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Leitura estimula crianças a deixarem as telas de lado

Educadores dizem que o segredo para formar novos leitores está no encantamento ao compartilhar histórias

Estudante de letras Giovana Frare // Amanda Artioli, professora e mãe // João Henrique Cuelbas

Texto e imagens: Mariana Rogado Carrer

Em um mundo dominado pelas telas, o livro ainda guarda um poder especial. A literatura se mostra essencial para o desenvolvimento das crianças, de forma a ampliar o vocabulário, estimula a criatividade e apresentar diferentes realidades de maneira lúdica. A biblioteca pública municipal de Campinas Professor Ernesto Manoel Zink promove encontros de contação de histórias, sempre abertos ao público e gratuitos, como forma de estimular a ida de crianças a biblioteca.

As crianças estão acostumadas areceber estímulos o tempo todo, elas têm uma necessidade maior de entretenimento e dificuldade ao tédio, com isso, muitos pais não conseguem dar atenção requerida pelos filhos e recorrem a ajuda da tecnologia. Ao invés de apresentarem o livro como um objeto mais interessante, como tela. “O livro não é só um objeto de lazer, ele pode ser um grande aliado para conseguir tirar as crianças da frente de telas”, disse Giovana Frare, estudante de Letras e educadora da infância.

A literatura infantil não é apenas entretenimento, ela ajuda a criança a compreender o mundo ao seu redor. “A literatura infantil é um modo de apresentar a realidade do mundo de forma lúdica e verdadeira, trazendo noções de certo e errado adaptadas para a linguagem da criança. Além disso, amplia o vocabulário e cria momentos de lazer em família ou entre amigos”, afirmou Giovana Frare.

 

Para a educadora, os temas de livros apresentados podem ser um instrumento de construção da identidade, valores e na visão de mundo das crianças, é uma forma de serem apresentados a assuntos sensíveis (como racismo, bullying e separação dos pais) de forma lúdica. “A parte mais importante da literatura é trazer diferentes realidades e histórias. Uma criança pode se sentir pertencente ou não à sociedade dependendo do livro que recebe”, disse Giovana.

Não tem idade certa para começar, quanto mais cedo e mais natural a leitura for inserida da rotina da criança, melhor. No espaço escolar, a presença é diária. Giovana conta que as turmas da educação infantil com as quais trabalha, têm dois momentos de leitura em grupo por tarde, um em português e outro em inglês. Também há visitas semanais à biblioteca, incentivando desde cedo o contato direto com os livros. Essa rotina faz diferença: “Quando é um momento de aproximação e afeto, a criança associa a leitura ao prazer. Assim, quando começar a ler sozinha, já terá o costume e a vontade”, explica a educadora.

Amanda Artioli, professora e mãe de dois filhos, Joaquim de 7 anos e Betina de 2 anos, contou como incentivava a leitura na rotina de seus filhos. Ouça:

 

“Para aumentar o interesse das crianças é preciso trazê-las à biblioteca. Quando elas participam dos encontros, ficam encantadas pelo universo dos livros. É uma questão de mostrar o quanto esse mundo é rico e mágico”, comenta Suse Elias, responsável pela biblioteca “Professor Ernesto Manoel Zink”.

 

Em Campinas, existe uma biblioteca dedicada somente aos pequenos leitores, a Biblioteca Municipal Infantil Monteiro Lobato, que reúne mais de 7.500 livros e muitos gibis. O espaço recebe várias crianças por dia, além de fazer visitas guiadas para escolas e grupos de mães com seus filhos. Pode-se levar livros para casa em empréstimos de até 15 dias. O objetivo é claro: aproximar cada vez mais as famílias do hábito da leitura. “Nosso público principal é de crianças entre 4 e 12 anos, mas atendemos todos que queiram explorar esse universo”, afirmou João Henrique Cuelbas, responsável pela biblioteca.

Orientação e edição: Adauto Molck

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