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Crianças e jovens entram no universo dos desenhos

Oficinas no SESI Campinas ensinam técnicas de criação de personagens e histórias em quadrinho

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Texto e imagens: João Praxedes

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No primeiro dia, a oficina de mangá foi conduzida pelo instrutor Michael Manoel, apreciador de mangá desde criança, ele contou que sua paixão pelo desenho vem da infância, quando lia Turma da Mônica e Tio Patinhas, mas foram os mangás Naruto e One Piece que marcaram sua trajetória. Ele também trabalha criador de papercraft nas horas vagas.

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O objetivo da oficina do SESI Campinas é derrubar a barreira do “eu não consigo desenhar” e mostrar que qualquer pessoa pode se expressar artisticamente. “Não existe esse negócio de eu não consigo. Todo mundo pode se expressar dentro dessa arte, que é o mangá”, disse Michael.

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A atividade começou com dinâmicas simples de coordenação motora: círculos, linhas e exercícios para trabalhar tonalidades do grafite. Em seguida, os participantes aprenderam como desenhar o modelo padrão de corpo de personagem de mangá e criaram seus próprios heróis e heroínas.

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Entre os participantes estavam Daniela D’Amico e seu filho Felipe D’Amico de 15 anos que já estuda desenho há três anos e sonha em trabalhar com arte digital. “Oficinas como essa despertam a criatividade e desativam bloqueios. Elas ajudam na coordenação motora, na parte visual e em tudo que envolve criação artística”, destacou Felipe. Daniela refletiu sobre a importância do incentivo fora da escola. “Na escola a gente aprende que o sol é só uma bola com tracinhos e a casa é feita de dois pauzinhos. Isso corta a criatividade. O desenho é prática, e vai melhorando quando aplicamos as técnicas certas.”

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Vinícius Scrochio conduz e a criação de quadrinhos // Michael Manoel é fã de mangá desde pequeno

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SEGUNDO DIA
No outro dia foi a vez da oficina de histórias em quadrinhos, ministrada por Vinícius Scrochio. O foco esteve nos conceitos básicos de criação de personagens, cenários e narrativa, com atividades que alternavam explicações e prática. Assim como no sábado o ambiente era leve, com crianças rindo de suas próprias criações.

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Para Vinícius, a oficina é um espaço para experimentar e estimular o pensamento coletivo: “Além do desenho, trabalhamos narrativa, trabalho em equipe, pensamento em conjunto e o uso de referências”, explicou. Também ressaltou os desafios. “Em tão pouco tempo, é difícil trazer todos os elementos principais e manter o interesse. O importante é que os participantes saiam daqui querendo continuar em casa.”

Entre os inscritos estava Daniele Augusta, 47 anos, acompanhada da filha Sofia Vitória, de 11 anos. Daniele descobriu a oficina pelo site do SESI e quis oferecer à filha uma experiência criativa fora da rotina. “A Sofia gosta muito de desenhar, colocar a imaginação pra funcionar”, contou. Sofia, apesar de gostar de arte e criar história, encara apenas como passatempo seus planos estão voltados para a área de Tecnologia da Informação e serviço voluntário.

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Daniela D’Amico e Felipe exibem seus personagens // Sofia Vitória exibe orgulhosa o esboço da HQ

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Para a mãe, no entanto, a arte é essencial para o desenvolvimento das crianças: “A gente descobre os talentos justamente aí, né? Tentando, errando, criando. As pessoas precisam procurar mais para ter esse incentivo. Às vezes ficamos muito bitolados em passatempos restritos, como o cinema. É preciso experimentar de tudo um pouco.” Ela ainda deixou uma reflexão sobre a relação entre criatividade e tecnologia. “Estamos muito no mundo das redes sociais, mas precisamos deixar fluir essa parte que está dentro da gente, essa criatividade que muitas vezes deixamos adormecida.”

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As oficinas do SESI Campinas do final de semana mostraram que a arte pode ser um caminho para a imaginação e o autoconhecimento. Para os instrutores, a missão foi ensinar técnicas novas e despertar o interesse; para os jovens, uma oportunidade de brincar com suas próprias ideias; para os pais, um espaço de incentivo e descoberta. Mais do que aprender a desenhar, o fim de semana provou que qualquer pessoa pode contar histórias.

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Orientação e edição: Adauto Molck

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