músculos e articulações. Há casos ainda em que a solidão pode ser um gatilho para alguns vícios, como a bebida e o cigarro, porque para fugir da situação de solidão, a pessoa pode se apegar a algum vício.
Quem costuma passar muito tempo sozinho pode esconder algum problema emocional?
Depende de uma série de fatores. Às vezes a pessoa tem uma maturidade muito maior do que as pessoas com quem ela convive e aí fica difícil o relacionamento. Muitas vezes a pessoa não se sente segura em um ambiente e então ela se isola. Há uma série de fatores que podem desencadear isso.
Na sua opinião, a solidão pode isolar as pessoas, inserindo-as em uma realidade angustiante, de desamparo e incompreensão?
Sim, a solidão pode causar isso, principalmente se pararmos para pensar na população de idosos, que acabam ficando sozinhos e isso acelera o processo de alguma doença ou demência que eles podem ter. Muitas vezes a pessoa é tímida e ela pode se isolar por timidez.
A solidão está associada a depressão?
Sim. As pessoas que se sentem sozinhas podem estar propensas à depressão, porque elas sentem um vazio e algumas até a sensação de abandono. Elas restringem o contato social e isso vai dificultando a situação, podendo se tornar um quadro depressivo. No caso de apresentar um quadro desse tipo, é indicado consultar com médico psiquiatra, que vai entrar com a intervenção medicamentosa e, com apoio psicológico, as terapias. Se não tratada, a depressão pode chegar até o suicídio.
Orientação: Profa. Cecília Toledo
Edição: Danielle Xavier
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