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Desde o surgimento de movimentos feministas, elas passaram a ocupar mais espaço na cenário musical, influenciando o público por meio das letras
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Por Giovana Gazzetta
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A presença feminina na música vive uma fase de expansão, tanto em representatividade, quanto em impacto cultural. Segundo o Ecad, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o total de mulheres contempladas com direitos autorais saltou de 22 mil em 2020 para 29 mil em 2024. Por mais que recebam apenas 8% do valor distribuído, o crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior indica uma trajetória que, embora desigual, aponta avanços consistentes.
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A música passou a ser um espaço de disputa e afirmação para as mulheres a partir do surgimento de movimentos feministas e lutas por direitos civis no século XIX e ao longo do século XX. A jornalista musical e apresentadora do programa Afiadas, Adriana de Barros, afirma que ao ouvir mulheres atuantes nos palcos e nos bastidores, é evidente que a transformação está em processo. “A revolução está em curso, mas a luta por um espaço realmente igualitário e livre de preconceitos continua a ser a principal pauta da indústria”, explica.
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Essa mudança se reflete nos cenários global e nacional. No exterior, as mulheres representaram 37,7% dos artistas da Billboard Hot 100 em 2024, alcançando ainda mais visibilidade em premiações como o Grammy de 2025, onde dominaram 12 das 16 categorias principais. No Brasil, a presença feminina também se fortalece por meio de trajetórias marcantes. Nara Leão e Elis Regina na bossa nova, Elza Soares, Alcione e Clara Nunes na batida do samba, Rita Lee e Cássia Eller na força do rock e, atualmente, Anitta no funk pop.
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Nina Simone, no século XX, foi a primeira pianista clássica e cantora negra a fazer sucesso nos Estados Unidos e conduziu o debate para o coletivo sobre raça, política e dignidade. “Ela usou a música para falar por sua comunidade, forçando a sociedade (e a indústria) a confrontar a questão da igualdade racial e de gênero como uma pauta política fundamental”, explica Adriana.
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Em paralelo, Anitta, cantora contemporânea brasileira, continua movimentando os discursos de empoderamento por meio da discussão sobre a autonomia individual e econômica. “A cantora move a discussão para a esfera do individual e da liberdade de escolha. Ela confronta o patriarcado nos aspectos da moralidade e do mercado, usando o poder econômico e a visibilidade midiática para normalizar a autonomia da mulher sobre seu corpo e suas decisões”, completa a jornalista.
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As trajetórias de Nina Simone e Anitta demonstram que o empoderamento feminino não é uma luta homogênea, mas uma evolução constante que se adapta aos desafios e necessidades de cada época. Nomes do pop aparecem com frequência quando o assunto é música que empodera, mesmo entre o público jovem. Giovanna Amaral, de 19 anos, compartilha que esse sentimento começou cedo, ainda na infância, influenciada pelo universo de Hannah Montana. “Aquele contraste entre a “dupla personalidade” de Miley Cyrus me inspirava muito por seu jeito autêntico, confiante e cheio de energia”, compartilha. Já Luana Vilela, de 24 anos, relata que, desde os 13 ou 14 anos, encontra em músicas de artistas como Rihanna e Ariana Grande uma fonte de força e autoestima.
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Cada uma dessas cantoras contribui para o discurso do empoderamento de maneiras distintas. Beyoncé transforma o feminismo negro, discute pressões estéticas e estimula a autoconfiança; Rihanna redefine poder por meio da independência artística e empresarial; Miley Cyrus, por conta de relacionamentos
mal-acabados, discute amor-próprio; Sabrina Carpenter e Ariana Grande exploram a autonomia emocional de forma ousada e, algumas vezes, com humor; Luísa Sonza enfrenta padrões estéticos e opta por expor seu corpo também como forma de resistência; Preta Gil foi fundamental na construção da autoestima; Marília Mendonça e Ana Castela ressignificam o lugar do universo feminino na música sertaneja.
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Para mulheres como Giovanna e Luana, não existe momento certo para ouvir músicas que as façam sentir mais fortes, porque a todo momento essas canções funcionam como combustível emocional. “Principalmente quando estou me arrumando, gosto de ficar cantando na frente do espelho e me sentindo poderosa”, diz Luana. Enquanto isso, Giovanna fala: “costumo escutar esse tipo de música quando quero me animar, aumentar minha autoconfiança ou simplesmente lembrar do meu valor”.
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A pluralidade de experiências fortalecem o empoderamento feminino na música. Das lutas políticas de ontem às disputas por autonomia de hoje, todas as vozes importam. A evolução é real, mas o caminho ainda exige vigilância, ação e resistência. Se a música amplifica a voz das mulheres, a luta deve e irá continuar.
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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Ana Elisa Desiderá
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