Cidades/Geral

Detergente é o vilão no Tietê

Lixo doméstico é responsável por 85% da degradação do rio ultrapassando o lixo industrial com apenas 15 %

 

As águas do Tietê, rio que percorre 1,1 mil quilômetros no Estado de São Paulo, carregam um triste título: estão entre as mais poluídas do mundo. O principal agente poluidor é o detergente usado pelas donas de casa e formam um extenso caminho de espumas quando agitadas pela cachoeira de Salto. Hoje, suas águas são compostas por 80% de resíduo doméstico, 15% de resíduo industrial e 5% restantes de agrotóxicos.

“ O resíduo doméstico, sendo o principal fator de poluição do Tietê, faz com que o rio aparente estar morto, com um odor fétido de imensa proporção sendo nocivo principalmente para idosos e crianças”, explica Daniel Constantino, biólogo e monitor de turismo da estância turística da cidade de Salto.

Na nascente, localizada na cidade paulista de Salesópolis, a água brota limpa e cristalina.   Realidade que muda ao se aproximar da grande São Paulo, em que cerca de 680 toneladas de esgoto sã descartadas diariamente.

Se o Lixo doméstico é o principal poluente da água dos rios, o grande vilão é o detergente. Os detergentes, se acumulam no meio ambiente formando uma camada de espuma, essa impede a entrada de gás oxigênio na água. Sobre isso, o professor de química da PUC- Campinas, Marcelo Janinni explica: “ As bactérias dos rios estão direcionadas para a degradação de matéria orgânica presente no meio aquático. Quando moléculas orgânicas diferentes aparecem, as bactérias vão degradar essas moléculas e acabam deixando a matéria orgânica do rio sem degradar, causando um desequilíbrio no ecossistema. ”

Rio Tietê. Foto: Beatriz Moraes

Segundo dados obtidos a partir do site da Sabesp, os investimentos em programas de despoluição do rio Tietê, em 2016, tiveram um valor de 342 milhões. Mesmo que esse investimento tenha reduzido quando comparado em 2015 com 378 milhões investidos, os resultados do programa são evidentes: a mancha de poluição no Tietê recuou de 530 km para 137 km, entre os anos de 1992 até 2016.

No entanto, por mais que os resultados sejam positivos ainda há muito o que caminhar.  O grande problema ainda é consumo inconsciente. Muitas pessoas gastam uma quantidade de detergente muito maior do que o necessário na hora de lavar a louça.

A consequência disso é um esgoto doméstico cada vez mais nocivo para a água dos rios.   A maioria das pessoas pensa, que o que garante uma maior eficácia na hora da limpeza é a quantidade de espuma provocada pelos detergentes. No entanto, é a capacidade do produto de formar micelas, que são pequenos glóbulos capazes de aprisionar a gordura em seu interior que resulta numa limpeza satisfatória, sendo assim, não depende da quantidade utilizada.

Sobre isso, a estudante Fernanda Rios conta a respeito da sua rotina como dona de casa: “ Na hora de lavar a louça eu utilizo uma quantidade de detergente que eu perceba formar bastante espuma na esponja, parece que vai limpar melhor. Aqui nós moramos numa republica então gastamos em média duas embalagens de produto por mês. ”

Para a diminuição do poder tóxico dos produtos de limpeza comerciais, o professor de química mostra algumas alternativas: “A produção de produtos verdes, que são produtos produzidos com baixo custo e possuem uma toxidade muito menor do que os encontrados em supermercados, como por exemplo produtos á base de: vinagre, bicarbonato, água, sabão convencional, entre outros, são capazes de ser uma saída mais sustentável para o meio ambiente e principalmente para a água dos rios. ”

A conscientização do homem, é o elemento fundamental para garantir que ás águas do rio Tietê não sejam apenas uma lembrança para as próximas gerações. Mas sim, que elas presenciem a importância de um dos principais rios do estado de São Paulo.

No vídeo a seguir o professor de química da PUC- Campinas, Marcelo Jannini conta a respeito do programa de extensão da faculdade para a conscientização de empregadas domésticas e no incentivo para a produção de saneantes sustentáveis:


Veja mais matéria sobre Cidades/Geral

11 cidades da RMC coletam e tratam mais de 80% do esgoto


20 municípios da Região Metropolitana de Campinas tem altos índices de coleta e tratamento de esgoto


Biblioteca de Sousas está fechada há um ano


A Prefeitura não renovou o contrato de locação do local onde as atividades funcionavam


Jaguariúna é a única da RMC que tem 13° para vereadores


Benefício foi aprovado pela Câmara e sancionado pelo Executivo em outubro


Inclusão escolar é dificuldade para as escolas campineiras


Estudantes com necessidades especiais encontram dificuldades nas escolas campineiras.


Laços de Honra: o outro lado do Exército


Aluna do 3° ano de jornalismo faz registros fotográficos do Exército Brasileiro


Programa IPTU Zero deixa moradores insatisfeitos


Programa da Prefeitura de Hortolândia gera transtorno para os moradores da cidade



Pesquise no digitais

Siga – nos

Leia nossas últimas notícias em qualquer uma dessas redes sociais!

Campinas e Região


Trânsito em Campinas

Facebook

Expediente

Digitais é um produto laboratorial da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, com publicações desenvolvidas pelos alunos nas disciplinas práticas e nos projetos experimentais para a conclusão do curso. O layout foi desenvolvido em parceria com o Departamento de Desenvolvimento Educacional (DDE) da instituição. Alunos monitores/editores de Agosto a Dezembro de 2017: Breno Behan, Breno Martins, Caroline Herculano, Enrico Pereira, Giovanna Leal, Láis Grego, Luiza Bouchet, Rafael Martins. Professores responsáveis: Edson Rossi e Rosemary Bars. Direção da Faculdade de Jornalismo: Lindolfo Alexandre de Souza.

Assinar por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar e receber notificações de novas publicações por e-mail.