90% da violência contra a mulher tem autoria conhecida

Geralmente os agressores são os próprios parentes, amigos ou conhecidos das vítimas.


Em Campinas há um alto número de ocorrências de violência contra a mulher, constando 71,3% dos registros com faixa etária entre 0 e 19 anos, segundo o último boletim publicado pelo Sistema de Notificação de Violência em Campinas (SISNOV). A delegada Licia Couto Lustosa Souto da 1° Delegacia da Mulher de Campinas diz que 90% são de autoria conhecida, em que os agressores são os próprios parentes, amigos ou conhecidos das vítimas. “Eles forçam as mulheres e meninas a fazerem coisas que não querem, usando da violência e ameaça para a execução do ato. Muitos se aproveitam de quando as vítimas não estão em condições de se protegerem ou  sairem do local, como estarem alcoolizadas em festas e não conseguirem reagir”, diz Licia Couto.

A estudante de economia Marcella Pinho Somenzari Forte, de 21 anos, conta que aos 13 anos sofreu abuso por um adolescente de 17 anos. “Tudo aconteceu num encontro de amigos do condomínio em que eu morava. Na época eu tinha 13 anos e junto com um grupo de amigos compramos bebidas alcóolicas. Eu fiquei muito bêbada, ao ponto de não conseguir ficar de pé e acabei ficando com um menino de 17 anos. Ele se aproveitou da situação e do estado que eu estava”, conta.

 

A estudante de economia Marcella Pinho Somenzari. Foto: Ingrid Biasioli

Anos depois do ocorrido a jovem continua a levar o trauma para sua vida e até mesmo se culpa pelo que aconteceu. “Independente da minha vontade, eu não estava em condições de nada, ele não tinha o direito”, fala. Marcela se lembra que, reencontrou o a adolescente em uma festa no condomínio que ela morava. “Ele ainda queria me tocar e dizia ‘relaxa sou eu’, mas não deixei e nunca mais tive contato com ele”.

A estudante de medicina veterinária, Isabela Benfica de Barros, de 19 anos, também sofreu abuso e diz que que nunca vai se esquecer. “Eu estava em uma  casa noturna quando um jovem se aproximou e começou a me assediar. O homem puxou meu cabelo e meu braço, me colocou entre a parede e fiquei imóvel por cerca de 20 minutos. Quando eu tentava me mover, ele me pressionava”.

Vitória Carolina, de 19 anos, tinha apenas 5 anos quando foi abusada pelo filho de uma amiga da família. “Ele tinha 17 anos e eu andava pela casa só de calcinha, como qualquer criança. Várias vezes quando ele ia na casa da minha vó ele me obrigava a fazer sexo oral e se eu recusasse ele me beliscava e me machucava. Eu fazia e chorava escondido, até que um dia ele fingiu que ia embora e se escondeu na garagem, me obrigou a ir até lá, eu não fazia nada por medo dele me machucar. Nesse dia meu tio foi até a garagem e o garoto ouviu alguém descer e mandou eu me esconder. Eu me escondi chorando, meu tio mandou ele ir embora e me encontrou em pânico, ele me levou para minha vó e eu contei tudo”.

Crianças e adolescentes do sexo feminino são as mais violentadas conforme boletim de 2016, disponibilizado pela SISNOV. Segundo pesquisa divulgada em fevereiro de 2017 pelo Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 52% das vítimas de violência entrevistadas não fizeram nada depois do ocorrido e apenas 11% denunciaram o ato.

A psicóloga gestal-terapeuta Camila da Costa Olmos Bueno, diz que algumas das consequências causadas em vítimas de violência, como abuso, é a dificuldade de confiar, se sentir culpada e tornar-se insegura. “Também tem a diminuição da autoestima que pode levar a depressão e a ansiedade, com aumento de ideações suícidas”, diz.

Os tratamentos recomendados são psicoterapêuticos e, em alguns casos, psiquiátricos para as vítimas possam recomeçarem e até mesmo desenvolverem a vontade de ter relacionamentos. A família é extremamente importante nesse processo e na recuperação da vítima:

 

No ano de 2016, mês de março, foi desenvolvido o Guarda Amigo da Mulher, um programa da Guarda Municipal em Campinas, que tem como objetivo ajudar as mulheres que são ameaçadas e foram violentadas. A coordenadora do programa, Teresinha de Carvalho, diz haver uma equipe capacitada para a fiscalização protetiva e, em todas as visitas, há uma guarda presente para gerar maior confiança a vítima. Até hoje foram realizadas 626 visitas e 44 mulheres estão inseridas no programa. “A vítima deve aderir ao projeto”, afirma Teresinha.

As vítimas recebem visitas semanalmente, na qual sempre é feito um relatório sobre a situação e se o indivíduo tentou se aproximar, caso descumpra a protetiva é decretada a prisão. A coordenadora diz que a mulher deve exigir seus direitos e se livrar de relacionamentos violentos. “A conscientização é importante e nós estamos aqui para proteger e garantir os direitos das vítimas”, finaliza. (Orientação Rosemary Bars)

 

Por Ingrid Biasioli

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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