Balança comercial da RMC tem déficit no primeiro semestre

Cidades da região importaram quase três bilhões de dólares a mais do que exportaram


Por: Gabriela Brumatti

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as cidades que compõe a Região Metropolitana de Campinas importaram cerca de três bilhões de dólares a mais do que exportaram no primeiro semestre de 2017. O principal destino dos produtos exportados são Argentina, Estados Unidos e China, que totalizaram quase 40% dos dois bilhões de dólares totais exportados. Quanto às importações, China, Estados Unidos e Japão são os que mais fornecem produtos para a RMC, quase 35% dos cinco bilhões de dólares em importados nesse primeiro semestre.

Média dos principais países de origem dos produtos exportados e importados da RMC. Fonte: MDIC. Por: Gabriela Brumatti

 

Média dos principais países de origem dos produtos exportados e importados da RMC. Fonte: MDIC. Por: Gabriela Brumatti

 

A região tem grande importância no quadro estadual, representando um polo de empresas de automóveis, autopeças, eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos, alimentícios, petroquímicos, dentre outros. O foco dessas empresas é, em sua maioria, atender o mercado interno, portanto, o consumo dos brasileiros. Quando cresce a busca por um produto (ou seja, a demanda interna) estas empresas ampliam a produção ou montagem desses bens. O professor Adauto Roberto Ribeiro, 55, da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC Campinas ainda destaca: “A palavra é montagem, porque nas últimas décadas estas empresas optaram por importar grande parte dos componentes e insumos que usam em seu processo produtivo”. O aumento da produção, de acordo com ele, passou a significar também importação das peças que necessitam. Quanto maior a demanda interna, mais a balança comercial tenderá para o lado dos importados.

Os dados do MDIC comprovam a fala do professor, os principais produtos exportados foram originários da indústria automotiva, medicamentos e plantas vivas. Dentre os importados houve grande fluxo de peças e equipamentos automotivos, produtos agropecuários e eletroeletrônicos. A comparação entre exportações e importações do ano anterior mostram que, assim como o primeiro semestre de 2017, 2016 encerrou seus seis primeiros meses com um déficit também aproximado de três bilhões de dólares. Adauto Ribeiro afirma que isso não é necessariamente um mau sinal, “isto é estrutural, oriundo da forma como se organizou a estrutura produtiva na região. O número apenas revela que quanto mais negativa for a balança comercial local, mais as empresas da região estão importando bens. Pela lógica, significa que o mercado interno está crescendo”. Tal raciocínio pode ser comprovado com o resultado da injeção de recursos via Fundo de Garantia na RMC.

Saques do FGTS em 2017 representaram alívio para a economia local

Por: Marla Santos

O governo federal liberou, em março deste ano, o saque do dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. O FGTS injetou na economia brasileira um total de 44 bilhões de reais. Na RMC, os recursos utilizados somaram 1.762.291 milhão de reais, sendo 747.768 mil reais só em Campinas, beneficiando 439. 864 trabalhadores na cidade. A expectativa do governo era a de movimentar a economia por meio do estímulo ao consumo. Em pesquisa feita no início do ano, a ACIC (Associação Comercial Industrial de Campinas) apurou que mais de 55% dos entrevistados pretendiam empregar o dinheiro para saldar dívidas, outros 40% pretendiam consumir mais e somente 05% pretendiam guardar o dinheiro em algum tipo de aplicação. Mas, na prática, os dados mostram que a distribuição dos recursos foi um pouco diferente, como mostra o gráfico abaixo.

 

Legenda: Divisão da aplicação do FGTS em Campinas entre pagamento de dívidas, compras e poupança. Por: LABIS-CLC e Lizandra Perobelli

 

Para Laerte Martins, economista da ACIC, a diferença entre a expectativa inicial e o uso efetivo do dinheiro por parte dos beneficiários se deu por conta das incertezas na economia e, sobretudo, o medo do desemprego. Martins chegou a apontar que a queda na inadimplência nos primeiros meses do saque apresentou tendência reversa nos meses finais do saque, voltando a crescer cerca de 2,0%. Para ele, em tempos de ameaça ao emprego, o pagamento de dívidas antigas deixa de ser prioridade. A poupança ainda é a aplicação preferida dos brasileiros. Além de garantir uma reserva, Martins nota que o trabalhador prefere usar o dinheiro na manutenção das contas da casa e no consumo de itens básicos. Foi o que fez a consultora de vendas Gisele Campos, 29, que utilizou o dinheiro para pagamento de algumas contas e a compra de calçados e vestuário para ela, o marido e a filha.

De qualquer maneira, Martins considera que foi positiva a decisão do governo federal de liberar o saldo das contas inativas, pois o dinheiro representou um “alento para o comércio e também para a indústria”, frente à estagnação da economia. As projeções da ACIC avaliam que haverá, no período do Natal, aumento na ordem 0,5% a 1,0% do consumo, em comparação ao mesmo período de 2016.

Para Laerte Martins, economista da ACIC, “FGTS inativo foi positivo para economia”. Foto: Marla Santos

 

Gisele Campos pagou prestações e seguiu a tendência de comprar apenas itens básicos. Foto: Marla Santos

 

As previsões

Independente dos motores da economia local estarem girando com a importação, a questão crítica das finanças brasileiras decorre da grande saída de dólares do tesouro nacional. Com uma compra extremada de produtos do exterior, fica restrita a entrada de dólares no país. “O Brasil tem que achar uma outra maneira de atrair esta moeda para dentro, para manter em equilíbrio no mercado cambial” afirma o professor Adauto Ribeiro “no caso, pode ser pela exportação dos bens agrícolas, ou através de empréstimos de dólares feitos no exterior ou pela atração de investimentos estrangeiros”.

No ritmo que segue a economia da RMC a previsão do professor é que o déficit se mantenha no nível em que se encontra para os próximos meses e que as importações continuem andando a largos passos diante das exportações. (Orientação Rosemary Bars).


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