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Neuroarquiteta explica como deve ser uma rota acessível

Especializada em acessibilidade para a longevidade defende a autonomia do idoso em seu deslocamento

Texto e imagens: Beatriz Bermudes Barbato

O deslocamento pelas vias públicas na cidade de Campinas é um desafio para moradores com deficiência, idosos, mães com carrinhos de bebê ou pessoas com qualquer tipo de mobilidade reduzida. Calçadas irregulares, rampas fora do padrão e ausência de sinalização própria são alguns exemplos de empecilhos que impactam diretamente o direito do cidadão de ir e vir. A Lei Federal n. 13.146, de julho de 2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão, promove a acessibilidade indispensável a todo cidadão – um direito ainda negado em diversos espaços da cidade.

Em Campinas foi instituído em 2022 na cidade o Plano Municipal de Rotas Acessíveis, pelo decreto 22.391/22, em conformidade com o Plano Diretor e demais normas correlatas à mobilidade urbana. Seu objetivo é o de garantir a acessibilidade no município através da construção de rotas acessíveis contínuas, desobstruídas e sinalizadas, conectando locais públicos e privados, como escolas, postos de saúde e agências bancárias. No entanto, quase três anos após essa aprovação, os espaços públicos seguem repletos de obstáculos para essa população, ressalta a profissional.

 

A neuroarquiteta Elza Bergamim, especializada em acessibilidade para a longevidade, explica como essas irregularidades no espaço urbano inviabilizam o trânsito irrestrito dos pedestres, comprometendo sua capacidade de circular livremente e de manter autonomia em seus deslocamentos.

 

Muito além de pessoas com deficiência, a acessibilidade busca tornar os ambientes transitáveis a todos, considerando suas necessidades. Elza explica que o envelhecer é um processo natural, e que os espaços públicos e privados precisam ser adequados à população em todas as suas fases da vida e necessidades. Segundo ela, é crucial reduzir os impactos negativos que afetam diretamente a qualidade de vida quando existem barreiras físicas que impedem a locomoção no ambiente urbano. “Esses impactos afetam, sobretudo, a expectativa de vida de pessoas idosas e com deficiência,” afirma.

Aposentada Neide Gisoldi Couto: desafios diários para caminhar

A aposentada Neide Gisoldi Couto já não sai de casa sozinha. Aos 80 anos, diz ter dificuldades de andar nas calçadas da cidade, e tarefas simples – como uma ida à farmácia ou à padaria – se tornam verdadeiros desafios. “Tem sido um desafio, parecem armadilhas. Tenho que estar sempre atenta para não tropeçar.” Dona Neide relata ainda que a atual condição é um desincentivo a andar a pé “A gente perde a vontade de sair e passar por esses lugares”.

 

Por isso, a acessibilidade incentiva e permite que as pessoas continuem realizando suas atividades diárias sem impedimentos, com segurança, autonomia e conforto. “Com o tempo, o nosso corpo muda, e os espaços também precisam acompanhar essas mudanças,” afirma Elza Bergamim.

 

O engenheiro cadeirante Augusto Fernandes falou das dificuldades de transitar nas ruas no dia a dia. “Os desníveis entre as calçadas e os pisos trepidantes dificultam a locomoção contínua e a segurança quando estamos nas cadeiras de rodas”, narra. Ele descreve ainda o acesso precário às rampas, muitas vezes substituídas por inclinações de garagens, que não são adequadas para cadeiras de rodas ou andadores.

Orientação e Edição: Adauto Molck

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