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Livro de João Paulo Hergesel faz parte de cesta básica alimentar em cidade do Paraná

Hergesel: “Podemos sempre ter a companhia dos livros” (Foto: acervo pessoal)
Por Fernanda Almeida
Professor da Faculdade de Letras e do programa de pós-graduação em Linguagens, Mídia e Arte (Limiar) da PUC-Campinas, o escritor João Paulo Hergesel disse que seu grande motivador para produzir literatura infantojuvenil é despertar o senso crítico em seus leitores. Ele participou, na tarde deste domingo, 3, de uma live produzida pelo Instituto Pegaí, de Ponta Grossa, que incluirá 520 exemplares de seu livro “Como calar a boca de um dragão?” na cesta básica alimentar dos beneficiados pelo Bolsa Família ou famílias em condição de vulnerabilidade social daquele município paranaense. Ao todo, a obra terá tiragem de 5 mil exemplares.
“É alimento para a mente”, argumenta o portal do instituto ao explicar a iniciativa inédita de fornecer livro junto com arroz, feijão, farinha e conservas que compõem a cesta fornecida pela rede de ensino do município distante 400 kms da cidade de Campinas. Com acervo de 300 mil unidades, o instituto empresta livros ou distribui gratuitamente para serem lidos “no tempo do leitor”, atuando exclusivamente com obras impressas. Para tanto, busca patrocínio e doações junto a empresas dispostas a investir em leitura.
Na live da qual participou, João Paulo Hergesel, autor de obras como “A vaca presepeira” e “Meu maninho é uma menina”, disse que a maior parte de suas inspirações vem da infância e adolescência vividas na cidade de Aluminío, município com 16 mil habitantes na região de Sorocaba (SP). Foi de lá sua participação no programa, já que é defensor do distanciamento social como estratégia para conter a propagação da Covid-19.
“Eu faço literatura justamente para contribuir com a arte literária, para poder levar um pouco de alívio imaginário para as pessoas e instigar o olhar crítico a respeito do mundo”, afirmou Hergesel, que recebeu diversos prêmios, entre os quais o “Monteiro Lobato de Contos Infantis”, em 2012, pelo Sesc-DF; e o prêmio “João do Rio”, pela União Brasileira de Escritores (UBE) em 2019.
Uma das possibilidades do olhar crítico é explorada em seu livro “A vaca presepeira”, ganhador do cobiçado prêmio Barco a Vapor, em 2018, que conta a história de um animal que, cansado do seu papel de figurante em presépios, decide lutar pelo sonho de se tornar uma das renas do trenó do Papai Noel. A história acompanha a personagem principal enfrentando obstáculos que aparecem na sua jornada rumo ao Polo Norte.
Apaixonado por criar histórias desde criança, Hergesel também contou que as redes sociais o ajudaram a se definir como escritor, uma vez que compartilhava suas histórias em comunidades do antigo Orkut durante a adolescência, quando recebia feedback de leitores. Hoje, com 24 obras publicadas, o escritor também dá dicas de como os jovens podem seguir os mesmos passos.
“Antes de começar a escrever, é preciso ser um bom leitor. É preciso conhecer obras literárias, saber o que já foi escrito e o que está sendo produzido, e quem são os autores consagrados no gênero que você gosta de escrever. E a partir daí começar a desenvolver histórias”, recomendou Hergesel, apontando plataformas online para compartilhar produções literárias, como o Wattpad, e enfatizando a importância de o escritor estar sempre aberto a receber críticas para melhorar sua escrita.
Adepto do uso intenso de tecnologias de comunicação, Hergesel, que usa o celular para fazer anotações de ideias e inspirações, também vem atuando na produção de uma websérie, recorrendo a tutoriais e aplicativos para desenvolver o enredo. Em sua participação na live, o escritor disse acreditar que a pandemia fez com que as pessoas tivessem mais atenção e empatia em relação ao próximo, recomendando aproveitar esse período de isolamento social da melhor maneira possível. “Por mais que seja difícil ficar em casa, podemos sempre ter a companhia dos livros”, finalizou Hergesel.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Laryssa Holanda
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