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Conab prevê safra de 339,6 milhões de toneladas em 2024/25, excedente de 42,2 milhões pressiona valores
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Pesquisador Pedro de Miranda Costa // Luis Felipe Cabrino // gerente comercial Otávio Albano
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Texto e Imagens: Ana Elisa Desiderá
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O arroz e o feijão aliviaram o bolso dos consumidores de Campinas em 2025, segundo levantamento do Observatório PUC‑Campinas. O arroz acumulou queda de 24,46% no ano até outubro, o feijão, de 8,76%. Com relação aos valores reais, o preço médio do pacote de 5 kg de arroz caiu de R$ 33,50 em outubro de 2024 para R$ 25,58 em outubro de 2025. Enquanto o quilo do feijão passou de R$ 7,68 para R$ 7,11 no mesmo período.
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A queda dos preços do arroz e do feijão pode estar relacionada com o aumento da oferta na safra 2024/25. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima safra de grãos de 339,6 milhões de toneladas, 14,2% acima da anterior, com um excedente de 42,2 milhões de toneladas. Pedro de Miranda Costa, pesquisador do centro de estudos da faculdade de Campinas, concorda que a questão está ligada à oferta… Ouça:
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Em outubro de 2025, o arroz caiu 8,09% e o feijão caiu 3,06%, reforçando a tendência de deflação acumulada no ano.
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Luis Felipe Cabrino, atua em uma empresa responsável por embalar cereais na região de Campinas, indica que o arroz vendido na região é produzido nos estados do Rio Grande do Sul ou do Mato Grosso. Já a safra do feijão, é rotativa de acordo com o especialista. A casa três meses, altera-se a região fornecedora. No momento, usa-se o feijão produzido no próprio estado de São Paulo, mas Minas Gerais e Goiás também fornecem.
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Tendo em vista que os cerais são trazidos de outras regiões, o arroz demora de dois a três dias para chegar em Campinas. E o feijão, quando produzindo no estado de São Paulo, demora um dia. Quando, trazido de Minas Gerais ou Goiás demora de dois a três dias.
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Queda dos preços do arroz e do feijão está relacionada com o aumento da oferta na safra 2024/25
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O gerente comercial de um atacadista da região de Campinas, Otávio Albano, entende que produtos que fazem parte da cesta básica são mais sensíveis a reajuste de preço no ponto de venda. “Com isto toda oscilação de preço tanto pra cima, quanto pra baixo, o consumidor sente e tende a comprar menos ou mais e até mesmo há migração de marcas com menor preço ou buscam mais por promoções”, explicou.
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Ainda de acordo com o gestor, a queda do arroz e do feijão, em Campinas, ajudou a reduzir o custo do carrinho em outubro, embora a compensação não seja total diante de altas em outros itens, como tomate (+10,46%) e batata (+25,81%). “Batata e tomate possuem peso menor no orçamento alimentar médio, comparado com arroz e feijão. Ou seja, mesmo com aumento maior de preço, o impacto proporcional no carrinho ainda é mais limitado. A deflação de arroz e feijão cumpre um papel importante no impacto da cesta básica”, disse. Mesmo assim, ele indica que o faturamento não cresceu na mesma proporção do aumento de unidades vendidas, porque a queda de preço superou o ganho em volume.
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Pedro, docente do Observatório da PUC-Campinas, disse que os produtos que mais sofreram oscilações foram o tomate e a batata, devido à características próprias destas culturas. “Então são culturas que tem um ciclo mais curto e que estão muito sujeitas a influências do clima, tá? Dito isso, o tomate realmente esse ano ele tem uma alta”.
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“Hoje o mercado de arroz está num preço tão baixo que não paga nem os custos do produtor”, disse Cabrino. Ele alertou que juros altos sobre financiamentos agravam a situação e que, para recuperar preços, seria necessário escoar estoques, possivelmente com aumento das exportações.“A gente tem sentido que hoje o preço do arroz já chegou no mínimo. Para ele voltar a subir precisaria escoar o estoque de passagem, que está muito alto e a opção pra isso seria o aumento das exportações”, disse, trazendo uma alternativa.
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Orientação e edição: Adauto Molck
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