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Professores protestam contra desligamentos

Docentes da rede estadual denunciam cortes nos programas Sala de Leitura e Projeto de Apoio à Tecnologia da Informação

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Sindicato dos Professores do Ensino do Estado (APEOESP) apoiando mobilização da categoria

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Texto e Imagens: Maria Vitória Porto

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Professores da rede estadual de ensino se reuniram em frente à Diretoria de Ensino do Oeste de Campinas, na manhã da última terça-feira, dia 30/09, para protestar contra o desligamento de docentes dos projetos Sala de Leitura e Projeto de Apoio à Tecnologia da Informação (PROATI). O ato contou com a presença de professores e membros do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP).

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Os docentes alegam que foram comunicados via WhatsApp sobre o desligamento dos cargos ocupados. Para a professora de História e conselheira estadual da Apeoesp, Flávia Telles, a decisão foi surpreendente e revela como os educadores são tratados. “Recebemos um comunicado na sexta-feira, o que mostra bastante como o governo enxerga os professores como descartáveis”, afirmou.

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Durante o manifesto, Flávia ressaltou a importância dos projetos. “O professor da Sala de Leitura é responsável pela organização do espaço e pela execução de projetos de incentivo à leitura, especialmente relevantes no contexto pós-pandemia, devido à defasagem no aprendizado. Já o professor PROATI oferece suporte tecnológico, auxiliando no uso de plataformas digitais, computadores e outras ferramentas, algo crucial no cenário educacional atual”.

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Muitos docentes deixaram aulas do ensino regular para assumir turmas vinculadas aos programas, já que este era um dos critérios impostos. Esse foi o caso do professor de exatas, Leandro Bonfim, que atua na rede há 10 anos. “Eu estava com aulas atribuídas no começo do ano e deixei para pegar estas aulas. Agora, nos quarenta e cinco do segundo tempo, comunicaram que iriam encerrar os projetos. Existe a possibilidade de se abrir contratos emergenciais para chamar novos professores e assumir aulas não atribuídas, para que possamos finalizar o ano com o mínimo de dignidade e é isso que esperamos”, afirmou.

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A professora Aparecida Alves dos Santos, de 60 anos, com mais de 20 de carreira, demonstrou ceticismo em relação a uma solução. “Já faz tempo que eu trabalho no Estado. Não acho que vão conseguir resolver nada”, disse.

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Professores em frente à Diretoria de Ensino do Oeste na manifestação contra cortes nos projetos

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Além dos cortes
Para o professor e diretor da APEOESP, Hamed Bittar, o problema é ainda mais amplo e atinge diversas áreas da educação. “A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo aposta na plataformização da educação, enquanto as salas de aula estão superlotadas, além de levantarem a questão da escola cívico-militar. Enquanto há inúmeros problemas graves na escola pública, eles acham que a solução é colocar um policial aposentado para cuidar dos alunos, e a gente sabe que isso não vai resolver”, declarou.

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Os professores permaneceram reunidos e, após discussões, alguns chegaram a entrar na escola para tentar dialogar. De acordo com Bittar, a APEOESP convocou os docentes para uma plenária e deve mover uma ação judicial contra a Resolução SEDUC 115/2025, que respalda os desligamentos promovidos.

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Orientação e edição: Adauto Molck

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