Sedar o animal não impede que ele sinta dor; é necessário um analgésico ao longo do procedimento cirúrgico
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Texto: Isabelle Layara e Maria Eduarda Inácio
Imagens: Isabelle Layara
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“Segundo as investigações, os animais submetidos aos procedimentos não eram anestesiados somente sedados e sentiam dores intensas durante as cirurgias” – parece a descrição de procedimentos que aconteciam no século passado. Mas esse caso veio à público em maio deste ano. Um caso onde um estudante de veterinária, da cidade de Teresina, realizava procedimentos cirúrgicos fora de um centro especializado, sem instrumentos e analgésicos necessários, transformando cirurgias em grandes pesadelos para os animais. É tão importante saber se seu pet está recebendo os analgésicos corretos e qual o procedimento adotado pelo profissional escolhido.
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Segundo a veterinária anestesista Rachel Nascimento Odorissio, a principal diferença entre a anestesia geral e a sedação é que na anestesia geral o paciente perde todos os seus reflexos e não responde a nenhum estímulo, seja ele sonoro, sensitivo ou olfativo. Nesses casos o paciente está em um sono profundo e, por isso, não sente o procedimento, o que leva a intubação.
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Já a sedação é utilizada em procedimentos mais simples e rápidos como um ultrassom, raio-x, exame de sangue e uma sutura pequena na pele. Rachel explica que a sedação é utilizada para que o paciente fique parado, em casos de os animais serem mais bravos ou reativos. Nessas situações é necessário sedar para que seja possível realizar o exame, e é explicando ao tutor que o paciente ainda sente tudo que está acontecendo, mas não reage.
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Muitos tutores ao chegarem a um Hospital Veterinário, pedem por anestesia inalatória, acreditando serem mais seguras do que a intravenosa. Mas a veterinária explica que independente da técnica a ser utilizada, o que trará segurança para o paciente é um profissional capacitado realizando o procedimento. Informação confirmada por Paula Guimarães, anestesista veterinária e professora da Clínica Veterinária PUC-Campinas. Paula explica que qualquer veterinário pode fazer um procedimento anestésico, mas o que realmente pode trazer tranquilidade ao tutor é saber que a cirurgia será feita e acompanhada por um profissional qualificado e especializado.
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“A gente começa a conversa já na consulta, explicando qual a necessidade dessa anestesia, sedação e explica sobre as possíveis complicações, além do tutor assinar um termo de consentimento. O que é dito nas primeiras conversas antes da cirurgia”, revela Paula. A professora destaca o profissionalismo. “Obviamente as complicações e riscos serão muito menores quanto mais especialista for o profissional, então temos que ter esse cuidado e ele tem que ser falado, principalmente para o tutor saber da existência desse profissional e que isso minimiza os riscos”.
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A anestesista ainda revela que é muito comum tutores chegarem dizendo que já perderam um animal na anestesia. “É muito pesado para gente ouvir isso, mas ao mesmo tempo você sente que está chegando no lugar certo, porque tudo que pudermos fazer por esse animal e o tutor, nós da equipe iremos fazer” afirma.
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Rachel Odorissio // Paula Guimarães e Carolina Akel Ferruccio // Paula cuida de uma gatinha
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Outro fator importante é ter um centro cirúrgico que obedeça às normas estabelecidas. É incabível realizar uma cirurgia sem um monitor cardíaco, uma saída de oxigênio e um monitor de pressão, por exemplo. Cirurgias realizadas fora dessas normas são consideradas crimes de maus-tratos, como é o caso de maio deste ano em que um estudante de veterinária foi investigado por realizar procedimentos cirúrgicos ilegais e sem anestesia em animais, na cidade de Teresina. Relembre o caso assistindo essa matéria produzida pelo Balanço Geral da TV Record
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É fundamental que os tutores se atentem em como os procedimentos vão ser feitos em seus pets, pois, normalmente em um pré-operatório antes da aplicação de uma anestesia geral, são solicitados ao paciente exames para avaliar todo o quadro e dependendo do animal, caso tenha alguma doença são solicitados exames mais específicos.
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Só a anestesia não impede que o animal sinta dor, é necessário um analgésico ao longo do procedimento. Por isso, é indispensável buscar um profissional especialista de confiança que realize todo o acompanhamento da forma correta com o seu pet.
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Além disso, existem casos em que não é preciso trabalhar com a analgesia. Então, se é necessário fazer um exame de ultrassom em um animal muito bravo não precisa de uma analgesia, somente de uma sedação, por que é um exame que não confere nenhuma dor ao animal. Mas todo procedimento cirúrgico com analgesia acaba tendo que se utilizar a sedação no primeiro momento.
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Assista o passo a passo de um procedimento cirúrgico realizado da maneira correta, com os instrumentos necessários e no ambiente apropriado:
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Orientação e edição: Adauto Molck
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Na Clínica Veterinária da PUC-Campinas, gatinha se recupera ainda sob os efeitos da anestesia
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