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Vinil e CD sobrevivem em loja do Jardim Guanabara

Proprietário transformou a Fifo Discos em ponto fixo para venda de mídia musical física e divulgação de artistas

Dentro da casa, o espaço é dividido entre música brasileira e internacional

Texto e imagens: Maria Fernanda Esmeriz

Localizada no Jardim Guanabara, a Fifo Discos transcende o conceito tradicional de loja, consolidando-se na cidade como um ponto de encontro para colecionadores e entusiastas da mídia física musical. O empreendimento é liderado por Afonso Cappellaro, o Fifo. Natural de Campinas, trabalha como roteirista do podcast “Só no Brasil” (Wondery), com passagens pela MTV, revista Piauí e por programas como “Que História É Essa, Porchat?”, “Esquenta!” (TV Globo), Greg News (HBO).

A loja carrega um toque de história familiar no seu nome. Segundo Fifo, o nome “Fifo Discos, o Disco Elegante” é uma homenagem ao seu avô, que manteve por mais de 100 anos uma loja de guarda-chuvas chamada “Sombrinha Elegante”. Antigamente localizada no centro de Campinas, a Fifo Discos inaugurou seu espaço atual em janeiro deste ano e nasceu da evolução de um projeto itinerante. Fifo contou que começou o negócio “fazendo feira com aquelas mesas dobráveis”. Mesmo com a loja física, as feiras continuam como estratégia de divulgação: “Não é só o que vou vender na feira. É o adesivo que eu vou entregar para a pessoa, que pode me seguir nas redes sociais, essas coisas assim, e pode virar uma venda futura”.

O acervo disposto em várias prateleiras e estantes de vinil, confirma a predominância do formato, mas um expositor de CDs em destaque sinaliza o espaço reservado para o formato digital. O local possui uma pequena área externa, decorada com cadeiras de praia e parede coberta por colagens de pôsteres de artistas e capas de discos.

Fifo aposta na loja como um “espaço de convivência”, que oferece um programa completo em Campinas. “O lance de poder ser um role entre vários outros é bem legal. Por exemplo, de sábado, tem a feirinha ali praça de baixo, na esquina tem o 1º de abril – um boteco clássico, aqui do lado tem um café também.” Os produtos da loja atendem a um público diverso, mas com predominância para as produções nacionais, como Fifo mesmo contou. “Tanto que a loja é dividida em metade ‘mundo’, metade Brasil”, pontuou. Entre os estilos, o pop rock, o rock nacional e divas pop, como Beyoncé, costumam ter alta procura.

Essa vocação para ser um ponto de encontro e de cultura foi recentemente explorada com a gravação audiovisual do novo EP da cantora e compositora Aika, que integra o selo de produções do DJ KL Jay, do Racionais MC’s. “Ela entrou em contato com a gente dizendo que queria fazer a gravação audiovisual aqui na loja. Eu disse ‘Lógico!’. Sempre quis fazer esse tipo de coisa aqui na loja, uma coisa meio Tiny Desk e tal”, relatou. Sobre a noite, ele descreveu: “Foi mágico, né. todo mundo feliz. O KL Jay veio aqui, tocou com a Aika e depois tocou um set de 1 hora e meia, sabe. Uma vibe bem legal”.

Afonso Cappellaro, o Fifo // Sofia Forte e Matheus Ciene // João Victor dos Santos e Leandro Caron

CLIENTES
De acordo com os clientes, a experiência de consumo de vinis é marcada pela busca por um ritual de escuta completa dos álbuns, em contraste com a efemeridade do streaming. Para eles, a volta ao vinil e ao CD resgata uma nostalgia ligada a memórias afetivas e ao prazer de manusear mídias físicas.

O casal Sofia Forte e Matheus Ciene, visitou a loja em busca de itens para suas coleções. Embora Sofia não tenha um tocador ainda, ela coleciona discos e CDs. Sua relação com a mídia física remete à infância: “A gente tinha coleção em casa. É uma lembrança muito feliz que eu tenho. Minha mãe falava ‘Sofia busca lá tal disco’, aí eu ia lá procurava. Foi numa que eu comecei a ler, então me influenciou bastante”.

Matheus se identifica mais com o CD, mas também associa o formato à memória afetiva. “Quando eu era mais novo, eu tinha um tocador de CD e, quando eu ficava estressado, eu me fechava no quarto e ficava ouvindo. Eu lembro que eu tinha um CD dos Mamonas Assassinas, que ouvia muito para desestressar”, lembra, rindo.

João Victor dos Santos e Leandro Caron são recém-chegados ao colecionismo de vinil. “A gente está começando uma coleção agora. Acabamos de comprar uma vitrola nova”, diz João Victor, que antes acumulava vinis sem ter onde tocar. Ele descreveu o novo hábito de escuta: “Agora, com a vitrola, tem todo o ritual do vinil, sabe? De ouvir o álbum inteiro. No digital você vai dando ‘skipping’ em tudo que você não gosta. Com o vinil você conhece a obra completa, tem um cuidado maior. Aí abre um vinho, uma cerveja, senta ali na frente e fica lendo o encarte do vinil, ou então pesquisando a história do álbum, como ele foi feito”.

 

Leandro, por sua vez, é formado em música e lamenta a cultura da escuta incompleta. “Acho que isso é o que eu mais gosto do vinil – você ter que ouvir ele todo”. Ele contou que a vontade de colecionar veio da família: “Eu tinha avós que escutavam vinil mas, ao longo do tempo, eles foram descuidando do material, então minha família acabou descartando tudo. Mas eu sempre tive essa vontade de retomar esse costume de sentar e ouvir música”.

SERVIÇO
Digitais Recomenda:
Fifo Discos, o Disco Elegante
Endereço:
Rua Oliveira Cardoso, 104 – Jardim Guanabara, Campinas
Funcionamento: de quarta à sexta-feira do 12h as 19h. Sábado das 10h às 17h.
Instagram:
@fifodiscos
Telefone:
(21) 98015-7312

Orientação e edição: Adauto Molck

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