Segundo nova plataforma do DETRAN SP, Infosiga, homens de 18 a 24 anos estão entre as maiores vítimas do trânsito no estado
Por Gabriel Rosa e Lucas Tamari
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Com o fim de ano e as comemorações dessa época, uma situação fica muito evidente: o aumento no número de veículos nas rodovias e, com isso, o risco de acidentes também cresce. Para mapear essas ocorrências no estado, o DETRAN-SP criou a plataforma Infosiga, que tem ajudado a entender melhor o perfil dos acidentados nas vias paulistas.
Segundo a plataforma, homens de 18 a 24 anos estão entre as maiores vítimas fatais por causa do trânsito. São ao todo 577 mortes entre janeiro e setembro de 2025, um número bem elevado se comparado às outras faixas etárias, como a que vem logo em seguida, de homens entre 25 e 29 anos, com 410 mortes.
Alexandre Franciscon Junior, representante comercial de 26 anos, por sorte saiu com hematomas leves após o acidente que sofreu enquanto voltava para casa depois de uma festa em 2023. Ele conta que desde então mudou a maneira como vê a direção. “Mudou minha forma de dirigir e me comportar no trânsito. Quando estou dirigindo evito dirigir com sono, prefiro pegar hotéis ou dormir em casa de amigos, e continuar a viagem após descansar. Neste episódio só coloquei minha vida em risco, mas poderia ter colocado a de outras pessoas também”, pondera.
O instrutor de autoescola Rodolfo Alvarenga diz que as atitudes dos condutores frente ao volante são as principais causas que acabam influenciando nesse aumento de acidentes envolvendo jovens. “O fator que mais influencia na ocorrência de um acidente de trânsito é o fator humano, diretamente ligado às atitudes e posturas dos condutores. Ele pode ser ocasionado por imprudência, negligência ou imperícia do jovem condutor”, afirma o instrutor.
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Ainda segundo o Infosiga, duas cidades da região aparecem com um índice percentual alto de mortes no trânsito entre as maiores cidades do estado (cidades com mais de 300 mil habitantes). A primeira da lista é Piracicaba com 20,92% e em seguida Campinas com 11,58%. Números alarmantes já que ambas estão com percentual bem acima de outras cidades como São Paulo, por exemplo, que tem 8,95% e um fluxo de carros bem mais intenso.
Leonardo Borin, estudante de administração, quase foi uma dessas fatalidades. Ele foi surpreendido enquanto voltava para casa à noite, na rodovia Magalhães Teixeira em Campinas. “Acho que era em torno de umas dez horas da noite e era um trecho que só tinha praticamente eu. O carro da frente estava bem distante e atrás não vinha ninguém, até que apareceu um boi no meio da faixa da esquerda. Mesmo tentando desviar, não deu tempo. O carro rodou e parou no acostamento”, relatou o estudante.
Na visão do instrutor, a CNH significa, para muitos, uma forma de independência. “Essa percepção contribui, sim, para o aumento do risco ao assumir o volante. Na sociedade, a CNH é vista de diferentes maneiras: como símbolo de liberdade, como uma necessidade, como símbolo de status, entre outras. Todos esses fatores influenciam o comportamento no trânsito, somando-se à imprudência, à negligência e à imperícia”, conclui Rodolfo.
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Fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas
Nos últimos meses, a mudança no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tem ganhado destaque e provocado debates. A proposta divide opiniões entre os que apoiam a reformulação e aqueles que se posicionam contra. O objetivo é tornar o documento mais acessível, simplificando as etapas e reduzindo o custo e a burocracia envolvida.
A nova medida determina o fim na obrigatoriedade das aulas em autoescolas. Até então era exigido que o condutor realizasse a carga horária mínima de 20 horas-aula práticas. Pela nova lei os futuros condutores poderão escolher entre se matricular em uma escola de direção ou receber orientação de um instrutor independente.
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Adriana França, coordenadora de autoescola, defende que as aulas para os futuros condutores são fundamentais. Segundo ela, é nesse momento que o aluno aprende sobre as regras de trânsito e os princípios da direção defensiva. “Sem esse preparo, muitas pessoas poderiam sair dirigindo sem estar realmente prontas, o que aumentaria o número de acidentes, principalmente entre os mais jovens. As autoescolas têm instrutores capacitados e oferecem um ambiente seguro para o aprendizado”, diz.
O instrutor Rodolfo Alvarenga compartilha da mesma visão. De acordo com ele, a imperícia será o maior fator que pode aumentar a quantidade de acidentes em caso de diminuição ou fim das aulas obrigatórias nas autoescolas. “Sobre a redução das aulas, existe uma série de fatores que podem influenciar os acidentes de trânsito, entre eles a imperícia. Uma redução na quantidade de aulas, ou até mesmo o fim delas, vai influenciar diretamente na formação do novo condutor, pois muitas experiências são vividas pela primeira vez com o veículo da autoescola e com o instrutor ao seu lado, que pode intervir em caso de emergência e também auxiliar o aluno nas atitudes e decisões a serem tomadas”, pontuou.
A mudança proposta pelo Ministério dos Transportes já foi aprovada pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Pelas novas regras, os futuros motoristas poderão fazer o mínimo de duas aulas e estudar a parte teórica por meio de conteúdo online. As auto escolas continuarão oferecendo seus serviços e as provas não deixarão de existir. O objetivo maior da mudança, segundo o governo, é permitir que milhares de brasileiros adquiram a carteira de habilitação sem precisar dispor de um alto valor financeiro.
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Orientação: Profa. Karla Eherenberg
Edição: Ana Elisa Desiderá

