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“Fakir”, da cineasta Helena Ignez, teve debate com diretora no auditório da CPFL
Por: Gabriela Tognon

Helena Ignez, ao microfone: “me impressionou profundamente” (Foto: Gabriela Tognon)
“Começou quando Ney Matogrosso me trouxe o livro ‘O Cravo na Carne’, e me impressionou profundamente o universo desconhecido desses artistas anônimos e extraordinários”, afirmou a cineasta Helena Ignez no debate que ocorreu na última quinta-feira, 15, no Instituto Cultural CPFL, em Campinas, sobre a produção de seu documentário a respeito da arte do faquirismo no Brasil.
Dirigido por ela e produzido por sua filha Sinai Sganzerla, o longa-metragem mostra um acervo de fotografias, páginas de jornais e filmagens de apresentações de faquirismo em várias regiões do país. Teve como base o livro que Ney Matogrosso lhe apresentou, cujo subtítulo é “fama e fome, o faquirismo feminino no Brasil’, escrito por Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, também conhecidos como “os Albertos” no meio artístico.
Faquirismo se refere a apresentações em que um faquir ou uma faquiresa jejuam deitados ao lado de cobras, em camas de prego, dentro de um caixão de vidro por longos períodos. Expostos à visitação pública, eram observados principalmente por políticos importantes, militares de diversas patentes e a alta burguesia em geral.
Helena Ignez afirmou, durante o debate, que se interessou pelo faquirismo porque há uma diferença entre o faquir e a faquiresa, que se reproduz no cotidiano brasileiro atual: quem geralmente morria após as apresentações eram as mulheres, ou eram as esposas que matavam seus esposos faquires. “A gente vive num país muito machista, então a mulher está sempre em segundo plano”, disse Sinai Sganzerla.
Fakir significa “pobre” em árabe. “Mas é também um ganha pão, porque se não passar fome pra comer, não come nunca, e se pode observar que eram pessoas pobres”, afirmou a diretora do documentário. Além de serem faquires, os praticantes da arte eram também poetas e pensadores, apesar de serem semianalfabetos e sem nenhum tipo de perspectiva além de praticar o faquirismo para sobreviver. “Se um dia o jejum for proibido, passaremos fome em casa, já que somos pobres e vivemos disso”, diz uma faquiresa no longa-metragem.
A última apresentação da qual se tem registro de uma apresentação de faquirismo com cama de pregos e cobras no Brasil data do ano de 1980, segundo a apuração dos Albertos.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Ediçao: Gabriela Duarte
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